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Livro sobre os “escravos dos tempos modernos” é lançado este sábado

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O livro do fotojornalista Mário Cruz, “Talibes - Modern Day Slaves”, estará disponível em edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC no país

“Talibes Modern Day Slaves”, que valeu este ano ao fotojornalista três grandes prémios de fotografia, estará disponível em edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC do país

O livro “Talibes Modern Day Slaves”, do premiado fotojornalista Mário Cruz, que testemunha o tráfico e a exploração infantil de crianças e adolescentes que vivem em escolas corânicas do Senegal, vai ser lançado este sábado, no Fórum da FNAC Chiado, em Lisboa.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa estará presente no lançamento, que começa às 18h00. O livro, que será apresentado pelo jornalista Fernando Alves, valeu este ano a Mário Cruz três grandes prémios de fotografia: o World Press Photo, na categoria Temas Contemporâneos, o Pictures of The Year Internacional (3.º lugar) e o Estação Imagem — o maior prémio do fotojornalismo português.

“Talibes Modern Day Slaves” mostra 70 fotografias a preto e branco que Mário Cruz tirou no verão de 2015 no Senegal e na Guiné-Bissau, um conjunto que documenta e alerta para a existência de falsas escolas corânicas no Senegal, onde mais de 50 mil crianças são escravizadas, torturadas e abusadas. Muitas delas, revela a reportagem do jornalista de 28 anos, são traficadas a partir de países limítrofes ao Senegal, como é o caso da Guiné-Bissau.

Mário Cruz, que trabalha na agência Lusa, tomou conhecimento das falsas escolas corânicas em 2009, durante uma reportagem na Guiné-Bissau, onde ouviu falar de crianças que estavam a ser levadas para o Senegal para serem escravizadas por líderes religiosos. Investigou a situação durante dois meses.

“Talibes Modern Day Slaves”, publicado pela FotoEvidence, estará disponível numa edição quadrilingue (português, inglês, francês e árabe) nas 23 lojas da FNAC no país.

  • “Vi crianças a serem chicoteadas à minha frente e outras acorrentadas”

    O ano passado o fotojornalista da Agência Lusa Mário Cruz tirou uma licença sem vencimento, foi por conta própria para o Senegal no encalço de crianças talibés e testemunhou um cenário de terror. Fotografou meninos acorrentados, chicoteados, obrigados a pedir esmola sob ameaça de morte de falsos professores corânicos. Um trabalho que lhe valeu aos 28 anos, três grandes prémios de fotografia no espaço de dois meses: O World Press Photo, na categoria Temas Contemporâneos, o Pictures of The Year Internacional (3º lugar) e o Estação Imagem — o maior prémio do fotojornalismo português

  • “Este trabalho tem um objetivo. Acredito que possa fazer mudar as coisas no Senegal”

    Em maio de 2015, Mário Cruz, repórter fotográfico da agência Lusa, tirou uma licença sem vencimento e partiu para uma viagem para o Senegal e Guiné-Bissau. Na bagagem transportava a máquina fotográfica, alguns contactos e, sobretudo, uma persistência notável. O objetivo era encontrar as crianças feitas escravas pelos falsos professores das escolas corânicas e denunciar. O trabalho que resultou de um mês e meio a fotografar o que nenhuma ONG tinha conseguido demonstrar, surpreendeu o mundo das publicações, quando o apresentou pela primeira vez em Perpignan, no festival Visa pour l'Image, Entretanto nada aconteceu, até o trabalho ser publicado na revista Newsweek, dois dias antes de receber a notícia que tinha sido premiado pela World Press Photo