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A coleção Miró está a chegar ao Porto e é para ficar. Só falta arranjar casa

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Uma das 85 obras da Coleção Miró

DR

Namoro entre o Porto e a coleção Miró começou em julho e o casamento foi anunciado esta manhã pelo primeiro-ministro: o conjunto de 85 obras do pintor chega sexta-feira a Serralves e ficará no Porto

André Manuel Correia

Há muito tempo que se falava da possibilidade de o conjunto de 85 obras da autoria do pintor catalão Joan Miró ficar em permanência no Porto. O namoro era antigo e acabou em casamento. O Governo deu o primeiro passo ao manifestar essa vontade e Rui Moreira retribuiu, afirmando a disponibilidade da cidade para acolher a coleção avaliada entre 35 e 54 milhões de euros. Esta terça-feira, chegou a confirmação por parte do primeiro-ministro António Costa, num discurso proferido no âmbito da inauguração da 3.ª Cimeira do Turismo Português, em Lisboa. Agora, só falta agora encontrar um espaço onde ficar.

“O Governo já tomou a decisão de fixar definitivamente na cidade do Porto a famosa coleção dos quadros de Miró, de forma a que o Porto possa ter um novo polo de atratividade que ajude a consolidar e a reforçar a que tem tido ao longo dos últimos anos", afirmou António Costa.

A coleção de obras do pintor catalão, umas das principais referências do movimento surrealista, passou para as mãos do Estado em 2008 após a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN). Durante a legislatura da coligação PSD/CDS, com Passos Coelho na liderança, o conjunto chegou mesmo a ser colocado à venda e a ser exposto em Londres.

Em 2014, o empresário luso-angolano Rui Costa Reis fez chegar uma proposta para adquirir a coleção no valor de 44 milhões de euros e garantia a manutenção das obras na cidade do Porto durante 50 anos. No entanto, a transação não se consumou e a oposição, nomeadamente PS e PCP, sempre recusaram a opção de alienar a coleção. Em duas ocasiões, ações interpostas pelo Ministério Público travaram o processo.

Em fevereiro deste ano, João Soares, então ministro da Cultura, dirigia fortes críticas ao anterior Governo e afirmava que “a coleção Miró foi enviada para fora do país em condições de ilegalidade absoluta”. Dois meses depois, em abril, Soares apresentou a demissão e foi substituído por Luís Filipe Castro Mendes.

A 24 de julho, começou o namoro entre o Governo e a cidade do Porto com vista à exposição permanente da coleção. "É desejo do Governo que os Mirós fiquem no Porto, agora o Porto tem de dizer se os quer", disse o atual responsável pela pasta da Cultura.

A resposta da Invicta não se fez demorar e, um dia depois, Rui Moreira considerou “ótima” a ideia. “Agora, vamos durante os próximos dias trabalhar para perceber se há condições, de facto, para podermos ter isto num equipamento municipal, se o Estado pretende ter aqui um museu nacional ou se é um museu municipal. São tudo questões que ainda não estão certas", dizia, há dois meses, o autarca portuense.

E essas dúvidas continuam por dissipar, uma vez que ainda não sabe qual será o local escolhido para acolher as 85 obras de Joan Miró. Certo é que o acervo chega esta sexta-feira ao Museu de Serralves, no Porto. A exposição intitulada “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, comissariada por Robert Lubar Messeri e com projeto expositivo de Álvaro Siza Vieira, ficará patente no museu de arte contemporânea até 28 de janeiro.

O Presidente da República e o primeiro-ministro irão comparecer na cerimónia de inauguração.