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Um festival de teatro “multicomédia” instala-se na Maia

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A comédia volta à cidade, e sob várias formas, na 21ª edição do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia. Entre 30 de setembro e 9 de outubro há 34 espetáculos em agenda. O de estreia fica por conta da companhia francesa “Les Bleus de Travail”

André Manuel Correia

Com uma oferta multidisciplinar que vai desde o teatro de texto, com abordagens contemporâneas, até ao teatro visual e físico, onde a palavra fica de fora, a 21.ª edição do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia realiza-se entre 30 de setembro e 9 de outubro. No total, serão 34 espetáculos de 21 companhias portuguesas e internacionais. Apresentações de novo circo, cabaré, “clowns” – como o português Rui Paixão -, espetáculos de marionetas, teatro de rua e músico-teatro são outros dos aliciantes numa programação diversificada e “multicomédia”.

A expressão é utilizada por José Leitão, diretor artístico da companhia Teatro Art’Imagem que organiza o festival, para quem a programação tem “um bom equilíbrio” entre o teatro mais clássico e o teatro mais ligado às artes performativas e multidisciplinares. “É aquilo a que eu chamo de ‘multicomédia’”, frisou o responsável em entrevista ao Expresso.

O Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia conta, em 2016, com a presença de oito companhias nacionais e 13 internacionais, provenientes de quatro continentes distintos. Espanha (com grupos de teatro galegos, catalães, andaluzes e madrilenos), França, Itália, Alemanha, Inglaterra, Brasil, Cabo Verde e Nova Zelândia são os países representados.

O espetáculo de abertura será no exterior do Fórum Maia, pelas 21h30 do dia 30 deste mês, e fica a cargo da companhia francesa “Les Bleus de Travail”. O coletivo gaulês irá apresentar “Le Voyage de Noces”, no qual o casal de personagens Marcel e Raymond está todo “aperaltado” e pronto para partir de lua-de-mel no seu Fiat 500, com a companhia do cão Kiki. Ao longo de uma hora, vão enfrentar “uma viagem cheia de peripécias”, descreve a organização em comunicado.

“C’est la Vie”, assim se intitula a criação dos galegos “Matrioshka Teatro”, que pelas 22h45 do dia inaugural se apresentam no Grande Auditório. “Uma intensa reflexão e caleidoscópica no tempo e nos seus traços”, lê-se no comunicado acerca da peça, que “tem o poder para arrastar o espectador para um universo inesperado e fascinante”.

No dia seguinte, sábado (1 de outubro), também no exterior do Fórum Maia, o público poderá assistir, às 16h, ao espetáculo “Mira!Mira!Miró,Mirando!”, com encenação do próprio José Leitão e inspirado na obra do pintor catalão Joan Miró. A peça explora o “universo pictórico e mágico, repleto de cores, coisas, formas, seres e figuras mais ou menos abstratas, transformando-as em personagens vivas”, pode ler-se na sinopse.

Dia 2 de outubro, da Nova Zelândia chega o ‘one man show’ Tygve Wakenshaw, para apresentar “Kraken”, uma ‘performance’ que usa a mímica e a imaginação do público, pelas 21h30, na sala principal.

Um antigo pescador ainda sonha com os largos meses passados no mar, a capturar baleias, mas agora vê-se remetido a deambular pelas ruas enquanto sonha com outros tempos. Esta é história que serve de base a “Nao-Nau-Now”, uma criação do espanhol Javier García, em estreia nacional a 3 de outubro, pelas 21h, no exterior do Fórum Maia. Às 21h30, no Grande Auditório, sobe ao palco “Panamerican”, uma comédia com “sabor a ensopado tropical”, descreve a organização acerca de mais esta estreia em Portugal.

A 4 de outubro, também na sala principal, a companhia madrilena Yllana – presença já habitual no festival – regressa para apresentar “Chefs”, onde se lança um olhar divertido para o mundo da gastronomia. O mesmo grupo de teatro apresenta no dia seguinte o espetáculo “Yllana 25”, que serve para assinalar as bodas de prata de atividade do coletivo artístico.

No dia 6, quinta-feira, Rui Paixão, o “clown” português que irá integrar o Cirque du Soleil, traz até à Maia a sua criação “Pozzo”, que recria um ambiente pós-apocalíptico onde os porcos são a principal vítima das atrocidades humanas.

“Se através da cultura não contestamos, não sei para onde vamos”

Estes são apenas alguns dos exemplos daquilo que poderá ver no Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia. A programação pode ser consultada, na íntegra, aqui.

Na opinião de José Leitão, este é um festival para “rir das nossas misérias e grandezas”, porque “o riso é inteligência”. O diretor artístico reitera ainda o caráter “inconformista” do festival, que se assume como um “Maiexit(o)” e diz “não ao conformismo”.

“Se através da arte e da cultura não contestamos, não sei para onde vamos”, acrescenta o responsável artístico. O objetivo não passa pelo humor fácil, garante José Leitão, para quem “interessa o riso da cinta para cima e que vá até ao pensamento”.

O evento é totalmente financiado pela Câmara Municipal da Maia e nesta 21.ª edição a organização espera receber 10 mil pessoas.