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O esplendor de uma glória perdida

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Campiso Rocha/CARAS

As joias da coroa foram vendidas e fundidas, reconstituídas e roubadas. Quando se anuncia a conclusão do Palácio da Ajuda, em cuja ala renovada irá nascer um novo espaço museológico onde as joias ficarão em exposição permanente, o Expresso republica uma reportagem dada à estampa na Revista E, em fevereiro de 2015, depois de uma visita guiada e em exclusivo ao tesouro valioso

Alexandra Carita

Alexandra Carita

(textos)

Jornalista

Campiso Rocha

(fotografias)

Em Versalhes, Madame de Pompadour, a preferida de Luís XV, ficou maravilhada. À sua frente, o ourives Pierre André Jacquemin mostrava-lhe a sua última joia, uma Tabaquière em ouro cravejada de diamantes e esmeraldas, fruto de um trabalho artístico sublime. A amante do rei de França não foi a primeira nem a última pessoa a ver a caixa de tabaco tida até hoje como a mais espetacular executada na Europa, tal a sua riqueza, o talho raríssimo e a dimensão, mas nunca a viu ser usada. A peça pertencia à coroa portuguesa. Tinha sido encomendada pelo rei D. José ao ourives da realeza francesa, também marchant de joias e que, orgulhoso da sua obra, quis exibi-la antes de a enviar para Portugal.

Em Lisboa, onde chega em 1756, não demora a ser protagonista de momentos de convivência da família real. Passada de mão em mão, fornece o tabaco, elixir de descontração e amigo do pensamento político e ideológico, ao monarca e seus convidados no Paço Real. A caixa não deixou nunca de ser usada com frequência, passando de rei para rei e sofrendo alterações segundo o gosto próprio de cada um deles. Viu serem-lhe retirados diamantes e pedras, mudadas de sítio gemas. Mas resistiu artisticamente como uma peça única até voltar à sua traça original já no século XX, quando o joalheiro Alexandre Pinto da Silva, sob a orientação do ourives José Rosas Júnior, que entre 1945 e 1954 foi encarregue pelo Estado de restaurar as joias da coroa, lhe recoloca os 28 diamantes que espantaram o mundo.

No final do século XVIII, o país vivia um período farto. As grandes jazidas de ouro e de diamantes no Brasil forneciam a matéria-prima a uma corte que a transformava em símbolo de poder e dignidade e a convertia em opulência e ostentação. As joias eram então muito mais do que objetos decorativos. As encomendas sucediam-se, e o reino provava a sua hegemonia económica e territorial. Foi quase sempre assim. A partir da Idade Média, Portugal possuiu ao longo de séculos muitas peças de joalharia e de representação régia. Pensemos no que era o tesouro de joias da rainha Santa Isabel, por exemplo, recordemos o fausto da corte de D. Manuel I, da qual ainda e só restam 23 salvas de aparato, o maior conjunto de prata de cinzel do século XVI. E indaguemo-nos sobre o paradeiro da coroa real, célebre pela sua fiada de pérolas de ouro, que coroou D. João IV e D. Maria I, dos adereços com que rainhas e infantas se adornavam e até mesmo dos dois mil quilates de diamantes em bruto que em 1807 ainda constavam do registo do Tesouro Real e que se destinavam ao trabalho dos lapidadores do Atelier Real no Campo Pequeno.

O Diadema de Estrelas, uma das joias usadas por D. Maria Pia

O Diadema de Estrelas, uma das joias usadas por D. Maria Pia

Campiso Rocha/CARAS

A história encarrega-se de esclarecer o desaparecimento destes thesaurus, o vocábulo latino que significa ouro, prata e objetos preciosos. Revisitemo-la cronologicamente. Em 1578, a derrota na batalha de Alcácer Quibir leva à crise dinástica de 1580, à invasão espanhola e à perda de bens e independência.

Depois da Restauração de 1640 e nos 20 anos que se lhe seguiram, os conflitos fronteiriços não cessaram, e foram, mais uma vez, as joias a moeda para os custear e garantir a independência do reino. Foi, porém, um drama natural, o terramoto de 1755, que provocou maior abalo ao tesouro real. O Paço do Rei estava no epicentro da catástrofe e a sua destruição por completo é a causa maior do desaparecimento de um sem-número de peças.

A coroa perdia joias, bens e até a própria casa. Iria ser necessário repor tudo. Nasce o Palácio da Ajuda, cuja primeira construção é em madeira, pela simplicidade e rapidez do processo do erigir, mas nem por isso menos majestoso, quer na dimensão, mais de mil divisões, quer na riqueza da decoração. Dita o destino, no entanto, que um incêndio, em 1794, o destrua impiedosamente. Surgem novos projetos para o Palácio Real, entre os quais o atual Palácio da Ajuda, inacabado e datado de 1802. Estava na hora de voltar a repor tudo de novo. E é esse novo tesouro aquele que temos hoje, debilitado ainda pelas invasões francesas de 1807, que levam a família real a refugiar-se no Brasil, carregando consigo tudo o que pôde. Parte com ela também o mestre ourives e gravador de diamantes da coroa, António Gomes da Silva, que ali concebe, entre muitas outras peças, a nova coroa e cetro que servem a aclamação de D. João VI, em 1818, após a morte de D. Maria I.

Ela, a coroa, adivinha-se enorme na caixa de madeira sólida, ainda lacrada com as insígnias de então, que vemos ao centro da mesa. Estamos nos cofres do Estado, onde todo o tesouro real está guardado por um sistema de alta segurança. É a primeira peça que José Alberto Ribeiro, diretor do Palácio da Ajuda, e Teresa Maranhas, conservadora das joias da coroa - as únicas pessoas autorizadas a tocar nas peças -, manuseiam para que a vejamos em todo o seu esplendor. A caixa é feita à medida exata do diâmetro da coroa e não é muito fácil tirá-la lá de dentro. São dois quilos e meio de ouro, e só ouro, que trabalhado segue os modelos de coroa que se conhecem anteriormente. A estrutura circular da base está envolta em veludo entretelado de algodão, para lhe dar forma e corpo. É enorme. Não está feita para ser colocada na cabeça, mas sim para ser vista ao lado do monarca. A tradição e o respeito assim o mandam. Desde que D. João IV ofereceu simbolicamente a coroa real a Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, pedindo proteção para o reino aquando da restauração da independência, que os monarcas não usavam a coroa na cabeça. Ela é pintada várias vezes ao lado dos soberanos e cumprirá as suas funções até ao final da monarquia, em 1910, com D. Manuel II, o trigésimo quinto e último rei de Portugal.

A Tabaquière mais sumptuosa do mundo

A Tabaquière mais sumptuosa do mundo

Campiso Rocha/CARAS

OBRAS-PRIMAS DA JOALHARIA

Ao lado da peça mais simbólica da monarquia portuguesa alinham-se outras obras-primas da joalharia. Estão etiquetadas com as referências que lhes correspondem no inventário do Tesouro Real e fazem lembrar outras joias perdidas. Muitas deixadas em terras de Vera Cruz, outras dispersas pela prol de D. Pedro, que ao tornar-se imperador do Brasil reconhece todos os seus filhos. Por cá, a guerra civil faz vender muitas outras peças ainda, tais os custos que acarreta. E é de facto só a partir de 1834, com D. Maria II, que se instala um momento de maior estabilidade, estendendo-se até à implantação da República, e que permite à coroa consolidar uma espécie de coleção das suas joias.

Quase uma centena nos dias de hoje.

Não se tratava, porém, de um acervo inacessível.

As joias eram usadas com frequência pelo clã real. Em dias de gala, no início do ano, nos cumprimentos diplomáticos e visitas de chefes de Estado, as mais simbólicas, exuberantes e de representação. Já nas aparições públicas, nas idas à ópera ou ao teatro, na visita às igrejas da Baixa, na passagem por quermesses e nos passeios pela recém-aberta Avenida da Liberdade, no final do século XIX, nas festas para que são convidados e nas receções que davam, a rotatividade de joias usadas era enorme. Tal como a sua adaptação às tendências de cada época. Uma das mais imponentes peças de joalharia portuguesa, a Laça, grandioso laço de peitilho de corpete, que exibe 216 diamantes e 31 esmeraldas vindas da Colômbia e lapidadas ao gosto barroco da primeira metade do século XVIII, foi transformada, a pedido de D.

Maria Pia, num adereço composto por colar, brincos, alfinete de peito, pulseira e travessa. Só a sua armação em ouro e prata se manteve intacta, o que permitiu a sua recomposição. A joia tomba num movimento suave e natural ao ser desembrulhada à nossa frente, e é esse ondular que lhe confere toda a graça.

Pertença da infanta D. Mariana, irmã de D. Maria I, teve vida atribulada. A infanta chegou a ordenar a sua venda para custear a construção do Convento do Desagrado, e só por interferência do príncipe D. João foi resgatada e inserida no inventário das joias da Patriarcal.

Só mais tarde, depois do regresso da corte do Brasil, mais uma infanta, D. Isabel Maria, a integra definitivamente no tesouro real.

Placa da Insígnia das Três Ordens

Placa da Insígnia das Três Ordens

Campiso Rocha/CARAS

Também imponentes, o Colar e Diadema de Estrelas, um dos adereços de joalharia portuguesa mais conhecido e divulgado de sempre, quase se perdia.

A fazer lembrar as joias que a imperatriz Sissi usava na Áustria, é uma das primeiras encomendas da rainha D. Maria Pia de Saboia depois da sua chegada a Portugal na década de 60 do século XIX. A monarca terá dado instruções precisas ao ourives Estêvão de Sousa, que viria a ser um dos seus preferidos, sobre o modelo que desejava, e este, com toda a originalidade, cria um adereço que flutua ao prender, através de molas, estrelas feitas de diamantes a uma estrutura de ouro. Frágil, no entanto, o adereço original, composto por um alfinete de peitilho, um colar, um grande alfinete, dois alfinetes para ombro, 16 pequenos alfinetes, uma pulseira, uma travessa e um par de brincos, foi perdendo os diamantes, e só a mão e a experiência de Rosas Júnior, ao restaurar as joias da coroa em meados do século XX, fez com que sobrevivessem colar e diadema. O ourives aproveitou os diamantes que restavam e preservou as duas peças que achou serem as de maior valor artístico, eliminando as outras.

A insígnia da Ordem do Tesouro de Ouro

A insígnia da Ordem do Tesouro de Ouro

Campiso Rocha/CARAS

PROPAGANDA REAL

O trabalho de José Rosas Júnior é artisticamente indiscutível, mas não se fica por aí. O restauro das joias da coroa por ele realizado vale a manutenção de um património artístico e cultural tão crucial como a preservação da Torre de Belém ou do Mosteiro dos Jerónimos. É só assim que o tesouro real pode ser olhado nos dias de hoje. Património material mas simbólico ao mesmo tempo. Revelador da história e contador de histórias. Leiam-se os relatos da época e perceba-se a relação do poder político com os cidadãos. A forma como a realeza é deificada, o modo como é motivo de curiosidade para o povo e a maneira como se apresenta com determinado aparato faziam a propaganda do grande monarca.

Nada que não acontecesse também nas cortes europeias, todas elas detentoras de um tesouro real que obedecia aos mesmos critérios e que hoje se expõe ao público como um documento histórico mais ou menos detalhado, de acordo com a capacidade de preservação das peças.

Foi exatamente com esse intuito que o Estado encarrega Rosas Júnior de restaurar as joias da coroa.

O objetivo era mostrá-las ao público, exibir o seu valor intrínseco e material e recuperar a história.

A exposição acontece em 1954. É a primeira vez que o nosso thesaurus é visto no seu conjunto. Sob o título "Joias e Pratas da Coroa", a mostra faz-se no piso térreo do Palácio Nacional da Ajuda e atrai a população. O brilho das pedras e do ouro põe imaginações a funcionar e redescobre mundos e glórias passadas. Tornam-se mais reais descrições como a do traje que a rainha usava no baile dado no Paço da Ajuda aquando da visita do príncipe de Gales a Lisboa, publicada no "Diário de Notícias" de 5 de maio de 1876: "As cores da sua toilette eram as nacionais, o azul e branco, a vasta cauda do vestido era semeada em toda a orla de estrelas de brilhantes. Estrelas de brilhantes lhe estavam fixadas no apanhado interior do vestido. O penteado era constelado de estrelas de brilhantes, destacando-se sobre a fronte um magnífico diadema." Este universo real só seria visto de novo em Portugal em 1991. Novamente no Palácio da Ajuda, mas agora sob o título "Tesouros Reais", a mostra, patente entre julho e agosto, foi visitada por 27.867 pessoas, tendo sido reposta, tal o seu êxito, em 1992, depois de algumas das joias terem viajado até Bruxelas para serem expostas no âmbito da Europália - Portugal 91. Algumas delas voltaram a sair do país em 2002 para integrarem, em Haia, na Holanda, a exposição "Diamante: Da Pedra Bruta à Joia", que reunia as mais valiosas peças das coroas portuguesa, holandesa, francesa e inglesa, mas não voltaram.

Foram roubadas na madrugada de 2 de dezembro.

Todas as outras, fechadas a sete chaves desde então, vemo-las agora nós no seu cofre, com a promessa de virem a constituir um núcleo expositivo permanente, na Ajuda, no início do próximo ano.

Grande Laça, pertença da infanta D. Mariana, irmã de D. Maria, com 216 diamantes e 31 esmeraldas vindas da Colômbia

Grande Laça, pertença da infanta D. Mariana, irmã de D. Maria, com 216 diamantes e 31 esmeraldas vindas da Colômbia

Campiso Rocha/CARAS

Quatrocentos brilhantes, 102 rubis e uma grande safira de Ceilão pendem da mão da conservadora.

A joia é assombrosa. Chama-se Insígnia da Ordem do Tosão de Ouro e está presa a uma supersticiosa lenda. O tosão, pele dourada de um carneiro vindo do céu, estava imbuída de poder mágico e suspensa de uma árvore na Cólquida, tendo sido objeto da expedição dos Argonautas, chefiados por Jasão, que, ajudado por Medeia, a conseguiu conquistar.

O ato de Jasão e da estirpe que o acompanhou, da qual faziam parte os grandes heróis como Ulisses e Hércules, foi o facto que inspirou a criação da ordem em 1430, por ocasião do casamento de Filipe "o Bom", duque de Borgonha, com a infanta D.

Isabel de Portugal, filha de D. João I. Ela representa a última tentativa de criar uma elite de cavaleiros associada às enormes ambições europeias da casa de Borgonha e terá sido conferida ao então príncipe D. João, futuro D. João VI, a 3 de maio de 1785, em Vila Viçosa. De mão em mão entre a realeza e seus descendentes, a condecoração só foi adquirida pelo Estado português em 1943. Estava na posse dos herdeiros de D. Miguel e custou à data um milhão e trezentos mil escudos.

SIMBOLOGIAS

Não menos valiosa, a Insígnia das Três Ordens Militares - Cristo, Santiago e Avis - foi realizada, por ocasião da reforma das ordens, pelo ourives de origem polaca Ambrósio Gottlieb Pollet, também responsável pela execução do Tosão de Ouro, que por ela recebeu da rainha D. Maria I o valor de oitenta e um mil e oitocentos réis, referenciados em recibo próprio. Joia de representação, a insígnia surge sob o Sagrado Coração de Jesus, do qual a rainha era particular devota, e foi feita em 1789, o ano da sagração da Basílica da Estrela, cuja invocação é precisamente o Sagrado Coração. Constituía a mais alta distinção honorífica quer para os soberanos portugueses quer para os chefes de Estado estrangeiros, únicas pessoas, além do grão-mestre da ordem, que dela podiam ser titulares. A peça, também ela carregada de simbologia, é ricamente decorada. A sua exuberância, pelo número de pedras preciosas, redobra o prestígio do homenageado e denota uma opulência que a monarquia fazia questão de mostrar ao exterior como sinónimo de poder e dentro da teatralidade social das coroas europeias, onde igualmente assume o papel de joia espetáculo.

A afirmação económica de cada reino não dispensava esse palco, onde a magnificência das peças de joalharia correspondia diretamente ao império que se detinha e à capacidade que este lhe oferecia na obtenção de matéria-prima. Os diamantes marcam sobremaneira as joias portuguesas, os seus quilates pesam na definição do reino e vincam a conquista de territórios vastos e ricos. Mas sem matéria-prima toda a hegemonia definha. Sem as jazidas brasileiras, a produção de joias cai a pique no século XIX, altura em que em Inglaterra vemos a rainha Vitória mandar fazer pequenas coroas com diamantes vindos da África do Sul. A lógica é exatamente a mesma.

De resto, não há melhor forma de conhecer os interesses político-económicos das coroas europeias do que apreciar e analisar os seus tesouros, sobretudo aqueles que eram revelados em cerimónias de gala, perante embaixadores, altos dignitários e outros monarcas. A utilização da Baixela Germain, por exemplo, constituída por mais de mil peças - e cujo centro de mesa foi recentemente adquirido pelo Estado e integrado na coleção dos Tesouros Reais -, é capaz de documentar as relações da casa real com as diversas cortes europeias, serve de testemunho à presença portuguesa na Índia e no Brasil, põe a descoberto as vicissitudes económicas, culturais e religiosas que daí resultaram e ilustra ainda os gostos que predominaram épocas fora. A baixela, guardada no Museu Nacional de Arte Antiga, brilha em quase todo o seu esplendor. Faltam-lhe os talheres, ainda hoje utilizados para as grandes receções de Estado no Palácio de Queluz.

Certo é que as várias contingências da História nos permitiram guardar e preservar tudo isto. Muitos tesouros reais quase desapareceram por completo, como é o caso do francês, destruído quase por inteiro pela Revolução de 1789-1799, outros ficaram-se pela metade, outros ainda consolidaram-se nas coleções possíveis, como é o caso do tesouro austríaco ou do tesouro da Baviera. Atrás de nenhum deles fica o português, que poderia ir ainda mais além. Se tivermos em conta que só no espaço de 78 anos, de 1740 a 1818, o monopólio régio sobre os diamantes do Brasil fez chegar a Portugal 3.054.770 quilates daquela pedra preciosa, como conta José Rosas Júnior, teremos uma pequena ideia, e nem lhe acrescentaremos o ouro.

Mesmo assim, não é por acaso que, no catálogo da já citada primeira exposição das joias da coroa, o historiador de arte Reynaldo dos Santos escreva no prefácio que "a Casa Forte do Palácio da Ajuda encerra uma das coleções mais notáveis não só de Portugal mas da Europa, tal é o valor das pratas cinzeladas e douradas e o excecional esplendor das suas joias, num dos conjuntos mais preciosos do Património Nacional. (...) Se se lhes juntassem outros espécimes também portugueses, dispersos nos nossos museus e coleções particulares, e até nos museus da Europa e América, poderíamos reunir um sumptuoso conjunto de peças raras de ourivesaria profana, góticas ou manuelinas como talvez nenhum país no mundo".

Olhamos para as joias, já todas ordenadas sobre a mesa, e tentamos imaginar o seu valor. Como dizia Oscar Wilde e que não pode vir mais a propósito: "O cínico sabe o preço de tudo, mas não conhece o valor de nada." É que a História não se vende nem se compra. É preferível olhar assim as peças que José Alberto Ribeiro e Teresa Maranhos já repõem nas suas caixas de origem e vê-las depois desaparecer no fundo do cofre.

Artigo publicado na Revista E em 7 de fevereiro de 2015