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Receitas e outras histórias de Priscos

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Do abade que ficou célebre por uma receita de pudim pouco se sabia. Fortunato da Câmara e Mário Vilhena da Cunha seguiram-lhe o rasto

O Abade de Priscos

O Abade de Priscos

d.r.

Quinze gemas de ovos, 500 gramas de açúcar, 50 gramas de toucinho de Melgaço, caramelo líquido, canela em pau, uma casca de limão, um cálice de vinho do Porto e meio litro de água. Estes são os ingredientes de uma das mais extraordinárias receitas da doçaria portuguesa, inventada por um pároco de uma aldeia minhota perto de Braga, que ficou com o nome eternizado graças ao seu pudim.

Sobre a célebre receita inventada no século XIX sabemos tudo o que há para saber, como por exemplo que o toucinho deve ser de Melgaço ou Chaves, ou quer deve ser confecionado num tacho de latão ou cobre. Já sobre o próprio abade de Priscos, só muito recentemente se começou a levantar o véu em torno do seu misterioso autor, o pároco Manuel Joaquim Machado Rebelo que afinal parece ter inventado mais de 40 receitas escritas num livro que tencionava publicar, que subitamente desapareceu sem deixar rasto.

Seguindo a pista destas receitas, o gastrónomo Fortunato da Câmara e Mário Vilhena da Cunha, sobrinho-bisneto do abade, viajaram à procura de ingredientes que os conduzissem até ao célebre e misterioso Manuel Machado Rebelo, que exerceu o seu mister até aos anos 30 do século XX e depois de se reformar e sair de Priscos foi habitar na freguesia de Cunha. Durante décadas, os seus manuscritos permaneceram guardados no sotão de uma casa em Braga, até serem descobertas por familiares do abade que começaram a organizar o arquivo, que agora será revelado.

É a partir das receitas encontradas e deste espólio inédito, inclui fotografias e manuscritos, que José Fortunato e Mario Vilhea da Cunha contam as histórias que compõe o livro "A Vida e as Receitas Inéditas do Abade de Priscos" e será publicado durante o mês de outubro, numa edição da Temas e Debates.