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Harvey Keitel: “A minha carreira construiu-se por mero acaso”

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Ele encarnou papéis diabólicos, é um ator insaciável que gosta de se pôr em perigo e acompanhou desde o ovo quase toda a gente que se impôs no cinema independente americano. Lenda viva, falou-nos do melhor de cinquenta longos anos de trabalho

Encontrámos Harvey Keitel na manhã seguinte à homenagem que Locarno lhe dedicou no mês passado, e onde recebeu, das mãos do seu eterno amigo Abel Ferrara, um Leopardo de Ouro à carreira perante dez mil pessoas, na Piazza Grande. O homem que hoje codirige o Actors Studio e que em tempos precisou de sete audições para lá conseguir entrar falou-nos de ideais e de caprichos, da infância aos primeiros filmes de Martin Scorsese, que com ele nasceu para o cinema ao mesmo tempo, do seu extraordinário papel em “Bad Lieutenant”, nos anos 90, e do primeiro encontro com Tarantino (em que este lhe devorou o conteúdo do frigorífico). Acima de tudo, falou-nos de um espírito independente e livre que o grande ator de Brooklyn, de 77 anos, faz questão de manter vivo. Keitel não costuma conceder muitas entrevistas e a oportunidade única de uma conversa em torno da sua vida e do seu trabalho não se tinha ainda concretizado. A ‘falta’ fica agora reparada.

Chegou ao cinema com o seu eterno ar desconfiado após breves aparições na TV e já relativamente tarde, quase com 30 anos, em “Who’s That Knocking at My Door”, que foi também o primeiro filme de Martin Scorsese. Foi um acidente de percurso?
Para voltar um pouco atrás, é verdade que, durante muito tempo, não soube o que queria fazer da vida. Os filmes, mais tarde, ajudaram-me. Queria ser independente, isso sim, porque a adolescência foi difícil. Andava à procura da minha identidade, como toda a gente, mas metia-me com frequência em aventuras complicadas para descobrir quem era. Em Brooklyn, tinha sido expulso do liceu, como quase todos os meus amigos daquela época. Andávamos um bocado à nora pelas ruas da cidade. Mas esse período não durou muito porque depois alistei-me na Marinha. Foi um escape. Tinha 17 anos.

Pensou em seguir carreira militar?
Durante três anos aprendi a dar valor ao sacrifício e ao compromisso, servi no Líbano, mas depois regressei e arranjei um trabalho de escrivão no tribunal. Lidava muito com casos de tráfico e consumo de drogas, vi pessoas condenadas que eu conhecia da rua. Era um trabalho muito solitário, não falava com ninguém. Sabia que não queria fazer aquilo para o resto da vida e pensei que deveria abandonar tudo e voltar para a Marinha. Até que um dia um colega meu desafia-me: “Se estiveres livre esta noite, podias vir comigo a este curso de teatro. Queres experimentar?” Ali encontrei uma motivação e uma disciplina que já não tinha desde a minha experiência militar. E continuei a ir, comecei a estudar, a fazer pequenas coisas na Off-Broadway; uma vez, num dos meus primeiros papéis, até fiz de cão! Até que ganhei um papel em “Up to Thursday”, de Sam Shepard. Mas o cinema ainda estava longe do horizonte.

Só pensava em teatro?
Naquela altura sim. E Nova Iorque era a capital do teatro, o cinema estava do outro lado da América, era outra coisa, estava distante. Eu passei um mau bocado para chegar ao Actors Studio [de que Harvey é hoje copresidente com Al Pacino e Ellen Burstyn]. Todos os atores que eu admirava tinham estudado com Kazan, Frank Corsaro, Stella Adler, Lee Strasberg e foi o diabo para lá entrar, tive sete audições recusadas. O Actors Studio era um polo central da cultura americana e eu era um idealista, queria aprender com os melhores. O método ajudou-me a libertar-me dos artifícios, ensinou-me a comprometer-me, a trazer verdade para as interpretações.

Como é que conheceu Scorsese?
Fui à audição de “Who’s That Knocking at My Door”, que foi o primeiro filme da Universidade de Nova Iorque a ser rodado em 35mm. A preto e branco. Respondi a um anúncio da “Backstage”, uma revista que listava os castings que estavam em curso. Ainda trabalhava no tribunal nessa altura. O Marty estava a terminar a universidade e preparava o seu primeiro filme. Era muito simpático, divertido, tinha três anos a menos que eu. Tínhamos muitos pontos em comum, mesmo a nível familiar, éramos filhos de imigrantes, crescêramos em Nova Iorque, ele numa família muito católica, eu numa família judia. Demo-nos logo muito bem, ficámos rapidamente amigos. Lembro-me de que, para o filme, ele marcou-me uma terceira e última audição à noite no estúdio da escola. Esta história é muito engraçada. Quando lá cheguei, o Marty não estava. Disseram-me para passar a outra sala, e quando entro vejo um tipo sentado atrás de uma secretária, eu mal lhe via a cara, a luz estava baixa, aquilo era sinistro, parecia uma esquadra da polícia. E o tipo diz-me: “Senta-te.” Achei-o rude e perguntei-lhe quem ele era. Ele insistiu: “Senta o rabo na cadeira!” “Desculpa, mas quem és tu?” “Senta-te e já, cabrão!” Eu digo-lhe, “vai-te foder!” O tipo levanta-se ameaçador na minha direção, eu parto para cima dele e nisto ouço uma voz que vinha do escuro, lá do fundo: “Harvey, já chega! Podes parar!” Era o Scorsese. “Harvey, isto é uma improvisação!” Chamei-o depois e zanguei-me: “Marty, na próxima vez que quiseres uma improvisação, é melhor avisares o ator!...” E fiquei com o papel.

O que é que achou do filme?
Achei desde logo que ia trazer coisas novas ao cinema e que o Marty tinha uma espiritualidade e um talento especiais. A forma como ele usa a música nesse filme, por exemplo, era muito original na época. Ainda hoje nos dizemos que continuamos a refazer esse filme uma e outra vez, a tentarmos saber quem nos está a bater à porta! O filme também foi feito assim, de uma maneira especial. Nós rodámos no apartamento do Marty em Little Italy, a mãe dele estava connosco, o pai chateava-se quando vinha do trabalho e nos encontrava ali com os projetores e aquele material todo no quarto, nem sempre conseguíamos acabar as cenas a tempo. E eu ainda estava a trabalhar no tribunal, filmávamos sobretudo ao fim de semana, era quando dava. Foi assim que ele entrou no cinema. E eu também. A minha carreira construiu-se por mero acaso.

O facto de ter nascido numa família judia de imigrantes do Leste da Europa influenciou o seu percurso?
Os pais influenciam sempre os filhos, como não? Tenho medo de tornar-me sentimental ao falar disto. Acontece que em miúdo eu vivia em Brighton Beach, a minha escola era em Coney Island e neste trajeto eu encontrava uma enorme variedade de culturas entrelaçadas, dançando e cantando juntas — judeus, negros, italianos, depois chegaram os hispânicos. Nem tudo era pacífico, tínhamos as nossas guerras de rua. Mas esta foi a melhor educação possível. A que a rua me deu. Vivia num bairro judeu, em casa de família tradicional, mas Brooklyn era um melting pot extraordinário, o recreio era tão diverso que não lhe resisti, foi ele que me moldou. É curioso falar disto agora que a imigração se tornou um flagelo. Hoje vivemos num mundo sem tolerância e com líderes ignorantes sem profundidade e sem alma que tiram vantagem de milhões que fogem da guerra, pessoas que não têm nada. É o contrário da experiência que eu tive. Gostava que alguém me convidasse a visitar uma mesquita. Rezaria com eles.

O seu percurso no cinema está ligado a muitos ‘batismos’, a muitas ‘primeiras vezes’. Scorsese antes de todos, mas depois entra também na primeira obra do argumentista dele, Paul Schrader (“Blue Collar”, 1978), antes disso na estreia de Ridley Scott (“The Duellists”, 1977), também em “Fingers” (1978), primeiro filme de James Toback, e já para não falar no arranque de Tarantino, “Reservoir Dogs” (1992). Que atração é esta, porque é que a provoca?
E antes disso há o “Mean Streets”, de Scorsese, e a aparição extraordinária de Robert De Niro, um grande amigo. Acho que tive sorte. Não sei responder a essa pergunta, não há nenhuma razão concreta, não sei que segurança, que apoio, encontraram esses realizadores em mim. O caso do Ridley Scott é engraçado: ele tinha feito umas publicidades e eu pu-lo logo na lista negra. O Ridley ainda não era ninguém, isto passa-se em 1970. Mas alguém lá me convence a ver as publicidades que ele fizera, coisa que para mim era um tabu absoluto. Acontece que, cada publicidade dele era um filmezinho brilhante. Aprendi uma lição: não ser tão casmurro. E assinámos contrato para “The Duellists”.

Há talvez um coro nesses papéis: interpreta frequentemente fulanos destemidos, tough guys...
Ah, OK! Então vamos falar disso, tough guys. Eu estou cheio de energia esta manhã. O que quer isso dizer? O cinema dá-nos essa impressão, aceito, mas ela pode ser errada. Sabe porquê? É que é preciso definir a palavra tough antes de tudo. Eu conheci muitos tipos duros na minha vida, um pouco por todo o lado. E mulheres também. Muita gente. Curioso, alguns deles foram também das criaturas mais gentis que alguma vez encontrei. Um tipo duro é alguém que nos esmurra? Ou alguém que aguenta ser esmurrado? Quem é o mais duro? Era por isso que me estava a rir da pergunta. Na Marinha, os militares mais durões eram os mais sensíveis. No bairro em que cresci, em Brooklyn, havia durões porta sim porta não. Com eles aprendi a distinguir que as pessoas são uma coisa e os filmes outra. E que estes não existem sem aquelas, em toda a sua complexidade.

Confissão. Harvey Keitel admite que já aceitou um filme só porque precisava de dinheiro. “Bom, pago as contas, a roupa, a renda, 
a escola do meu filho”, justifica

Confissão. Harvey Keitel admite que já aceitou um filme só porque precisava de dinheiro. “Bom, pago as contas, a roupa, a renda, 
a escola do meu filho”, justifica

Alberto E. Rodriguez/Getty Images

Disse que o cinema estava do outro lado da América. Nessa altura, nos anos 70, não foi tentado por Hollywood?
É preciso termos consciência de que o cinema também é feito de deceções e também eu tive as minhas, fases negativas em que perdi confiança. Durante esse tempo eu continuava esporadicamente a fazer televisão, mais ou menos contrariado, pois achava que um ator sério ou faz teatro ou cinema. Era um parvo preconceito meu. Veja-se a qualidade que a TV tem hoje... Tinha um agente que me queria levar para Los Angeles e que julgava poder arranjar-me trabalho em séries. Cinema comercial não queria nem vê-lo. Mas fui para Hollywood. A história correu mal, eu era caprichoso, dizia-me que não tinha passado tanto tempo a estudar arte dramática para acabar ali. Foi logo a seguir a “Mean Streets” e eu não tinha um tostão na carteira. Em Los Angeles, dormi umas semanas no sofá do Scorsese. Ele apresentou-me ao John Cassavetes e ao Peter Falk. Devorávamos tartes em Sunset Boulevard e acabávamos todas as noites enfiados no sofá em que eu dormia a beber cervejas e a ver televisão. Não tinha amigos, sentia-me um zé-ninguém.

Mas depois de “Alice Doesn’t Live Here Anymore”, Scorsese começa a preparar “Taxi Driver”...
E voltamos para Nova Iorque. Instalo-me em Hell’s Kitchen, perto do Actors Studio. O Marty queria que eu interpretasse o diretor de campanha do político que está a tentar ser eleito.

Mas ficou com o papel do chulo da personagem de Jodie Foster, que por sinal também se estreia aqui. Porquê?
É que todas as noites ao voltar para casa eu passava pelas prostitutas e os chulos de Hell’s Kitchen. Acabei por conhecê-los e pedi a um deles que me ajudasse a interpretar um proxeneta. Fizemos ensaios todas as noites durante umas três semanas, no Actors Studio, em clandestinidade total, eu fazia de prostituta, ele de chulo e vice-versa. Foi aí que improvisámos a cena de dança que depois se rodou com a Jodie Foster. Nesta altura, já o Robert [De Niro] andava a guiar um táxi sabe-se lá por onde em Manhattan, preparando-se para o papel. Falei com o Marty, disse-lhe que tínhamos de reescrever o papel do chulo, dar mais densidade a essa personagem, que só tinha meia dúzia de linhas no guião original. E como ele gostava muito do método do Actors Studio, cedeu, deixou-nos trabalhar à vontade. Criámos aquele tipo assim.

Dou agora um salto para “Bad Lieutenant”, de Abel Ferrara. É talvez o seu mais icónico papel. Pergunto-lhe se tem saudades desse tempo e se um filme desses ainda poderia ser feito hoje...
“Mean Streets”, “Taxi Driver”, também “Bad Lieutenant”... Sabe: esses filmes são a minha alma, são o que eu sou como ator, tocam-me fundo. Francamente, está a falar do meu próprio coração. Abel Ferrara é um talento especial e um ser humano muito importante na minha vida, tal como Scorsese. Eles são irmãos e almas gémeas. Partilhámos os mesmos desejos, medos, trepidações.

Aquele polícia imoral, corrupto e toxicodependente é um dos seus melhores, senão mesmo o seu melhor papel.
“Bad Lieutenant”, apesar de tudo, é um filme muito diferente dos outros, foi feito quase sem dinheiro, uma rodagem muito curta, apenas 18 dias. É um filme de Abel Ferrara, em resumo. Começávamos as cenas sem saber como elas iam acabar. Improvisávamos os diálogos dia a dia, tudo à pressa, sem tempo, sem dinheiro, quase sem guião. E ainda me comovo, porque, onde quer que vá, há sempre alguém que me fala do “Bad Lieutenant”. É a prova de que o filme ficou no coração e na mente dos que o viram. E eu que sempre pensei que quase ninguém o tinha visto... Poderia ser feito hoje? Bom, acho que há menos vontade agora para um filme daqueles. E contudo foi feito um remake [“The Bad Lieutenant: Port of Call — New Orleans”] que eu não vi, nem quis ver... Mais não digo... Acho que as pessoas deviam estar mais preocupadas em filmar as suas histórias do que a refazer o que já foi feito. Não há problemas suficientes no mundo de hoje? Para quê copiar? Eu digo-lhes: “fuck.”

Como é que o Ferrara o convenceu a entrar no filme? Nesta altura, em 1991/1992, já era um nome firmado, filmara na América e na Europa com excelentes cineastas, tinha 53 anos.
Essa é mais uma daquelas histórias... Recebo do meu advogado, que por sinal era também o advogado do Abel, um guião finíssimo, escrito em letras garrafais, ainda por cima. “Um cliente meu gostava que entrasses no próximo filme dele.” Eu andava à procura de um papel forte para lançar a carreira e já recusara uns quantos, só me aparecia porcaria à frente. Estava instalado no Chateau Marmont, em Los Angeles, e quando abro o envelope não queria acreditar: aquilo tinha umas 15 páginas, pareceu-me ridículo, mal o li e foi logo para o lixo. Estive às voltas e disse-me que se calhar devia acabá-lo, já que era tão curto. E depois chego à personagem da freira, que depois soube ter sido escrita pela Zoë Lund. Ela havia sido atriz de Ferrara e era coargumentista de “Bad Lieutenant”. Era viciada em heroína e morreu de overdose muito jovem, no fim dos anos 90. Não me tinha apercebido da influência dela no texto. Aquela parte estava tão bem escrita que eu disse a mim próprio que ia bater-me pelo filme. Pior foi conseguir arranjar dinheiro para começar tudo, ninguém queria arriscar um dólar num filme assim. Mas o Ferrara é um maverick, um sobrevivente. Espero poder um dia destes voltar a trabalhar com ele.

Alguma vez aceitou um filme só porque precisava do dinheiro? E como lida com ele?
Bom, pago as contas, a roupa, a renda, a escola do meu filho. Tenho uma filha de 30 anos e um pequeno, de 12. A resposta à sua pergunta é sim! O desapontamento faz parte da vida, lamento se lhe estraguei o dia. Fazemos o melhor que podemos.

Há algum filme que tenha feito e que não teve o reconhecimento que acha justo?
Há um em especial que os distribuidores julgaram inviável nas bilheteiras e de que eu gosto muito, chama-se “The Grey Zone”, de Tim Blake Nelson. Ele é ator, escreveu a peça e depois dirigiu este filme incrível.

Em que você interpreta um oficial nazi em Auschwitz...
E foi um papel muito difícil, sendo eu filho de judeus. Mas fui eu que pedi ao realizador para interpretar o SS. Para tentar perceber o que para mim é incompreensível, o ponto mais baixo a que a humanidade foi capaz de chegar: o Holocausto. Lembro-me bem em miúdo de ver muita gente nos cafés e padarias de Brooklyn com os números tatuados nos braços. Enfim, alguém do alto de um arranha-céus deve ter achado que o filme não merecia ser visto. Mas merece.

Qual foi a sua primeira impressão do Quentin Tarantino?
Ah, ah! Oh, boy! Haveria muito a contar. Ouvi o nome dele pela primeira vez cinco anos antes de “Reservoir Dogs”. Dois produtores trabalhavam já sobre “Natural Born Killers” [filme de Oliver Stone baseado numa história de Tarantino] e insistiram para que eu entrasse no elenco, coisa que não aconteceu. Mas eu disse-lhes que gostara da história. Cinco anos volvidos, uma amiga do Actors Studio passa-me o guião de “Reservoir Dogs”, assinado Quentin Tarantino. Quis encontrá-lo. Um dia ele bate-me à porta, pronunciando mal o meu nome: “Mr. ‘Kitel’?” “Keitel! Pode entrar...” Ele ainda hoje me chama ‘Kitel’... Era só um rapaz cheio de energia, muito divertido. Ninguém o conhecia. Estava cheio de fome, não tinha um chavo. Pus-lhe o frigorífico à disposição, ele devorou o conteúdo. E começámos a conversar sobre o guião. Perguntei-lhe de onde vinha. Julguei que era de um bairro de má fama cheio de tough guys, lá está. “Conheces estes beras, são teus amigos?” “Não”, disse ele. “Passaste por isto, assaltos, raptos, resgates?” “Não.” “Então como é que escreveste isto?” “É que eu vi muitos filmes, trabalhei num clube de vídeo!” Os estúdios torceram-lhe o nariz, já se esperava. Corria o rumor que o Monte Hellman, que se oferecera para produzir o filme, o iria realizar. Mas o Monte, e depois eu próprio, queríamos que fosse o Quentin a fazê-lo e também eu me tornei coprodutor, ajudando-o depois em Nova Iorque a contratar o Steve Buscemi. Ficámos muito amigos. Ele é um extraordinário talento.

Por fim, o que acha de Hollywood?
Acho que os cineastas não devem esperar por ela. Façam as vossas coisas, os vossos “Mean Streets” e “Bad Lieutenants”, os vossos “Reservoir Dogs”, contem as vossas histórias e não façam concessões porque Hollywood descobrir-vos-á. Vocês “são” a Hollywood do futuro e só vocês a podem mudar. Não se queixem dela, não a destruam: juntem-se a ela e façam-na à vossa maneira. É o que eu costumo dizer bem alto e é nisto que eu acredito.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 3 de setembro de 2016