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Uma viagem de inverno para acabar o verão na Casa da Música

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A violinista russa Alina Ibragimova estará em destaque ni ciclo do Barroco

D.R.

A Casa vai criar um coro infantil e sexta-feira oferece o concerto de Sérgio Godinho com a Orquestra Jazz Matosinhos na Avenida dos Aliados

É um passo mais na concretização de um programa consistente e foi anunciado hoje durante a apresentação da programação até final do ano: A Casa da Música vai constituir um coro infantil. É um projeto coordenado pelo Serviço Educativo e os primeiros resultados deverão começar a aparecer nos finais do próximo ano. O objetivo é constituir um agrupamento de grande qualidade, para o que está já a ser desenvolvido um intenso trabalho junto das escolas.

Quanto á programação, os Concertos da Avenida começam a ser um clássico do final do verão no Porto. Sexta-feira à noite Sérgio Godinho preenche o palco, na companhia da Orquestra Jazz Matosinhos, numa repetição do espetáculo dado com grande sucesso em junho na Sala Suggia.

No dia seguinte, sábado, também a partir das 22 horas, no mesmo local e de novo com acesso livre, outro grande momento musical com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, dirigida por Baldur Brönnimann a apresentar peças do reportório clássico com um lugar muito particular no imaginário popular. Para lá da grande abertura “1812”, de Tchaikovsky, o programa inclui a abertura “Cavalaria Ligeira”, de Franz von Suppé, a “Dança Eslava nº8”, de Antonin Dvorak, as “Danças Polovtsianas”, de Alexander Borodin, ou ainda “Pompa e Circunstância nº1”, de Edward Elgar.

É uma forma de abrir a programação do último trimestre de um ano dedicado à Rússia e à qual convém prestar muita atenção. Até para não se perderem momentos raros como, por exemplo, a proposta da próxima terça-feira, dia 13. A partir das 19h30 está marcado aquele que poderá transformar-se num dos grandes eventos da CdM. Tudo graças à produção cénica do que é tido como um dos mais importantes ciclos de canto da história da música. Trata-se de “A Viagem de Inverno”, de Schubert, na versão do compositor e maestro Hanz Zender. Não é uma ópera. É um ciclo de canções que por vezes, raramente, são apresentadas numa versão cénica, como vai acontecer neste caso, com assinatura de Nuno Carinhas. O tenor Christoph Prégardien será acompanhado pelo Remix Ensemble, dirigido por Peter Rundel.

Transgressões musicais

O espetáculo de terça-feira inaugura o ciclo “Transgressões”, durante o qual serão apresentadas novas versões de obras-primas da história da música. Como diz António Jorge Pacheco, diretor artístico da CdM, será uma uma forma de “questionar o que é transgredir a música, ou mesmo perguntar se há transgressão na música”. A proósito da versão de Hanz Zender da “Viagem de Inverno”, de Schubert, pode questionar-se se está, ou não, a ser subvertida a peça original.

No âmbito deste ciclo, sexta-feira, 16, a Orquestra da CdM, dirigida por Olari Elts interpreta uma das mais monumentais sinfonias alguma vez produzidas: a nº9, de Mahler, na qual cada um dos andamentos é composto numa diferente tonalidade. No dia 25, ás 18 horas, outro desafio, com a pianista Elisso Virsaladze, apresentado como “uma lenda viva da escola russa”, a interpretar transcrições para piano, feitas por Franz Liszt, de obras assinadas por Bach, Saint Saens, Robert Schumann, Chopin e Liszt.

Outubro terá o dia mundial da Música com a sempre inovadora e cativante programação do Serviço Educativo, mas incluirá ainda a quarta edição do "Outono em Jazz”, a partir do dia 13. Serão dez artistas em concertos duplos, nos quais participarão, entre outros, Chuco Valdes, Joe Lovano Quintet ou Maria João e Dino Saluzzi.

O concerto mais difícil do mundo

Há algum concerto para piano considerado o mais difícil de todos quantos alguma vez foram compostos? Há. Pelo menos assim o entendem os especialistas. É o concerto para piano e orquestra nº 3, de Sergei Rachmaninoff, e será interpretado a 7 de outubro por Rafael Kyrychenko, um pianista português de origem ucraniana. Rafael estuda atualmente em Bruxelas com Maria João Pires e Daniel Blumenthal. O programa do dia inclui a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak.

Para Novembro há um destaque absoluto. Regressa o já imperdível ciclo “À volta do barroco”. Nesta 12ª edição trará ao Porto a premiada e mundialmente aclamada violinista russa Alina Ibragimova, artista em associação do festival, que atuará a solo e na companhia da Orquestra Sinfónica e da Orquestra Barroca. Com a Rússia como país tema, não podiam faltar obras de compositores como Bortnianski, Sarti ou Galuppi, ou de outros mais tardios, mas nos quais é recolhida a experiência do passado, como Chostakovich ou Schnittke. A música vocal surge na voz da soprano Francesca Aspromonte, acompanhada pela orquestra portuguesa Divino Suspiro. Na oratória, destaque para “Criação”, uma das grandes obras de Haydn, num concerto que reúne o Coro e a Orquestra Sinfónica e um elenco internacional de solistas.

Ibragimova estreia-se na CdM com o Concerto para violino e orquestra de Chostakovich, num programa marcado para 11 de novembro que inclui o concerto para orquestra de Bela Bartók.

No âmbito do ciclo piano, de sublinhar o recital, a 22 de novembro, das muito requisitadas internacionalmente irmãs gémeas Christina e Michelle Naughton. Apresentam obras de Mendelssohn, Ravel, Mozart, Schoenberg, Henrique Granados e a suíte de “O Quebra Nozes”, de Tchaikovsky.

O dia 9 de dezembro marcará o fecho da integral das sinfonias de Prokofieff e dos concertos para piano de Rachmaninoff, com Saul Costa a interpretar o concerto para piano e orquestra nº 4.

Uma semana depois acontece um regresso à Casa da Música. Depois do muito aguardado e também muito aplaudido concerto de 2013, Pedro Burmester volta ao palco da Sala Suggia para encerrar o ciclo de piano 2016. O programa é composto por obras dos seus compositores preferidos. De Beethoven tocará as sonatas op.109 e "Ao luar, op.27 nº 2"; a Partita nº 4 de Bach e a balada nº 2 de Franz Liszt.

Como o tempo é de Natal, na véspera, um dos grandes maestros russos da atualidade, Michail Jurowsky, dirigirá a Orquestra Sinfónica na interpretação de “O Quebra Nozes”, de Tchaikovski. A narração estará a cargo de Rui Pereira. Uma semana depois encerra o ciclo do barroco com, entre outras peças, a “Missa para o Santíssimo Natal”, de Alessandro Scarlatti.