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Pessoa e ventríloquos na programação do Rivoli

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A companhia da belga Lisbeth Gruwez é uma das novidades da programação

Luc Depreitere

Com o ballet contemporâneo em lugar de destaque, a sala portuense acolhe o Fórum do Futuro, abre-se ao jazz e reserva lugar especial para o teatro e o cinema

Serão quatro meses de deitar as mãos à cabeça, tal será a dificuldade de escolha entre as múltiplas propostas incluídas na Programação do Teatro Municipal Rivoli até final do ano. Dos novos espetáculos de Vera Mantero, Victor Hugo Pontes ou Joana Providência, a que se juntam criações de relevantes coreógrafos internacionais, como Emanuel Gat, Lisbeth Gruwez e Boris Charmatz, com passagem pelas propostas do Teatro Praga, da Mala Voadoradas Boas Raparigas, do TEP, do Teatro do Ferro ou do Teatro de Marionetas do Porto, sem esquecer as Quintas de Leitura, o Porto/Port/doc, a Festa do Cinema Francês ou o Porta Jazz, em cada momento há um desafio novo nas mais diferentes áreas da criação artística.

A tudo isto junta-se uma das mais estimulantes iniciativas da casa, o Fórum do Futuro, este ano subordinado ao tema “Ligações”, marcado para os dias 1 a 6 de novembro.

A temporada abre com teatro. A Mala Voadora estreia no Grande Auditório “Moçambique” no próximo dia 16, uma peça construída a partir de uma circunstância biográfica: os três elementos mais antigos da companhia nasceram em Moçambique e esse é o ponto de partida para a construção de uma autobiografia, numa espécie de teatro documental que encena a hipótese não concretizada de os protagonistas terem vivido toda a sua vida naquele país.

O coreógrafo Emanuel Gat apresenta a 24 “Gold”, a história de uma família contada por cinco bailarinos. A coreógrafa belga Lisbeth Gruwez assina “Ah Há”, com estreia a 25 de novembro. É uma peça sobre o riso e o modo como o riso interfere com o corpo até á exaustão. Já em dezembro, no dia 7, o coreógrafo francês Boris Chamartz propõe “Manger”, um trabalho que se adivinha perturbador sobre a dança e o aparelho digestivo marcada para o 3º piso do Palácio dos Correios.

A dança dos portugueses

A dança concebida por portugueses arranca a 7 e 8 de outubro, de novo uma estreia. Victor Hugo Pontes, que há meses se apresentou com grande sucesso no palco principal do Rivoli, regressa com “Uníssono – composição para cinco bailarinos”. A 28 de outubro será tempo de Joana Providência estrear o seu “Inquietações” e a 11 de novembro abre-se o palco para Vera Montero com “O limpo e o sujo”. Pelo meio há diversificadas propostas, como, entre outras, as de Mara Andrade, Marco da Silva Ferreira, ou as da Companhia instável, com "Primeiras Obras”.

No final do mês, no dia 30, o Teatro Praga apresenta em estreia a coprodução “Zululuzu”, na qual se aborda a chegada de Fernando pessoa a Durban, na África do Sul.

Um clássico desta programação é o Festival Internacional de marionetas, que decorrerá entre 14 e 22 de outubro, dia em que Gisèle Vienne (França/Austrália) apresentará “A Convenção dos Ventríloquos”. Neste espetáculo, com nove ventríloquos em palco, há como que uma reconstrução de um singular acontecimento todos os anos concretizado no estado do Kentucky, nos EUA. Realiza-se ali a maior convenção mundial de ventríloquos, muito perto do Haven Vent Museum, um espaço onde os bonecos que já não atuam nos palcos – muitas vezes devido à morte dos seus proprietários – são mantidos e exibidos ao público.

No teatro, destaque ainda para os espetáculos das Boas Raparigas, (“Und”), do TEP (“Casa Vaga” e “What a Rogue am I?”), Tearo do Ferro (“À procura de Lem”), ou Teatro de Marionetas do Porto (“Kitsune”).

Oupa! com Capicua

A música tem também um vasto programa, com destaque para o projeto “Oupa!/Cultura em expansão, que de novo leva Capicua aos bairros, desta vez na companhia de André Tentúgal, Gisela Borges, Vasco Mendes. Em dezembro há o festival Portajazz, mas outros momentos altos poderão ser, em outubro, o encontro dos Tarantula com os Equaleft e os Redemptus, três bandas do Porto da área do “heavy-metal”, ou, em dezembro, o a junção dos Expensive Soul com os CRU.

O Porto/Post/Doc impõe-se, em novembro, como um dos momentos mais aliciantes de uma programação de cinema que inclui, em outubro, de 5 a 9, o festival Internacional de Cinema Queer, com uma programação especificamente pensada para o Porto. Uns dias depois, de 14 a 16, mais espaço para a sétima arte com a Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista. A Festa do Cinema francês decorrerá de 24 a 30 daquele mês.

A programação global inclui ainda as célebres “Quinas de leitura”, vários “workshops” e residências artísticas.