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“Um dia destes há uma calamidade no Museu Nacional de Arte Antiga”

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LUIS BARRA

O alerta foi lançado pelo próprio diretor da instituição, António Filipe Pimentel, referindo que têm apenas 64 funcionários para 82 salas abertas ao público e que nova galeria, recentemente inaugurada pelo Presidente da República, só não fechou no dia seguinte porque politicamente seria dramático

O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, avisou esta sexta-feira que “um destes dias há uma calamidade no museu” porque se anda a “brincar ao património”, afirmando que as tutelas dispõem de toda a informação cabal.

O alerta sobre as condições do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) foi deixado esta sexta-feira manhã na Escola de Quadros do CDS-PP, que decorre até domingo em Peniche, durante um painel intitulado “Qual a importância económica da cultura?”, no qual participou o diretor do museu juntamente com Pedro Mexia, consultor para a área cultural do Presidente da República.

"São 64 pessoas para 82 salas abertas ao público. De certeza absoluta que um destes dias há uma calamidade no museu. Só pode, porque andamos a brincar ao património. Mas a esta altura todas as tutelas dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais”, avisou António Filipe Pimentel, sem concretizar exatamente a que problemas se refere.

Segundo diretor do MNAA é preciso “mudar urgentemente” porque “as necessidades do Museu Nacional de Arte Antiga são totalmente diferentes, em escala, das necessidades dos outros museus”, com a exceção do Museu dos Coches.

“O Governo tem na mão o projeto-lei, o instrumento de mudança”, afirmou, dizendo que viu “com grande gosto” no último programa de Governo do PSD e do CDS a autonomia e ampliação do museu.

António Filipe Pimentel alertou que “o país tem um grave problema a resolver” no museu porque “aquilo vai partir e vai partir em muito pouco tempo”.

O diretor confidenciou que a nova galeria de pintura e escultura portuguesa, aberta a meio de julho, “só não fechou no dia seguinte à inauguração solene pela razão simples de que foi inaugurada pelo senhor Presidente da República e o impacto político do encerramento era dramático”.

Por seu turno, Pedro Mexia - que começou por explicar aos jovens centristas presentes que não estava a falar na qualidade de consultor do Presidente da República - manifestou-se “próximo do CDS, pelo menos nos dias em que o CDS não é próximo do MPLA”.

“Nesses dias sou um bocadinho menos próximo”, disse, criticando a presença da comitiva centrista no congresso do MPLA, em Angola.

Sobre a relação difícil entre dinheiro e economia, Pedro Mexia falou do “desconforto irritante, mas interessante filosoficamente” de “legitimar uma coisa inútil [cultura] com uma coisa útil [economia]”.

Segundo o também comentador, assim como os partidos à esquerda têm um desconforto com as Forças Armadas, os partidos à direita têm isso com a cultura.

Para Pedro Mexia, “é importante lutar pela bioversidade cultural” porque é importante que um país civilizado tenha teatro, cinema, ópera e uma Estado não se pode dissociar daquilo que é a vida cultural do país.

“Não é totalmente irrelevante para os poderes públicos o que acontece na Cultura. O Estado não se pode demitir”, defendeu.