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Os livros são criaturas fantásticas e na Bélgica caçam-se como pokémons

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Influenciada pela febre do “Pokémon Go”, uma professora belga criou, no Facebook, um grupo de partilha de livros que já colocou mais de 50 mil pessoas à caça de livros dos mais variados géneros e nos lugares mais improváveis

André Manuel Correia

O que há em comum entre a literatura e o Pokémon Go? Ambos possuem a capacidade de nos transportar para outro universo e rapidamente se podem tornar num vício. A funcionar na rede social Facebook há pouco mais de duas semanas, um grupo belga de partilha de livros intitulado “Chasseurs de Livres” – Caçadores de Livros, em português – já colocou mais de 50 mil pessoas à procura de “criaturas literárias” em locais públicos. Os livros podem estar qualquer lugar. Será que os belgas vão apanhá-los todos?

Tornar-se num caçador de livros é bastante simples e o jogo toma por base a mecânica do “Pokémon Go”. No entanto, aqui não se trata de realidade virtual ou aumentada. Tudo é real. Um utilizador deposita uma obra num espaço público à sua escolha, tira uma fotografia e, em seguida, partilha a imagem no grupo de “Chasseurs de Livres”, com uma breve nota que ajude os leitores mais aventureiros a chegar até lá. Não existem ginásios, “pokéstops” ou “pokébolas”. A partilha é a palavra de ordem e quem encontrar um livro deverá, após terminar a leitura, recolocá-lo num local diferente ou abandonar outro para que um próximo jogador possa resgatá-lo.

Tal como acontece no jogo que faz com milhões de pessoas em todo o mundo circulem pelas ruas, agarradas ao seu smatphone, à procura de pokémons, também no universo do “Chasseurs de Livres” podem ser encontradas criaturas raras e dos variados géneros. As obras vão desde clássicos até publicações infanto-juvenis. De romances eróticos até livros de autoajuda. Na grande maioria das vezes, os utilizadores deixam os “tesouros” no interior de embalagens plásticas e sempre com uma breve mensagem para o próximo leitor. “Sou um livro abandonado. Capture-me, leia-me e liberte-me na natureza”.

O grupo foi criado a 12 de agosto pela professora primária Aveline Grégoire que, em entrevista ao jornal francês Libération, tem dificuldade em explicar o sucesso obtido em tão pouco tempo, mas conta como a ideia surgiu. “Eu queria retirar alguns livros da biblioteca escolar antes das aulas começarem. Como jogo ‘Pokémon Go’ com os meus filhos, tive a ideia de depositar os livros em zonas onde existem ‘pokéstpos’ e arenas. Os livros desapareceram rapidamente e então decidi criar o grupo no Facebook”, explica a mentora do projeto.

O grupo atrai maioritariamente mulheres, entre os 30 e os 40 anos, contou a professora, que espera conseguir alcançar em breve um público mais jovem e várias escolas demonstraram interesse em desenvolver o modelo.

“As pessoas prendem-se ao jogo. Tem um princípio divertido, ao contrário de ir para a uma biblioteca, que pode parecer aborrecido e empoeirado atualmente”, explicou Aveline Grégoire, que garante já ter sido contactada por diversos empresários interessados em criar a aplicação do “Chasseur de Livres” para smartphones.