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National Gallery americana devolve arte com passado nazi

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Réplica de "A Branch with Shriveled Leaves", de Julius Schnorr von Carolsfeld. O original acaba de ser devolvido aos verdadeiros donos

Jacquelyn Martin/AP

A National Gallery de Washington devolveu, na passada quarta-feira, um desenho que pertencera a uma austríaca morta num campo de concentração

“A Branch with Shriveled Leaves” (“Um ramo com folhas murchas”), um desenho em papel e caneta feito há 200 anos pelo artista alemão Julius Schnorr von Carolsfeld, esteve sempre na posse dos seus herdeiros, até que Marianne Schmidl foi obrigada a vendê-lo em 1939 quando foi declarada judia (embora sendo católica era filha de um judeu), após a anexação da Áustria pela Alemanha. A família perdeu o rasto de Marianne em 1942 quando esta foi encaminhada para um campo de concentração na Polónia e recebeu a declaração do seu óbito em 1950.

Schmidl cresceu em Viena, nos tempos culturalmente fervilhantes da passagem de século, e fez estudos superiores, doutorando-se em etnologia. Trabalhava na Biblioteca Nacional quando os Nazis ali chegaram em 1938, foi declarada judia e nunca mais conseguiu emprego, sendo forçada a vender tudo o que tinha para sobreviver.

Segundo o “The Guardian”, citando a Associated Press, esta é a mais recente devolução de obras de arte aos herdeiros de Schmidl. Nos últimos anos, vários museus devolveram cerca de 15 peças. Além desta devolução, que ocorreu na passada quarta-feira, a National Galley reembolsou a família de Schmidl por um outro desenho que a sua antepassada fora forçada a vender (“Shriveled Leaves” de Friedrich Olivier, também de 1817), mas que pretende manter na sua coleção em Washington.

Foi apenas a segunda vez que a National Gallery americana devolveu uma obra de arte que tinha adquirido durante o regime nazi. “Nos últimos 20 anos, os museus americanos devolveram cerca de 50 peças”, afirmou Anita Difanis, da Associação de Diretores de Museus de Arte.