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“Do Bira ao Samba”: a vida são dois dias e o carnaval ibero-americano também

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D.R.

Em Braga, festival “Do Bira ao Samba” reunirá cerca de 500 artistas para celebrar as culturas portuguesa e brasileira, num autêntico carnaval fora de época

O festival “Do Bira ao Samba” vai já na segunda edição e conta com desfiles de grupos etnográficos, escolas de samba e batucadas, um cortejo de carnaval ibero-americano, concursos e exposições de fotografia, montras, concurso de bonecas, workshops, para além de promover a angariação de roupa, brinquedos e livros. A vida são dois dias e, em Braga, este carnaval fora de época – ou ‘micareta’, como se designa no Brasil – também. O casamento entre as sonoridades tradicionais portuguesas e os ritmos mais tropicais acontece entre 29 e 30 de julho.

Para esta segunda edição do festival, o Dia Portugal (29 de julho) e o Dia Brasil (30 de julho) vão receber inúmeras atrações como Kumpania Algazarra, de Sintra, os bracarenses Cabra Çega, Nuno Bastos que chega de Estarreja, o grupo vianense Ronda Típica da Meadela, os portuenses Batucada Radical­ e, de Espanha, chega Trokobloco. Além destes nomes, como não poderia deixar de ser, para animar este carnaval estarão presentes as escolas de samba de Estarreja, Ovar e Figueira da Foz.

“Do Bira ao Samba” é um festival irrequieto, difícil mesmo será ficar parado. Destaque para a noite de 29 de Julho com a batucada do grupo Bomboémia, também ligado à organização. No dia 30, às 21h30, há o monumental desfile de carnaval ibero-americano. O evento inclui igualmente workshops de máscaras, danças típicas portuguesas, samba, percussão, desgarradas e roda de capoeira, informa a organização em comunicado.

Depois da primeira edição, realizada em outubro de 2015 e que serviu como experiência-piloto, um dos responsáveis pela organização e presidente da ARCUM – Associação Recreativa e Cultural Universitária do Minho, Henrique Antunes, afirmou, ao Expresso, que fez “todo sentido” encaixar o evento no contexto da capital Ibero-Americana da juventude. Na sua opinião, também o festival pretende “pretende criar pontes e diálogos interculturais” entre os vários países.

Um carnaval fora de época

Henrique Antunes recorda que os portugueses que se mudaram para o Brasil, na sua grande maioria, eram da região do Baixo Minho, principalmente de Braga e Famalicão. “Então queremos fazer valer que, pelo menos 1% do que hoje é o samba, veio da cultura do Minho e nomeadamente de Braga”, destacou o organizador. “Ao nível dos instrumentos, dos cantares e da dança é infinita essa ligação”, acrescentou.

“Há até um dado interessante, que é o facto de algumas escolas de samba brasileiras, que foram já campeãs no carnaval do Rio de Janeiro, terem uma direção composta por portugueses”, prosseguiu o responsável, dando como exemplo o Grémio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca.

Entre os dias 23 de Julho e 7 de Agosto os espaços ‘Bira dos Namorados’, ‘Mavy’ e ‘Estúdio 22’ terão patente uma exposição de fotografia sobre o vira e o samba nas suas mais diversas manifestações.

O festival pretende marcar uma posição no calendário turístico e cultural da região minhota, “sem deixar de lado as questões educativas e sociais, assumindo desde já um caráter de responsabilidade social com a recolha de roupa, brinquedos e livros a doar à Cruz Vermelha e à Cáritas e com o Concurso de Bonecas Iberamericanas que pressupõe uma vertente ecológica na construção das mesmas”, destaca a organização.

O presidente da ARCUM, que preferiu não adiantar o orçamento desta edição, refere que “os apoios ainda carecem”, mas que, de um ano para o outro, “aumentou bastante.

Na primeira edição do “Bira ao Samba” passaram pelo evento entre 1500 a 2000 pessoas, estimou o responsável, que espera que este ano “o público possa atingir 3000 pessoas ou, quem sabe, 5000”.

Todas as informações sobre o festival ‘Do Bira ao Samba’, bem como a programação, podem ser obtidas AQUI.