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Códigos para velhos e novos lobos-do-mar

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SEMÁFORO. A combinação de duas bandeiras permite simbolizar todas as letras e números

FOTO MARINHA DOS EUA

Um livro infantil sobre diversas formas de comunicar é a sugestão desta semana. E pode interessar a gente de todas as idades

Esta Estante de Livros gosta, de quando em vez, de dar a conhecer obras destinadas aos mais novos. Entre elas, os livros de alfabetos são todo um género, havendo-os temáticos, didáticos, mais cheios de bonecos ou, em tempos mais recentes, minimalistas e centrados no design, como o delicioso “ABC3D”, de Marion Bataille. Dos tempos de infância recordo uma coleção muito pedagógica da Porto Editora, na década de 80, em que me merecia especial afeto o “ABC dos animais bravios”, e o delicioso “Palavras em Bicha com todos os bichos”, de Richard Scarry, que em edições mais recentes viu o seu título alterado para “Palavras e Bichos em Fila”, vá-se lá saber porquê.

Escreve “The New York Times” que os livros e alfabetos têm resistido ao passar dos tempos, mesmo nesta época “em que a comunicação parece ter sido tomada por tudo o que é digital”. Há-os assinados por autores tão celebrados como Edward Lear, Dr. Seuss ou Eric Carle. E estão, garante o jornal, a “tornar-se mais sofisticados”. Que os há em abundância confirma uma visita às secções infantis e juvenis de qualquer boa livraria. E são uma tentação a que é difícil resistir.

O código da NATO para os mais novos

A sugestão desta semana é precisamente um livro de alfabetos, mas de alfabetos menos conhecidos – embora não menos importantes – do que o das 26 letras com que escrevemos. A sua autora, Sara Gillingham, explica como se manda e recebe mensagens no mar, de onde o título “Alpha, Bravo, Charlie”, nomes atribuídos às três primeiras letras no alfabeto fonético criado pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO) nos anos 50 e adotado por entidades como a NATO.

COLORIDO. Lista de bandeiras para comunicação náutica, num cartaz dos anos 50

COLORIDO. Lista de bandeiras para comunicação náutica, num cartaz dos anos 50

FOTO MARINHA DOS EUA

Nas suas páginas também há lugar para o código Morse, para o sistema de bandeiras náuticas, que data do século XIX – e no qual cada bandeira, além de representar uma letra, é também uma mensagem relevante para quem anda nas águas – e para os chamados sinais em semáforo (com duas bandeiras).Página após página, o livro contém “informação rica e claramente explicada que associa todos os sistemas de comunicação náutica”, conta o diário nova-iorquino.

O grafismo de Gillingham – já agora, fã de Scarry, como o autor destas linhas – é simples, estilizado e atraente, com cores vivas e formas bem definidas. Embarcações de vários tipos acompanham a informação sobre o significado de cada bandeira, que pode ir de “Tenho um mergulhador no mar” (da bandeira A, ou “Alpha”) a “Vou virar à esquerda” (da bandeira I, ou “India”). Para virar à direita, caso o leitor esteja a interrogar-se, usa-se a bandeira E, “Echo”.

Bandeiras em barda

A autora – premiada por obras anteriores – junta aos desenhos um guia de pronúncia das palavras implicadas, dos respetivos códigos Morse, das posições usadas no sistema de semáforo, num livro que a revista “Publishers Weekly” considera ter um “design bonito” e um conteúdo “acessível e fascinante”.

A enriquecer o volume, as 26 bandeiras que o protagonizam surgem em papel especial, com uma “textura de linho”, que os jovens leitores poderão utilizar para passar mensagens aos amigos. “É o tipo de livro que empurrará miúdos dos 6 aos 11 anos para brincadeiras imaginativas”, elogia “The Wall Street Journal”.

“Alpha, Bravo, Charlie”, Autora: Sara Gillingham, Editora: Phaidon, Páginas: 120, Preço: $12,68 (€11,48)

“Alpha, Bravo, Charlie”, Autora: Sara Gillingham, Editora: Phaidon, Páginas: 120, Preço: $12,68 (€11,48)