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“O Retorno” de Dulce Maria Cardoso premiado em Inglaterra

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Dulce Maria Cardoso, autora de “O Retorno”, livro que acaba agora de chegar às livrarias inglesas

Tiago Miranda

“O Retorno”, de Dulce Maria Cardoso, foi distinguido com o English Pen Translate Award, baseado na sua “extraordinária qualidade literária”. O romance, publicado em Portugal em 2011, está já traduzido em 11 línguas, e acaba de chegar às livrarias inglesas

Como é que recebe este prémio?
Com alegria. É sempre bom ver o nosso trabalho reconhecido por outros.

Esta tradução tem a particularidade de levar “O Retorno” aos leitores de língua inglesa, o que significa um potencial aumento significativo de público. Além de Inglaterra, em que países gostaria de ver o livro à venda?
Se houver pessoas para quem considero que não escrevo, não julgo que se concentrem num país determinado. Por isso, tudo o que escrevo gostaria que estivesse acessível a todas as pessoas de todos os países.

Teve oportunidade de acompanhar a tradução? Como avaliaria esse trabalho?
O acompanhamento da tradução limitou-se ao esclarecimento de dúvidas, sempre que o Angel mas apresentava. Fui assim entrevendo partes da tradução que ia sendo construída e é agora muito bom ter em mãos o belo trabalho que o Angel fez.

Nenhum dos seus livros anteriores a este está traduzido para língua inglesa. Como explica este fenómeno de vendas e internacionalização de “O Retorno”?
Apesar de nenhum dos meus outros três romances estar traduzido em língua inglesa, felizmente têm sido também muito bem recebidos nos outros países. "Os Meus Sentimentos" está até publicado num maior número de países do que "O Retorno".

Na altura em que este livro foi publicado, deu entrevistas em que contava várias histórias sobre a inesperada abordagem dos leitores. Ela ainda acontece? Como a explicaria?
Sim, continua a acontecer, o que com certeza significa que novas pessoas o vão lendo. Isso deixa-me muito feliz.

O livro passou entretanto a fazer parte do Plano Nacional de Leitura, onde é recomendado para alunos do ensino secundário. Tem ideia das idades dos seus leitores?
Pelo que me apercebo, há leitores de "O Retorno" de todas as idades. Aparentemente, quer os que o leem por lhe reconhecerem interesse literário, quer os que se interessam pelo contexto histórico do romance, não estão compartimentados em termos etários. Essa transversalidade deixa-me também muito contente.

O que é que eles lhe dizem quando a abordam?
Uns limitam-se a elogiar o romance, outros a agradecer-me, mas muitos querem também partilhar histórias que viveram ou conheceram, e muitos mais ainda dizem-me que, apesar de terem vivido os tempos de "O Retorno", não se deram conta de muito do que se estava a passar com os retornados.

“O Retorno” conta a história da descolonização de Angola através da personagem de um adolescente. A Dulce continua a ser convidada para falar sobre o livro e sobre este tema, apesar de já terem passado quatro anos sobre a sua publicação. Parece-lhe que é um assunto que continua na ordem do dia? Se sim, por que razão?
Infelizmente os desterrados, a quem "O Retorno" foi dedicado, continuam a existir e o conhecimento que a comunicação social deles nos dá é cada vez maior. O assunto continua, pois, pelas piores razões, na ordem do dia. Outras razões há, felizmente mais benignas, que podem explicar que "O Retorno" não perca interesse. Na verdade, de forma mais dramática ou menos dramática todos vivemos à procura de um sítio (físico ou mental) a que possamos chamar nosso, de um sítio a que sintamos que pertencemos. A descolonização e o retorno foram só um pretexto para que eu refletisse sobre isso no meu "O Retorno".

Depois de “O Retorno”, publicou um livro de contos, “Tudo São Histórias de Amor”, e agora está a escrever outro romance. O que pode dizer-nos sobre ele?
Publiquei ainda duas histórias infantis que vão também ser publicadas este mês em Itália ("Lôa e a véspera do primeiro dia" e "Lôa perdida no paraíso"). Quanto ao novo romance, o que posso dizer é que estou a escrevê-lo entusiasmadamente.

Há data prevista para publicação?
A minha vida tem sido feita sem datas previstas e sem que eu consiga controlar as coisas mais importantes (boas e más) que a têm estruturado. Talvez esteja já velha demais para que passe a ser diferente e para aprender a agendar quer a minha vida quer o meu trabalho.