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Porto une cinema e futebol num festival para driblar fronteiras

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O “Cine Futebol Clube” é um festival pioneiro em Portugal e realiza-se amanhã e sábado nas galerias Lumière, no Porto

André Manuel Correia

Está prestes a surgir uma nova equipa criada por um grupo de amigos, todos jornalistas e que se autointitulam como “Os Gajos”. Prometem jogar de forma destemida. Trata-se do “Cine Futebol Clube”, o primeiro festival de futebol e cinema, que se realiza nas galerias Lumière, no Porto. O pontapé de saída do evento é dado amanhã e este jogo, onde a força se mescla com a técnica, prolonga-se até sábado.

O que tem em comum o futebol e o cinema? Aparentemente muito pouco. Mas ambos são espetáculo, autênticas fábricas de heróis que possuem a capacidade de despertar paixões e servem como um escape para a realidade. De Cristiano Ronaldo ao Super-Homem, de Messi a James Bond, são vários os ícones que influenciam gerações.

Em declarações ao Expresso, Raquel Gomes, uma das responsáveis pela organização deste festival, explicou que a ideia surgiu quando os jornalistas desportivos e amantes da sétima arte, Ivo Costa e Francisco Ferreira, se juntaram a César Nóbrega, especialista em cinema e ligado à organização do Porto/Post/Doc.

Mais tarde, a este trio atacante juntaram-se os jornalistas Sérgio Pires e Rui Frias. “Perceberam que estavam todos na mesma onda”, contou Raquel acerca do grupo de amigos, ou “Os gajos”, que há quatro anos começou a desenhar a tática para o “Cine Futebol Clube”

O festival pretende, assim, mostrar o desporto-rei como um fenómeno que se “estende para além das quatro linhas e homenagear a dimensão universal” da modalidade com uma mostra de cinema. “O futebol não é apenas aquele que é jogado em estádios para 30 ou 40 mil pessoas, há também o futebol praticado na rua, que tem uma componente social e que permite unir culturas”, destacou a responsável.

D.R.

Plantel diversificado com exposições, debates, cinema e futebol

Amanhã, pelas 21h15, decorre a sessão de abertura e, pelas 21h30, é exibida a curta-metragem brasileira intitulada “Ernesto no País do Futebol”. O filme, do realizador André Queiroz e com a duração de 14 minutos, aborda temas como a diversidade, a educação, o desporto e a sociologia, através de um enredo que tem como protagonista um miúdo argentino a viver no Brasil.

Às 21h45, entra em campo o debate “Futebol, uma paixão transversal”. Após o momento de reflexão, os olhos do público viram-se para “El outro fútbol”, um documentário do argentino Federico Peretti, no qual o amor à camisola ainda é realidade no futebol. “O único objetivo é jogar. As alegrias e deceções são reais. O grito de golo e o insulto do árbitro fazem parte da mesma angústia, a angústia de vencer”, lê-se na sinopse.

Ao toque das doze badaladas, joga-se “Pelada”, um documentário inglês da autoria de Luke Boughen, Rebekah Fergunson, Gwendolyn Oxenham e Ryan White. Este trabalho cinematográfico demonstra que longe dos estádios profissionais há um outro futebol, aquele que se joga em vielas, ruas e campos cimentados.

O segundo dia do festival arranca com o filme de animação brasileiro “O Primeiro João”, do cineasta André Castelão. O protagonista desta curta-metragem é o mítico jogador da seleção canarinha Manuel dos Santos, eternizado no mundo do futebol como Garrincha.

Pelas 21h30, lugar para mais um debate, desta vez intitulado “O sonho no futebol”. Às 22h15, joga-se a outra final, “The Other Final”, um documentário de Johan Kramer. Este trabalho tem como cenário um jogo entre duas das equipas com pior classificação no ranking da FIFA: Butão e Monserrate. A partida foi realizada no mesmo dia da final do Mundial de 2002.

A primeira edição do “Cine Futebol Clube” encerra com a exibição do documentário “The Mouse That Scored”, de Sebastian Frommelt e Sigvard Wohlwed, que se centra na seleção do Liechtenstein. Os dois documentaristas acompanharam a equipa do principado, entrincheirado entre a Áustria e a Suíça, nos jogos de apuramento para o Euro 2008, durante os quais uma nação orgulhosa vai enfrentando os vários “Golias” do mundo do futebol.

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O futebol não é apenas aquele que é jogado para 30 ou 40 mil pessoas

O festival surge numa altura em que milhões de portugueses têm acompanhado entusiasticamente os feitos da seleção portuguesa no Euro 2016, em França. A campanha da equipa das quinas começou como um filme a preto e branco e, gradualmente, tem ganho cor. O futebol está a unir o país e a despertar paixões, como já fez noutros tempos.

No domingo joga-se a final e nos dois dias precedentes o “Cine Futebol Clube” serve de aquecimento. “Foi pensado exatamente para ser realizado nesta altura porque acreditamos que há público que quer ver o outro lado do futebol. Porque uma ida a um jogo de futebol ou a comemoração de uma vitória é algo que se vive no imediato e por isso é que há tão poucos filmes que retratem a emoção do futebol”, explicou Raquel Gomes, que juntamente com Alfredo Costa gere a Busílis da Comunicação, empresa associada à organização do festival.

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