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Encontro de titãs

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rita carmo

Na sua décima edição, o NOS Alive recebe, em Algés, gigantes como Radiohead, Pixies, Arcade Fire e Robert Plant. Mas também há espaço para revelações, fado e comédia

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Na sua décima edição, o NOS Alive apresenta um cartaz fortíssimo, cujo apelo se espelha nas vendas: tanto os passes de três dias como os bilhetes individuais para dias 8 e 9 já esgotaram, restando apenas entradas para o primeiro dia, 7 de julho. É já na quinta-feira, portanto, que o Passeio Marítimo de Algés volta a receber um evento que começou por realizar-se em 2007 e que desde então soube impor-se como um gigante dos festivais urbanos, atraindo ano após ano dezenas de milhares de espectadores, portugueses e estrangeiros.

Este ano, a festa começa com os Pixies (com quem pode ler uma entrevista na página seguinte) e Robert Plant, os grandes nomes de dia 7. Os veteranos liderados por Black Francis, que em 2004 voltaram às lides interrompidas em 1993, tocam às 22h45, depois de Robert Plant. Acabado de sair de tribunal, onde com Jimmy Page foi absolvido das acusações de plágio de ‘Stairway to Heaven’, o eterno vocalista dos Led Zeppelin virá apresentar o recomendável “Lullaby and the Ceaseless Roar”, com os Sensational Space Shifters, que também o acompanharam em estúdio. Mr. Plant toca às 21h05, num dia em que o palco principal recebe concertos dos ingleses Biffy Clyro (19h25) e dos seus compatriotas The 1975 (18h). A última atuação neste palco — dos igualmente britânicos The Chemical Brothers — acontece à 1h.

A oferta está, todavia, longe de se esgotar no maior palco. No dia 7, o palco Heineken apresenta concertos do norte-americano (agora radicado na Islândia) John Grant, às 20h45, e da jovem banda londrina Wolf Alice, às 22h15. Os belgas Soulwax sobem ao palco pelas 23h45, regressando na sua encarnação 2ManyDJs às 2h30. Destaque ainda para os portugueses Sean Riley & the Slowriders, que há poucos dias anunciaram que vão continuar, apesar do desaparecimento do seu baixista, Bruno Simões, no início de junho. Com Nuno Filipe no seu lugar, a banda que este ano lançou um álbum homónimo toca à 1h25. No palco NOS Clubbing, as atenções recairão em Branko, às 21h, Junior Boys, às 24h, ou Throes + The Shine, às 2h40. No EDP Fado Café estarão Marco Rodrigues (17h30 e 18h45) e Raquel Tavares, que acaba de lançar um novo álbum (20h e 21h15). Às 22h30, os Dead Combo e as Cordas da Má Fama mostrarão, também, o fado que há em si.

Robert Plant toca quinta-feira às 21h05 e os Radiohead (em baixo) sexta às 22h45

Robert Plant toca quinta-feira às 21h05 e os Radiohead (em baixo) sexta às 22h45

Suzanne Cordeiro/Corbis/Getty

Paul Bergen/EPA

Noutro dos espaços do NOS Alive, o Raw Coreto by G-Star Raw, quinta-feira é dia de várias apostas nacionais: os Ganso (18h50), as Golden Slumbers (20h15), os já conhecidos The Poppers (21h45) e ainda Alex D’Alva Teixeira, dos D’Alva, com o espetáculo Alex D’Alva não é um DJ (23h15 e 0h55). A oferta musical, e não só, do Passeio Marítimo de Algés fica completa com os concertos que decorrem no pórtico de entrada e os espetáculos de comédia no Jardim Caixa; na quinta-feira, o maior nome é o do ‘poeta punk’, o britânico Dr. John Cooper Clarke, às 0h15.

Na sexta-feira, aterra em Algés uma das bandas mais cobiçadas em terras portuguesas: os Radiohead, que este ano lançaram o álbum “A Moon Shaped Pool”, tocam no palco NOS às 22h45 e, a fazer fé nos alinhamentos que têm apresentado, nomeadamente no Primavera Sound de Barcelona, deverão misturar canções novas com clássicos como ‘Paranoid Android’, ‘No Surprises’ ou ‘Karma Police’ (na Catalunha houve mesmo ‘Creep’, num encore não programado). Antes dos Radiohead, tocam os australianos Tame Impala (21h) e os britânicos Foals (19h30), ambos repetentes neste festival. Os novatos Years & Years, que se estrearam no ano passado com “Communion”, abrem o palco NOS às 18h. No palco Heineken, o cardápio também é palpitante: às 19h20, a australiana Courtney Barnett oferece às massas as suas canções espirituosas; às 20h30, Carlão continua a rodar os êxitos da sua estreia a solo, “Quarenta”, e às 21h40 o norte-americano Father John Misty espalha o evangelho de “I Love You, Honeybear”. Os irlandeses Two Door Cinema Club (0h55) e os londrinos Hot Chip (2h40) fecham a noite por aqui, ao passo que, no NOS Clubbing, as escolhas são do ‘curador’ DJ Kamala. NBC, Sir Scratch e Bob da Rage Sense (18h); Mundo Segundo e Sam the Kid (19h15); HMB, DJ Kamala e Filipe Gonçalves (20h30); Da Chick (0h45) e Rocky Marsiano e Meu Kamba Sound (2h) são algumas das suas propostas. No EDP Fado Café, o palco fica por conta de Helder Moutinho & Amigos, e no Raw Coreto haverá Youthless (21h20) e DJ A Boy Named Sue (22h40 e 2h15).

O NOS Alive ’16 chega ao fim no sábado, 9 de julho, com Arcade Fire, M83 e Grimes, entre muitos outros. Os bilhetes para este último dia também já se encontram esgotados.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 4 julho 2016

  • Marcos do rock americano na segunda metade dos anos 80 e início dos 90 (e uma das bandas mais queridas da sua geração), regressam a Portugal para aquele que será o sexto concerto entre nós desde a reunião em 2004 — é quinta-feira, às 22h45, no NOS Alive. Agora que passam 25 anos sobre os míticos concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, David Lovering — o baterista mas também ilusionista ‘encartado’ — fala-nos da força do passado, do temperamento do ‘patrão’ Black Francis e do dia em que a banda conheceu Robert Plant (que atua no mesmo festival, imediatamente antes dos Pixies) num avião.

  • Aleluia! Ou o rock enquanto fé

    Pecado, perdão, redenção. A música dos Arcade Fire, que atuam na próxima semana no festival NOS Alive, explora os mistérios da fé à semelhança do que fazem U2, Springsteen, Nick Cave e Johnny Cash