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Circo contemporâneo está de malas feitas para Guimarães, Braga e Famalicão

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Mark Dawson

O Festival Internacional Vaudeville Rendez-Vous reúne, entre 15 e 23 de julho, algumas das companhias de circo contemporâneo e artes de rua mais reputadas internacionalmente

André Manuel Correia

O Festival Internacional Vaudeville Rendez-Vous , realizado desde há dois anos em Famalicão, faz as malas e expande-se este ano até Braga e Guimarães para apresentar 12 espetáculos, todos de entrada gratuita, entre os dias 15 e 23 de julho. O certame vai já na terceira edição e fomenta a produção nacional de espetáculos de artes de rua e de circo contemporâneo, para além de trazer alguns projetos de referência a nível internacional.

Pela primeira vez a realizar-se em espaços públicos daquelas três cidades, o Vaudeville Rendez-Vouz reforça “a convergência entre estes concelhos” e “a partilha de recursos em torno de algo maior que é o público”, como explicou ao Expresso o diretor artístico do festival, Bruno Martins

A abertura do festival acontecerá no dia 15 de julho, na Praça de Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães, e fica a cargo da companhia Ockham’s Razor’s, com o espetáculo “Tipping Point”. Durante a performance, cinco artistas “desafiam a gravidade com mastros equilibrados nas pontas dos dedos e momentos de suspensão imprevisíveis”, descreve a organização.

Para o dia seguinte estão contemplados três espetáculos: “Arremesso”, em estreia absoluta, coproduzido entre o festival e a companhia Bisonte Amarelo; “Fio Prumo”, da companhia Erva Daninha, que cruza a técnica de malabarismo com a manipulação de tijolos e o tecido acrobático; e “Resiliência”, outra coprodução desta edição pela companhia UMPOR1.

Destaca-se também no programa, a apresentação de “Insekto”, na Avenida Central, em Braga, no dia 20 de julho. Trata-se de um trabalho inspirado na obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e conjuga teatro físico, visual e não-verbal com acrobacia aérea. O espetáculo é uma produção da companhia Teatro do Mar, que está a celebrar 30 anos de atividade.

O Largo da Oliveira, em Guimarães, recebe no dia 22 de julho, “Pozzo”, com criação e dramaturgia partilhada entre Carlos Reis e Rui Paixão, vencedor do prémio OFF Circada, em Sevilha, como artista emergente no circo contemporâneo.

O encerramento do festival decorre dia 23 de julho com a estreia nacional de “A Corps perdus”, em que os movimentos dos mastros e dos corpos se entrecruzam para chegar a um estado de ação e liberdade.

Relativamente ao contexto nacional no que toca ao circo contemporâneo e às artes de rua, Bruno Martins referiu que vários criadores portugueses seguem carreira na área do circo por todo o mundo, mas poucos deles trabalham no nosso país. “E os que trabalham não tinham, até há bem pouco tempo, grande espaço de programação. Isso agora a começa a reverter e começa a surgir bastante interesse”, denotou.

A programação completa pode ser consultada em: http://teatrodadidascalia.com/td/vaudevillerendez-vous/events/lista/

Envolvimento com a comunidade local e artística

O Vaudeville Rendez-Vous conta igualmente com três oficinas de formação nas três cidades. Para além disto, realizar-se á no dia 17 de julho, pelas 15h, na Casa Território, em Vila Nova de Famalicão, o debate “O Circo e os seus círculos sociais” no qual vai estar presente o diretor do Festival Internacional do Rio de Janeiro, Vinicius Damas. “O circo tem, ou pode ter, implicações sociais muito importantes e pode ajudar na coesão social”, sublinhou Bruno Martins, também diretor artístico da companhia Teatro da Didascália.

No dia seguinte, a 18 de julho, pelas 14h, o Festival Vaudeville Rendez-Vous centra a sua atenção num evento restrito a programadores e agentes artísticos com a primeira edição do “Cabaret Showcase”, cuja entrada é gratuita. Trata-se de uma oportunidade para artistas com propostas em desenvolvimento ou mais consolidadas apresentarem as suas criações a programadores nacionais e internacionais.

O orçamento para esta terceira edição, que conta com apoios de algumas entidades privadas, é de 120 mil euros e foi suportado, de igual forma, pelas três autarquias.