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Cultura

De Portugal ao Japão, a música também se come

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São 9 jovens de 6 nacionalidades e 3 continentes diferentes. Vivem e trabalham em Amesterdão e querem mostrar as melhores partes do folclore português recolhido por Michel Giacometti ao mundo

Foto cedida pelo grupo “Seconda Pratica” de Bertrand PICHENE/PICTORIA

Misture um espanhol, dois argentinos, uma grega, três portugueses, uma suiça e uma japonesa e leve ao forno em Amesterdão. Polvilhe com música erudita barroca, decore com repertório do folclore ibérico e chame os “cantes do trabalho e do pão”. Tem um concerto surpreendente esta tarde em Palmela

Sara de Castro, João Brites, Nuno Atalaia Rodrigues e Jonatan Alvarado, servem almoços e recitais nas instalações do grupo de Teatro O Bando, em Palmela. Os dois primeiros são da casa, Nuno e Jonatan Alvarado – os diretores musicais convidados. Nuno é português, Alvarado um argentino que gosta de dissecar a música do seu continente para descobrir o que é de origem local e o que veio com a colonização: sabores, sons, texturas, histórias, sonhos, medos, contos, poesia, lendas, amores, ódios.

Como a música também se come, o argentino e português desafiaram-se mutualmente para uma aventura de globalização multicultural que inclui representantes de três continentes e seis países: Japão, Grécia, Suiça, Espanha...e como já dissemos Portugal e Argentina.

O almoço deste sábado está marcado para as 13h, mas exige reserva prévia (bilheteira do grupo O Bando – 910 306 101). A ementa que é uma elegia à cultura do trabalho e do pão, inclui uma sopa/açorda de coentros, alheira e uma sobremesa surpresa que tem pão na preparação.

A tarde segue contrariando o provérbio "comida feita companhia desfeita" e, pelas 15h, os interessados podem participar numa conversa/debate sobre as origens culturais, antropológicas, geográficas etc, em torno da representação da música tradicional no trabalho das populações.

Quem só quiser ir ao recital que está marcado para as 17h, fica a saber que o repertório que os nove elementos transnacionais do Seconda Pratica vão interpretar este sábado são uma homenagem ao trabalho de recolho do etnólogo e musicólogo francês Michel Giacometti, cujo trabalho ficou "esquecido nas últimas décadas", lembra Nuno Atalaia Rodrigues.

Giacometti veio para Portugal em 1959 para se recompôr de uma tuberculose; apaixonou-se pela música tradicional do nosso país e é o autor da mais sistemática e exaustiva recolha de folclore tradicional português. Em 1960 fundou os Arquivos Sonoros Portugueses e, mais tarde, lançou a Antologia da Música Regional Portuguesa com Lopes Graça. Morreu em novembro de 1990.

O Seconda Pratica recuperou estas polifonias e faz uma interpretação contemporânea dos "Cantes do Trabalho e do Pão", condimentada por um conjunto de sons intrumentais que nos fazem viajar pelos 'novos' mundos que Portugal conheceu quando iniciou a rota global dos descobrimentos.