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Bússola da música alternativa “made in” Portugal aponta para nordeste

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Lino Silva

Dois anos depois de ressurgir com um novo formato, o Rock Nordeste está de volta para a 3ª edição e traz, de forma gratuita, nomes sonantes da música alternativa portuguesa até Vila Real

André Manuel Correia

A agulha da bússola de todos os amantes do rock e da música alternativa “made in” Portugal volta a apontar numa direção obrigatória: nordeste. Esta sexta-feira e sábado, chegam a Vila Real algumas das bandas e artistas nacionais mais aclamados, vários deles com trabalhos recentes para apresentar.

Na terceira edição do Rock Nordeste, sobem ao palco referências já bem conhecidas dos festivaleiros como Linda Martini, Orelha Negra e PAUS, entre outras formações. A solo, haverá lugar para o carrossel musical e onírico de David Santos, o “homem-orquestra” com o seu projeto Noiserv, assim como para as canções sempre interventivas e desconcertantes de B Fachada. E tudo isto de forma inteiramente gratuita.

Na sexta-feira, 1 de julho, as atenções centram-se no concerto de Linda Martini. A banda de André Henriques, Cláudia Guerreiro, Pedro Geraldes e Hélio Morais é comummente considerada a mais relevante da sua geração. Conhecida por espetáculos ao vivo bastante viscerais e por êxitos como “Amor Combate” ou “Cem Metros Sereia”, o quarteto lançou este ano o álbum “Sirumba”, do qual foi extraído o single “Unicórnio de Sta. Engrácia”.

Ainda no dia de arranque do evento, destaque também para a atuação da formação Sean Riley & The Slowriders. Passados cinco anos desde o último registo discográfico, “It’s Been a Long Night”, e depois de um interregno de três, a banda formada em 2007 – que conjuga elementos do rock n’ roll, do folk e do country – regressa agora aos palcos com um álbum homónimo. No novo trabalho do grupo, constam faixas como “Dili” e “Greetings”.

Também no primeiro dia, a banda Can Cun, formada em Vila Real pelo trio Bruno André Azevedo, Bruno Coelho e Jorge Simões, joga em casa para tocar músicas do seu primeiro EP intitulado “Thin Ice Dance Floor”, que se caracteriza por uma sonoridade que vagueia entre o “dream pop” e o rock dos anos 90. Ainda na sexta-feira atua também o português DJ Ride.

Embarcar no carrossel de Noiserv e fumar com B Fachada no segundo dia

No dia seguinte, sábado, 2 de julho, o cartaz está igualmente recheado de focos de interesse, onde sobressai o concerto do “supergrupo”, como é muitas vezes denominado, Orelha Negra. O grupo cruza influências do “hip hop”, da eletrónica, do “soul” e do “funk”, e levará até ao Rock Nordeste, entre sucessos já conhecidos, algumas músicas do seu terceiro e mais recente álbum, como é disso exemplo a faixa “22:14”.

No mesmo dia, o público que se deslocar até à margem do Rio Corgo será contagiado pelo ritmo frenético da bateria siamesa d0 c0letivo PAUS. A banda tem um novo trabalho discográfico, editado em fevereiro deste ano e que se intitula “Mitra”, onde o protagonismo da percussão e os vocais gritados continuam a definir a identidade artística do quarteto.

Também no mesmo dia, destaque para o concerto da dupla “Best Youth”, composta por Catarina Salinas e Ed Rocha, que levará na bagagem o seu primeiro álbum de originais “Highway Moon”, considerado o melhor disco de música portuguesa pelos leitores da Blitz.

Sozinho em palco estará David Santos, mais conhecido por Noiserv, nome do seu projeto musical. Dono de uma sonoridade única, com melodias que remetem para um universo onírico, cristalino e quase infantil, acompanhadas de letras bem trabalhadas e com um registo melancólico. Nas atuações de Noiserv, tudo pode servir de instrumento musical, desde um brinquedo até uma máquina fotográfica. Em 2014, editou o seu último álbum intitulado “Almost Visible Orchestra”, de qual saíram êxitos como “I was trying to sleep when everyone woke up” ou “Don’t say hi if you don’t have time for a nice goodbye”.

Também a solo, no dia 2, apresenta-se o cantautor B Fachada, que se notabiliza pelo uso de letras com uma pungente e mordaz crítica social, acompanhadas de batidas dançáveis. O seu estilo relembra, nos dias correntes, que a cantiga e a palavra ainda são duas importantes armas.

No mesmo dia, junto ao Rio Corgo ecoará também o som de Branko, produtor natural de Lisboa e cofundador dos aclamados Buraka Som Sistema. O reconhecido e multifacetado artista partiu numa viagem à volta do mundo para se conectar com algumas das mais entusiasmantes cenas musicais da atualidade e, pelo meio, colaborou com uma nova geração de artistas para criar o álbum de estreia a solo “Atlas”.

A nordeste é dos oito aos oitenta

O festival Rock Nordeste tomou em 2014 um novo espaço no coração de Vila Real e moveu-se do Complexo de Codessais para o Parque do Corgo, um dos ex-libris da cidade. Na edição de 2016, a aposta recai novamente na distribuição dois palcos – Palco Parque e Palco Teatro, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real, situado também junto ao rio.

Em declarações ao Expresso, o programador Ilídio Marques destaca o objetivo de trazer para o festival público “dos oito aos oitenta anos”, algo que, na sua perspetiva, “já tem acontecido nas duas anteriores edições e que se mostra ainda mais acentuado nesta terceira.”

Na opinião do responsável, exemplos como o Rock Nordeste são “a prova viva de que se pode ter um excelente cartaz apenas com artistas portugueses. Os três anos de festival, marcados por uma aposta na melhor música portuguesa, provam-no”.

Nas edições de 2014 e 2015, passaram pelo festival mais de vinte e duas mil pessoas, que puderam desfrutar da música de alguns dos mais proeminentes nomes da música alternativa portuguesa.

O Rock Nordeste é uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Vila Real e nesta terceira edição contou com um orçamento de 60 mil euros.

O programa e os horários dos concertos, bem como a distribuição pelos dois palcos podem ser consultados aqui.