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A sequela que toda a gente quer ver

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“À PROCURA DE DORY”. A América ficou louca com isto. É provável que o mundo inteiro também

d.r.

Ninguém se lembra de alguma vez a estreia de um filme de animação ter alcançado mais de 120 milhões de euros em venda de bilhetes nos dois primeiros dias de projecção no grande ecrã nos Estados Unidos. E não se trata aqui de falta de memória de curto (ou qualquer outro) prazo. “À Procura de Dory” chegou este fim de semana às telas das salas de cinema norte-americanas (e em mais quase 30 países), foi visto à grande e venceu. Bateu o recorde do filme animado com a maior receita de “box office” no primeiro fim de semana de exibição na história do cinema. E está a chegar a Portugal

Luís Proença

Ergue-se, portanto, uma nova “tsunami” de sucesso para os estúdios da Pixar (propriedade da Disney). “À Procura de Dory” ultrapassou a fasquia mais alta que fora estabelecida por “Shrek 3”, lançado em 2007, cujo fim de semana de abertura nas salas tinha atingido um encaixe de 107 milhões de euros. Alcança também a medalha de prata nas estreias de junho, programadas para o início das férias escolares, logo atrás de “Mundo Jurássico”, que capitalizou 184 milhões no ano passado. A engrossar o sucesso comercial somam-se mais 44 milhões com a venda de ingressos para o filme em mais 29 países, incluindo Austrália, Argentina, Rússia e China (cerca de 15,5 milhões), onde nunca nenhum filme da Pixar tinha chegado a números destes numa estreia.

É a volta da maré iniciada há treze anos com o oscarizado “À Procura de Nemo”. Desta feita, a pequena “tang” azul, acometida de perda de memória de curto prazo, aventura-se no grande azul para reencontrar os pais há muito perdidos. Os resultados impressionantes desta estreia vêm contrariar pontualmente o medo instalado junto da indústria do cinema sobre a tendência de produção de sequelas, que vão somando relativos insucessos de bilheteira, como se verificou recentemente com “Alice do Outro Lado Espelho” ou “X-Men: Apocalipse”, por exemplo.

A força da corrente atingida pela “première” ficará a dever-se a uma alargada combinação de variáveis. A publicação “Variety” enumera pelo menos cinco:

1) a reputação de excelência dos estúdios Pixar, que ao fim de 17 filmes produzidos persiste em renovar boas críticas, nomeadamente por cuidar de cada um como verdadeiras peças de arte. Historicamente, os espectadores reagem em conformidade nas idas ao cinema, transformando os títulos da Pixar em sucessos de bilheteira;

2) o “Girl Power” conta tanto que a Disney tem vindo a apostar mais frequentemente em protagonistas femininas, como em “Divertidamente”, “Zootopia” ou “Brave”, e já aparte das clássicas princesas de reinos; encantados. Dory (trazida à vida pela voz de Ellen DeGeneres na versão original e Rita Blanco na versão portuguesa) representa uma variedade de experiências femininas e já não é apenas a princesa que espera pelo príncipe. No fim de semana de estreia, 62% dos espectadores que assistiram ao filme são do sexo feminino;

3) onde pára a concorrência? Com a entrada em férias escolares, o cartaz de cinema para públicos familiares nos Estados Unidos deixa a desejar. “Alice do Outro Lado Espelho” e “Tartarugas Ninja Heróis Mutantes: O Romper das Sombras” foram rejeitados pelos públicos e a estreia de “Angry Birds” já lá vai há um mês. O filme da Pixar correrá, por isso, mais à vontade. Este domingo foi Dia do Pai para os norte-americanos;

4) os adultos também querem ver. Verificando a segmentação etária dos espectadores que foram ver o filme este fim de semana, regista-se que 26% são adultos e 9% adolescentes. E, definitivamente, a Pixar não faz filmes exclusivamente dirigidos a crianças;

5) a espera faz crescer as saudades. Treze anos depois desde a estreia de “À Procura de Nemo”, a base de fãs do peixinho-palhaço e da companheira de aventuras e desventuras foi crescendo. Muitos dos que viram o filme à época ou ao longo dos anos em reexibições ou através da oferta não-linear são hoje adolescentes ou jovens adultos e dizem “presente”!

“À Procura de Dory” estreia em Portugal esta quinta-feira. A ver vamos, portanto.