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Nesta prisão mandam elas

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Taylor Schilling é Piper Chapman, uma reclusa inspirada na autora do livro original

foto jojo whilden/netflix

“Orange Is the New Black” chegou esta sexta-feira à quarta temporada.Taylor Schilling e Kate Mulgrew, duas das protagonistas, falaram ao Expresso sobre a importância de uma série que expõe a realidade do serviço prisional norte-americano. No feminino

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

em Madrid

Jornalista

A Prisão Federal de Danbury, no Estado norte-americano do Connecticut, volta a abrir as portas ao público, sem que nenhuma das suas reclusas tenha saído. Precária só mesmo a situação por trás das grades. Privadas da liberdade, estas mulheres revelam em “Orange Is the New Black” os seus medos, desejos e vontades. Nem sempre é fácil reprimi-las e também não é bom que tal aconteça.

Piper Chapman, a protagonista inspirada em Piper Kerman — mulher da classe média-alta presa por um crime de tráfico de droga internacional cometido uma década antes —, já é tão reclusa como as demais. Ou até mais do que as restantes. Agora é respeitada e até temida (chegam a tratá-la por La Jefa), mas não será por isso que a sua história perde a essência. “O que vemos aqui são seres humanos em evolução. Nada é encoberto. A Piper está a aprender lições e não o faz de uma forma branda. É muito real”, explica Taylor Schilling ao Expresso sobre a sua personagem. Não se pense que enfrentar a Justiça e acabar encarcerado numa prisão é algo que apenas acontece aos outros, até porque “todos nós já tomámos decisões erradas”. Possivelmente acabaremos por pagar por elas. A verdade é que a série vai além da narrativa do ano que Piper — a original — passou na prisão e traz outros temas (assim como a história de mulheres muito diferentes de si) para a frente do ecrã.

Kate Mulgrew (que interpreta Red, a mulher de origem russa responsável pela cantina da prisão) defende a produção e enumera outros dos temas-chave do sucesso de “Orange Is the New Black”. “Fala sobre racismo, um tema fundamental para esta conversa, mas também sobre liberdade religiosa, sexo, drogas, poder ou capitalismo.” À conversa com os jornalistas ibéricos em Madrid, a veterana fala do quão feliz se sente por fazer parte do projeto, “o primeiro estritamente sobre mulheres e com mulheres”. Também conseguiu mudar a forma como os canais de televisão olhavam para as histórias sobre mulheres (e contadas da perspetiva destas), como explica a protagonista. “Ficou provado que a mulher a contar a sua própria narrativa, como ser humano, como mãe, namorada, amante, amiga, capta a atenção tanto das mulheres como dos homens”, considera Taylor Schilling. Kate Mulgrew, categórica, concorda. “‘Orange is the New Black’ está a quebrar barreiras na sociedade.” Os números, embora desconhecidos, também não mentem e dão-lhes razão. Ted Sarandos, diretor de conteúdos da Netflix, revelou que, ao contrário do que se pensa, não é “House of Cards” que lidera as audiências. “Orange Is the New Black” é a série mais vista do serviço.

O FUTURO A ELA(S) PERTENCE

Nem só de elenco se faz uma série e Jenji Kohan, a criadora de “Orange Is the New Black”, também não pode ser esquecida neste quadro de emoções. Foi ela quem pegou no depoimento de Piper Kerman (“Orange Is The New Black, O Ano Que Passei Numa Prisão de Mulheres”, Relógio d’Água) e fez dele um sucesso. Foi preciso juntar muitos ingredientes para que tudo desse certo, mas a verdade é que deu (já na série “Erva” havia dado).

Portugal não chegou a tempo de ver a estreia das três primeiras temporadas da produção norte-americana da Netflix, mas já teve tempo de pôr os episódios em ordem para o que aí vem. E não é pouco. Entretanto, a Netflix garantiu a continuidade da série na lista de programas de produção própria durante os próximos anos. Aos 13 episódios desta quarta temporada — com estreia marcada para sexta-feira — somar-se-ão, pelo menos, três outras fases da história. “Jenji e a sua equipa produziram uma série fenomenal e com impacto, que é tão divertida como dramática, tão ultrajante como sincera”, começou por elogiar Cindy Holland, vice-diretora de conteúdos da Netflix, que terminou o comunicado com aquilo que mais interessava aos que acompanham a história de Piper e companhia. “Estamos ansiosos para ver onde é que mais três temporadas as poderão levar.”

Enquanto continua a desenvolver “Orange Is the New Black”, a showrunner já terá de começar a pensar num novo projeto. “G.L.O.W.” (Gorgeous Ladies of Wrestling, sobre o universo da luta livre feminina na Los Angeles da década de 80) é a próxima aventura de Jenji Kohan e Tara Herrmann no serviço de streaming. Os primeiros 10 episódios, baseados em histórias reais, têm como fio condutor uma atriz que se torna apresentadora de um programa de televisão sobre mulheres lutadoras. Também esta parte do argumento é verdadeira. “G.L.O.W.” fez parte da antena norte-americana entre 1986 e 1990 e agora será tempo de descobrirmos como Kohan poderá dar a volta à história e fazer dela um sucesso. Certo é que o poder será delas, uma vez mais.

ORANGE IS THE NEW BLACK
De Jenji Kohan
Com Taylor Schilling, Kate Mulgrew, Laura Prepon, Uzo Aduba
Netflix, já em streaming
(Temporada 4)

O Expresso viajou a convite da Netflix