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Um like para ajudar a escolher o novo “rosto” do Teatro Carlos Alberto

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Susana Neves

Fachada do Teatro Carlos Alberto, no Porto, será sujeita a uma intervenção artística para potencializar aquilo que a arte urbana de melhor tem para oferecer. A concurso estão 36 propostas e o público é convocado para o processo de seleção

André Manuel Correia

Os edifícios têm uma identidade, capaz de definir o significado do contexto em que se inserem. Mas nada é imutável e tudo se transforma. Edificado a 14 de outubro de 1897, o Teatro Carlos Alberto (TeCA) procura agora por um novo rosto, capaz de proceder à atualização da sua própria tradição e que vá de encontro aos valores de uma cidade onde a história e o arrojo andam quase sempre de mão dada. Esse foi o mote para a convocatória, lançada a 27 de março, Dia Mundial do Teatro, que tem como missão proceder a uma intervenção artística na fachada da emblemática sala de espetáculos da Invicta.

Depois da fase de apresentação das várias propostas, o concurso encontra-se agora a decorrer e o público também é chamado a participar do processo de seleção. O vencedor será anunciado a 8 de julho.

Esta casa, antigo jardim de um palacete onde o teatro é rei, tem vindo, nos últimos anos, a ser assolada pelas constantes ‘tags’ esbatidas com spray e com um valor estético inócuo. Como forma de reverter essa tendência, foi lançado o desafio para que vários ‘street artists’ apresentassem, até 31 de maio, projetos capazes de conferir uma nova vida ao TeCA. Com isto, diferencia-se o grafiti, enquanto expressão cultural, do simples vandalismo. De igual modo, combate-se o preconceito relativamente à arte urbana.

Na era em que os likes são protagonistas, basta recorrer ao Facebook para escolher o projeto mais convincente entre os 36 sob apreciação. Pode fazê-lo aqui.

O público, através do seu voto de agrado inscrito nas imagens a publicar na página do Facebook do TNSJ, é um dos cinco elementos do júri de seleção, que integra ainda Francisca Carneiro Fernandes, presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Nuno Carinhas, diretor artístico do TNSJ, Nuno Lacerda Lopes, arquiteto autor do projeto de remodelação do TeCA, e Cláudia Melo , representante da Porto Lazer, estrutura que apoia a iniciativa.

Dar palco à arte urbana pode atrair novos públicos

Em declarações ao Expresso, Francisca Carneiro Fernandes destacou a importância de ver “qual era a sensibilidade pública para um projeto deste género”. A responsável mostra-se ainda confiante de que esta intervenção artística pode servir inclusivamente como um elemento de atração para pessoas habitualmente menos atentas ao teatro. “Também depende da proposta que vier a ser escolhida e se ela tem mais ou menos a ver com o teatro. Pode ser encarada meramente como valorização arquitetónica ou só em termos de arte urbana, mas pode também suscitar um maior interesse pela atividade que o Teatro Carlos Alberto desenvolve”, destacou.

As propostas apresentadas a concurso tiveram total liberdade temática. O processo criativo não foi sujeito a imposições, desde que os projetos, frisou a presidente do conselho de administração do TNSJ, “tivessem em atenção a atividade a que o edifício se dedica e o próprio contexto arquitetónico”.

No processo de escolha será tida em consideração “a singularidade e a originalidade dos projetos, bem como a experiência e o portfolio dos candidatos”, informou o TNSJ aquando do lançamento da convocatória.

A proposta selecionada começará a ser implementada a partir de 20 de agosto e os trabalhos devem estender-se até 15 de setembro. O prémio para o vencedor é no valor de 3 mil euros, a que se juntam mais 700 para ajudas de custo à produção.