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Colégio português reúne 800 cavaquinhos e bate recorde no Guinness

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Fotografias cedidas pelo CAIC

O Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), em Coimbra, reuniu pela segunda vez um número recorde de cavaquinhos no mundo inteiro. A segunda edição do evento, que desta vez pôs 803 cavaquinhos a tocar, pode fazer com que o colégio bata o seu próprio recorde no Guinness

Foi há uma semana que o som do cavaquinho encheu mais uma vez Cernache. O Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), na freguesia do concelho de Coimbra, pôs várias pessoas de diferentes pontos do país a mexer. Pessoas de várias idades, regiões, muitas das quais nem sequer se conheciam. O que as unia? O amor ao cavaquinho.

Foram 803 cavaquinhos que se reuniram a tocar a música alentejana “Eu ouvi um passarinho” no passado dia 4 de junho. Uma proeza que permitiu ao Colégio bater o seu próprio recorde, alcançado no ano passado quando conseguiu reunir 501 pessoas a tocar o “Tiro-Liro”, entrando assim para o Guinness. Músicas simples, com poucos acordes, para que todos possam tocar - já que os ensaios ocorrem sempre nas associações ou grupos de cada região até ao dia do evento, em que se faz um ensaio geral com o grupo inteiro.

“Há quem pense que este é um festival de música folclórica, mas não é nada disso. O principal fator é a divulgação do cavaquinho”, explica ao Expresso Rui Pinto, professor de Educação Musical do CAIC, que foi o principal impulsionador do evento.

Desde 2005 este instrumento é ensinado no colégio como parte da disciplina de Educação Musical (nos 5º, 6º e 7º anos), de forma a motivar os alunos. “Substituímos a flauta, da qual os alunos já estavam fartos, pelo cavaquinho”, explica, acrescentando que os estudantes continuam a poder tocá-lo até ao 12º ano. Nas aulas do professor Rui Pinto não se utilizam manuais escolares e, assim, os alunos podem poupar o dinheiro dos manuais para comprar o cavaquinho. “Mesmo assim, há pais que não podem pagar. E por isso temos alguns cavaquinhos disponíveis nas aulas de música para esses alunos.”

Fotografia cedida pelo CAIC

A ideia, o professor teve-a na sequência de uma conversa com o músico Júlio Pereira, presidente da Associação Museu do Cavaquinho, que este ano já reforçou a sua intenção de inscrever a prática deste instrumento como património nacional. “Ele contactou-me porque ficou surpreendido por ver tanta gente numa escola a tocar. Noutra conversa, falei-lhe da minha ideia de reunir o maior número de cavaquinhos em Portugal e, mais tarde, lembrámo-nos do Guinness.”

Dos cinco aos 94 anos

Lisboa, Torres Vedras, Coimbra, Almada, Sintra, Alcobaça, Leiria, Oliveira do Hospital foram algumas das regiões que marcaram presença neste dia, através de associações de cavaquinho, universidades de séniores ou outros grupos. Até utentes de centros de paralisia cerebral vieram para tocar e ajudar o colégio a bater o seu próprio recorde no Guinness.

“Vieram pessoas de todas as idades”, garante o professor. “O mais novo tinha cinco anos e o mais velho 94.”

Fotografia cedida pelo CAIC

“Este é um pretexto para juntar associações ligadas ao cavaquinho, músicos e construtores tradicionais”, assegura. “O Guinness é engraçado e um orgulho para o colégio, claro que sim. Mas é apenas um pretexto para divulgar e preservar o cavaquinho e pôr as pessoas em movimento por este instrumento”, explica, recordando que em 2015 dois grupos foram formados em Coimbra na sequência do evento.

Para o próximo ano, é para repetir a experiência e, mais uma vez, para elevar a fasquia: “desta vez, queremos juntar mil cavaquinhos.”