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John Oliver, o herói da televisão, compra $15 milhões em dívidas para alívio de nove mil pessoas

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Theo Wargo

No episódio de domingo, o comediante anunciou a criação de uma empresa de compra de dívida para pôr a descoberto negócio que arruina as vidas de milhares de pessoas nos Estados Unidos e no resto do mundo e acabou a fazer “história televisiva”, ultrapassando a apresentadora Oprah Winfrey

"Dívidas: a razão pela qual Nicolas Cage fez tão boas escolhas nos últimos anos." Foi assim, sob fortes gargalhadas, que foi inaugurado o episódio de domingo do "Last Week Tonight with John Oliver", um dos talk shows mais vistos da televisão norte-americana onde Oliver desconstrói uma série de mitos e desigualdades sociais com a piada e a ironia a que já habituou a sua legião de fãs.

Em episódios recentes, o comediante já explicou o lado pouco democrático do processo de primárias e caucus que precede as eleições presidenciais norte-americanas e a corrupção endémica no Brasil que levou ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência. No domingo, contudo, Oliver foi para lá das explicações sarcásticas, num episódio dedicado ao negócio negro da compra de dívidas.

O programa começou como todos os outros, com uma piada sobre a carreira infeliz de Cage em Hollywood seguida da explicação de como os bancos vendem dívidas a várias empresas por cêntimos de dólares, apesar de essas dívidas terem um enorme e nocivo impacto nas vidas de milhares de cidadãos comuns que não conseguem pagar os empréstimos contraídos.

Essas empresas, explicou Oliver, sabem pouco ou nada sobre os devedores aos bancos, mas mesmo assim têm comportamentos "predatórios", aproveitando-se do medo dos consumidores de serem alvo de processos judiciais. Algumas dessas dívidas são erros; outras são "dívidas zombie" que já foram pagas mas que continuam no sistema como estando por saldar.

Tudo isto foi explicado ao jeito bem-humorado de Oliver, mas desta vez o apresentador não se ficou pela desconstrução de mais uma teia de negócios duvidosos. A meio do episódio, o britânico declarou que é tão fácil criar uma empresa de compra de dívida que ele próprio decidiu criar uma: a Central Asset Recovery Professional, Inc., "ou CARP [carpa], como o peixe que come os restos do fundo" dos rios e lagos que habitam.

Ainda as gargalhadas não tinham terminado após essa piada e Oliver já estava a explicar que logo a seguir a criar a CARP, um comprador de dívida ofereceu-se para lhe vender quase 15 milhões de dólares de dívidas em despesas médicas (mais de 13 milhões de euros) por menos de 60 mil dólares (quase 53 mil euros). E foi aí que anunciou que comprou essas dívidas de quase nove mil pessoas apenas para lhes tirar esse peso de cima, ou seja, para lhes perdoar o dinheiro devido.

"Estão preparados para fazer história televisiva?", questionou à audiência em êxtase. "Esta noite, ao meu sinal, com o poder sobre mim investido como diretor-executivo do conselho de administração da CARP, dou início ao processo de perdão de dívida. F— you, Oprah!", gritou ao clicar num botão vermelho simbólico.

Foi a piada que encerrou o episódio, um que confirmou Oliver como herói da pequena tela americana, numa referência a um episódio do programa de Oprah Winfrey, no natal de 2004, em que a apresentadora surpreendeu a audiência ao anunciar um total de oito milhões de dólares em presentes enquanto gritava "Tu recebes um carro! Tu recebes um carro! Toda a gente recebe carros!"