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Berardo disposto a negociar ‘desconto’

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tiago miranda

O empresário diz que o que quer é renegociar de forma justa o acordo com o Estado para cedência da sua coleção: “Não estou muito exigente”

A seis meses do final do contrato de cedência da Coleção Berardo ao Estado em regime de comodato, o empresário madeirense já só tem um desejo: “Continuar com o depósito das peças.” A ideia de vender a coleção “está fora de questão”. O comendador já sabe que o Estado não tem dinheiro para comprar o acervo avaliado em 316 milhões de euros e não quer perder o escaparate que é o museu português sustentado, no que respeita ao funcionamento, pelo Governo e por todos os contribuintes. “Não fiz o meu museu porque sempre considerei este o museu dos portugueses”, faz questão de frisar.

No entanto, o termo do protocolo, a 31 de dezembro de 2016, dez anos após a sua assinatura, anuncia o início de um outro contrato. A manutenção da Coleção Berardo em Portugal faz parte do programa do Governo e o empresário sabe que pode renegociar as contrapartidas que o Estado lhe terá que oferecer. Do seu lado, pretende que o financiamento público seja atribuído ao museu por períodos bienais, em vez de anuais como acontece atualmente, e que não haja incumprimento por parte do Estado. “Não pagam desde março!” De resto, afirma: “Não estou muito exigente, tem é que ser um acordo justo.”

Não é difícil perceber que, nestes termos, a coleção continua a pertencer-lhe e a valorizar-se. As peças mais emblemáticas do acervo “já triplicaram o seu valor”. Se o Governo mantiver a opção de compra, a verba para adquirir a coleção será “muito mais elevada”.