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São Francisco: If you go to...

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O SFMoMA reabre hoje. Mais um motivo para ir até à cidade mais europeia dos EUA

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

Se nunca esteve em São Francisco, uma primeira boa ideia é meter-se num autocarro daqueles que fazem uma visita pela cidade. Começa pela famosa Chinatown, onde poderá recordar Faye Dunaway e Jack Nicholson no filme com o mesmo nome realizado por Roman Polanski. Em Little Italy, o guia há de indicar-lhe o restaurante Zoetrope, de Francis Ford Coppola. Um aviso: Coppola também faz vinhos, mas só escapa o blend. O autocarro para depois no Pier 39. Vai encontrar a maior concentração de leões-marinhos que alguma vez viu. No mesmo local pode apanhar o barco e ir ver Alcatraz, onde Al Capone esteve preso. Em seguida chega ao Golden Gate Park. É obrigatório sair para ver as magníficas coleções de pintura e escultura do de Young Museum. Mesmo em frente, na California Academy of Sciences, pode experimentar a sensação de um terramoto ou entrar numa verdadeira floresta tropical, com centenas de borboletas vivas. Passe depois pelo bairro hippie, com casas psicadélicas, onde viveram Jimmy Hendrix e Janis Joplin. Quando finalmente sair do autocarro, vá direito ao Pier 1. É lá que se comem as melhores e a maior variedade de ostras do mundo, além de haver muitos outros excelentes bares e restaurantes.

No dia seguinte, claro que tem de atravessar a Golden Gate Bridge (1). É igualzinha à nossa ponte sobre o Tejo (não admira, foram os mesmos engenheiros que a fizeram). E do lado de lá almoce em Sausalito. É também imperdível o Museu de Arte Moderna de São Francisco (SFMoMA) (2). Abre, totalmente remodelado, precisamente hoje, 14 de maio. Em seguida vá até ao Yerba Buena, um quarteirão com múltiplos restaurantes e espaços culturais. Perto estão o Museu Judeu e o Museu da Diáspora Africana (MoAD).

Depois, meta-se num avião para Las Vegas. Uma vez na vida é obrigatório ver uma cidade onde tudo faz de conta. Os ricos que não são ricos, a classe média que se julga rica, a rua principal, que é a única onde há glamour sem criminalidade. Ali encontra os melhores hotéis do mundo, com casinos por todo o lado, mais o Homem Aranha, coelhinhas da “Playboy”, o Darth Vader e tipos com cartazes e altifalantes a gritar que Vegas é a cidade do pecado e que tudo vai acabar pessimamente. À noite tem inúmeros espetáculos, de Jennifer Lopez ao Cirque du Soleil.

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d.r.

Cheio de Vegas, alugue um carro e vá percorrer a estrada mais bonita do mundo (segundo os americanos), a California State Route 1/US 101, nomeadamente o troço do Big Sur. Parta de Carmel, uma cidade lindíssima junto à praia, que foi governada por Clint Eastwood, até San Luis Obispo. Pode aproveitar e ir até Santa Barbara, em cuja universidade Jorge de Sena foi professor. Nessa estrada que serpenteia ao longo da costa californiana do Pacífico, pode encontrar a Henry Miller Memorial Library (um centro de artes performativas e uma livraria), o restaurante Nepenthe e a espantosa colónia de leões-marinhos, em Piedras Blancas Light.

Depois, regresse a São Francisco e apanhe o avião de volta. Vai ver que nunca mais se esquece da cidade mais europeia dos Estados Unidos, com muitas semelhanças com Lisboa (os elétricos amarelos, as colinas, a ponte...). Um conselho: mesmo que vá no verão leve uma boa camisola. Como disse Mark Twain, que lá viveu no início do século XX: “O inverno mais frio que passei na minha vida foi um verão em São Francisco.

Postal

Antelope Canyon

De Las Vegas a Lake Powell são quatro horas e três estados: Nevada, Utah e Arizona. Instale-se no Lake Powell Resort, à beira do lago e envolto por uma avassaladora paisagem rochosa. No dia seguinte rume a Antelope Canyon. Lá será acompanhado por guias índios. Entrará nas formações rochosas, modificadas todos os anos pelas cheias do deserto e repletas de orifícios por onde a luz entra, produzindo extraordinárias imagens e cores fabulosas, entre o ocre e o castanho: um paraíso para todos os fotógrafos. Ver Antelope Canyon é tocar a beleza e o mistério da vida.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 14 maio 2016