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FITEI dá protagonismo à cenografia e ao teatro chileno

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D.R.

Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica apresenta-se numa versão “musculada” e abre-se a novas latitudes

André Manuel Correia

A 39.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) realiza-se entre 28 de maio e 19 de junho, no Porto, e a programação deste ano estará subordinada ao tema da cenografia. O teatro chileno é outro dos destaques, com uma semana na qual vão ser exibidos dois espetáculos desse país latino-americano.

Para o diretor artístico, Gonçalo Amorim, esta é “uma programação que tenta que o tema fique livre de preconceitos” e realça que ao falar-se de cenografia torna-se possível refletir sobre a própria economia do teatro. “Que tipo de teatro temos e queremos?”, é umas das interrogações a que, na opinião do responsável, esta edição do festival pode dar resposta.

O FITEI arranca a 28 de maio com o espetáculo francês “Suite N.º2”, uma criação de Joris Lacoste na qual se cruzam “palavras que lutam, palavras que sofrem, palavras que dão esperança”, entre muitas outras. O espetáculo conta com música de Pierre-Yves Macé.

No dia seguinte há lugar para um momento teatral ao ar livre, nas Águas do Porto, com o “Concerto para Estrelas” de Catarina Lacerda. A peça “entende a paisagem como lugar dialogante com o humano na sua escala geográfica e sensorial”, pode ler-se na sinopse do espetáculo que transporta o público para uma experiência imersiva. “A proposta é que o espectador contacte com o som que estamos a criar e se relacione com a paisagem”, explicou Catarina Lacerda durante a apresentação.

A 1 e 2 de junho apresentam-se “Las Ideas” no TNSJ, uma produção que chega desde a Argentina assinada por Federico León. “Um artista e o seu colaborador trabalham no estúdio deste último para desenvolver diferentes projetos artísticos. O que parece ser um encontro informal entre dois amigos converte-se paulatinamente numa intensa jornada criativa”, lê-se no texto de apresentação.

Nos dias seguintes, 3 e 4 de junho, o Teatro Rivoli recebe a criação portuguesa “Pirandello”, agraciada com o prémio de melhor cenografia pela Sociedade Portuguesa de Autores. O ponto de partida para este enredo é o momento em que Mattia Pascal ganha uma pequena fortuna num casino e ao regressar a casa se depara com o seu próprio funeral.

A 11 de junho “A Noite Canta” no Teatro Campo Alegre. A trama apresenta a história de um jovem casal com um filho recém-nascido. “Num último esforço para a realização individual, os desejos de ambos colidem de forma assoladora”, lê-se na sinopse deste espetáculo de Tiago Correia.

Entre 15 e 17 de junho, no TNSJ, há lugar para uma viagem queirosiana com a peça “Nunca Mates o Mandarim”, uma encenação do próprio Gonçalo Amorim a partir da novela de Eça de Queirós. “É um Fausto à portuguesa”, comparou o encenador em jeito de brincadeira.

Festival “musculado” termina com semana dedicada ao teatro chileno

Uma das apostas na programação de 2016 é a dramaturgia chilena. Entre 15 e 16 de junho, o Teatro Carlos Alberto abre as portas para “El Señor Galindez”, uma encenação de Antonio Altamirano. Nesta peça estabelece-se “uma procura que permita reconhecer a naturalização institucional da violência como óbvia e inquestionável, desde a subjetividade promovida pela estruturas policiais, militares, carcerárias e paramilitares chilenas”, pode ler-se no texto de apresentação.

O FITEI terminará em Matosinhos, no Cine-Teatro Constantino Nery, com mais um projeto chileno: “Los Millonarios”, do Teatro La Maria (Chile), uma comédia negra sobre o conflito mapuche, o povo indígena mais numeroso daquele país e que luta pela recuperação do seu território ancestral.

A programação contempla ainda debates, workshops, “masterclasses”, exposições e seminários, o que faz com que “o festival seja uma oportunidade de parar e de refletir”, sublinhou Gonçalo Amorim.

Também o diretor do Teatro Municipal do Porto (Rivoli e Campo Alegre), Tiago Guedes, esteve presente na apresentação. “Houve uma vontade de muscular o FITEI. É um festival muito importante, tem passado várias gerações e está numa fase muito boa”, frisou o responsável pelo TMP, que é um dos parceiros deste festival e contribuiu com um apoio de 45 mil euros.

Para a edição de 2017, que servirá para comemorar os 40 anos do festival, Gonçalo Amorim adiantou que a programação irá refletir os territórios comuns.