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Paulo Mendes da Rocha recebe Leão de Ouro da Bienal de Veneza

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O novo edifício do Museu dos Coches tem a assinatura de Paulo Mendes da Rocha

José Carlos Carvalho

Prémio de carreira para o arquiteto brasileiro responsável pelo novo edifício do museu dos Coches em Lisboa

A Bienal de Arquitetura de Veneza acaba de atribuir o Leão de Ouro de carreira ao arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, autor do novo edifício do Museu dos Coches, em Lisboa.

Prémio Pritzker em 2006, Mendes da Rocha teve em Lisboa a colaboração do arquiteto Ricardo Bak Gordon. O edifício abriu ao público a 23 de maio do ano passado, dois anos após a conclusão das obras.

Com 87 anos de idade, Paulo Mendes da Rocha é natural de Vitória, Espírito Santo, no Sudeste do Brasil. Muito jovem muda-se para São Paulo, onde se forma em arquitetura em 1954. Sempre muito ligado ao ensino da arquitetura, foi professor de projeto de 1961 a 1999 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Começa por se distinguir pela grande qualidade de um vasto conjunto de obras residenciais e acaba por ter grande relevância mesmo no domínio da reflexão e da teoria sobre a arquitetura.

Perseguido pela ditadura militar brasileira devido ao que entendia dever ser o compromisso social dos arquitetos, teve de abandonar temporariamente o ensino, mas acaba, ainda assim, por vencer o concurso para o Pavilhão do Brasil na Expo'70 em Osaka, no Japão. Fazia equipa com Jorge Caron, Júlio Katinsky e Ruy Ohtake.

Em 2001, recebe o II Prêmio Mies van der Rohe de arquitetura latino-americana pelo seu projeto da Pinacoteca de São Paulo.

Autor de obras como o Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), ou o Museu da Língua Portuguesa, ambos em São Paulo, Mendes da Rocha faz parte de uma geração de arquitetos muito ligados ao Movimento Moderno, em cujo trabalho é detetável a influência de referências como Le Corbusier, o russo Gregori Warchavchik ou o também brasileiro Oscar Miemeyer.