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Séries de ficção norte-americanas chegam cada vez mais depressa à Europa e à Austrália

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d.r.

As janelas de tempo da programação de séries têm vindo a reduzir-se acentuadamente em países relevantes para a indústria da ficção norte-americana, com uma ‘mudança pronunciada’ no intervalo de tempo que medeia entre as estreias nos Estados Unidos e as primeiras exibições nos canais internacionais, conclui um estudo de mercado realizado pela empresa de pesquisa IHS Technology

Luís Proença

O resultado indica claramente que ‘o efeito Netflix’ – a política determinada pelo (maior) distribuidor de streaming de lançar a sua ficção original simultaneamente em todos os territórios - transformou o negócio da distribuição televisiva no último par de anos”, assinala o relatório elaborado pela IHS Technology dedicado à análise dos padrões de lançamento das séries produzidas em Hollywood nos mercados internacionais.

O fenómeno de compressão destas janelas temporais têm vindo a ocorrer sobretudo no Reino Unido, Austrália, França e Alemanha, indica o relatório. O encurtamento mais acentuado verifica-se em França, onde em média o intervalo de tempo entre a première nos Estados Unidos e a exibição no país é atualmente de 32 dias, quando no período entre 2014 e 2015 se fixava nos 159 dias. O estudo indica, porém, que há um modelo a “duas velocidades” em França, dependendo das plataformas de distribuição. A acelerar por um lado no que diz respeito aos serviços de subscrição pagos por streaming ou através dos canais de cabo premium e a tornar-se mais lenta com a passagem dos anos, por outro lado, nos canais de televisão aberta e gratuita.

FRANÇA, REINO UNIDO E AUSTRÁLIA NO TOP TRÊS

No Reino Unido e na Austrália, a janela é de 37 dias, quando há um ano era de 120 dias. A IHS conclui que no Reino Unido o apetite pelo encurtamento das janelas é igualmente mais voraz entre os operadores de televisão paga do que entre os de televisão aberta. Ainda anteontem, a Sky Atlantic emitiu o primeiro episódio da sexta temporada da “Guerra dos Tronos” em simultâneo com a HBO nos Estados Unidos. A grande fatia das aquisições de direitos de transmissão das séries de ficção norte-americanas durante ano passado no Reino Unido foi feita por canais e operadores de televisão paga e OTT (34%), passando os canais ‘aerial’ para segundo plano (17%).

De assinalar que na Alemanha as janelas não estão a fechar assim tão depressa, mas vão fechando de qualquer modo: 61 dias neste momento, vs 170 na temporada televisiva passada.