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Casa da Música regressa à União Soviética

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"Surrealismo Socialista" é o tema para este ano do ciclo Música e Revolução

Com a Rússia como país tema em 2016, o ciclo Música e Revolução não poderia passar ao lado de grandes obras nascidas no tempo e no muito particular ambiente criativo existente na União Soviética, em particular nas primeiras décadas do século XX. Há avanços e recuos. Há músicos muito queridos depois tornados mal-amados. Há obras de glorificação da Revolução de Outubro e do 1º de maio e há obras proibidas, renegadas, depois reabilitadas. E há, por isso mesmo, um imperdível "Back in the USSR" assegurado por dezenas de músicos de bandas rock da cidade.

Comecemos pelos clássicos. Sergei Prokofieff, Chostakovich e Nikolai Miaskovski abrem amanhã a 11ª edição do ciclo apostado em apresentar e olhar as músicas tornadas símbolo de uma atitude revolucionária, seja pelos novos caminhos estéticos propostos, seja por se integrarem em movimentos sociais de rotura.

A partir das 18 horas, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, com direção musical de Baldur Brönniman apresenta “Passacaglia de lady Macbeth do districto de Mtsenk”, de Dimitri Chostakovitch. Segue-se “Silêncio”, de Nikolai Miaskovski e, por fim, com a participação do Coro da CdM, a “Cantata para o 20º aniversário da revolução de Outubro”, de Sergei Prokofieff.

Muito glorificada na época pela sua exaltação dos valores soviéticos e por ser entendida como integrada numa perfeita simbiose com a doutrina do realismo socialista, a Cantata de Prokofieff contrasta com as críticas feitas à obra de Chostakovitch. “Caos em vez de música”, ter-se-à escrito no Pravda a propósito de “Lady Macbeth”, recorda ao Expresso António Jorge Pacheco, diretor artístico da casa. Até então, o compositor era tido como uma das referências maiores da música produzida na URSS.

Outro caso de ascensão e queda é protagonizado pelo terceiro nome do programa de amanhã. Nikolai Miaskovski, um dos compositores mais premiados no período de José Estaline – recebeu o Prémio de Artista do Povo da URSS e diversas vezes o Prémio Estalien - acabou banido de apresentações públicas para só muito mais tarde vir a ser recuperado. O poema sinfónico “Silêncio” é inspirado num poema de amor de Edgar Allan Poe.

“Back in USSR”, o célebre tema dos Beatles será, por proposta do Serviço Educativo, recreado em palco por dezenas de músicas de bandas rock que habitualmente ensaiam no Centro Comercial Stop. É na próxima terça-feira a partir das 21horas.

O ciclo regressa em força a 29 de abril, sexta-feira, com obras de Elena Firsova, Edison Denisov e Chostakovich, de quem será apresentada a suite do bailado “O Parafuso” e a Sinfonia nº 2, dedicada a Outubro e feita para celebrar o 10º aniversário da Revolução de 1917. Participam o Remix Ensemble, a Orquestra Sinfónica e o Coro da Casa da Música.

A 1 de maio, e para lá da sinfonia nº3, 1º de maio, de Chostakovich, com a Orquestra e o Coro da CdM, dirigididos por Vassily Sinaisky, há uma primeira parte com o Remix Ensemble, sob a direção de Pedro Neves. Com a participação da soprano Christina Daletska serão apresentadas as obras “Concordanza”, de Sofia Gubaldulina, e “La vie en rouge”, de Edison Denisov.