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Restauro de castelo espanhol está a gerar controvérsia

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Um desmoronamento, em 2013, deixou praticamente irreconhecível o Castelo de Matrera (em Villamartín, na região de Cádis, em Espanha). O sucedido afetou particularmente a torre que se destacava na paisagem. Propriedade de um privado, o castelo mereceu entretanto uma intervenção de restauro que mereceu a aprovação da Junta de Andalucia

As opções dos arquitetos responsáveis levantaram todavia vozes de protesto, tendo havido quem comparasse o projeto de recuperação da torre à pintura que uma idosa resolveu, há poucos anos, “restaurar” de sua iniciativa, numa igreja em Borja. Agora, para acentuar o contraste das opiniões, o projeto acaba de vencer um dos prémios Architizer A+, triunfando na votação do público na categoria Arquitetura + Preservação, que, contudo, apontou a escolha do júri a um projeto de recuperação de um edifício de apartamentos em Los Angeles.

A edição deste ano destes prémios de arquitetura contou com mais de 400 mil votos provenientes de cerca de cem países e, por ter sido um dos eleitos, o castelo de Matrera figurará num livro que recolherá todos os demais projetos vencedores. A entrega dos prémios decorrerá numa gala a realizar a 12 de maio em Nova Iorque e nela estará presente o arquiteto Carlos Quevedo, um dos responsáveis por esta intervenção.

O projeto no Castelo de Matrera, assinado pelo atelier Carquero Arquitectura, seguiu os princípios do “restauro crítico”, usando materiais historicamente compatíveis com o local e levantou a torre às suas dimensões originais, restaurando assim também a sua volumetria, recolocando os fragmentos desmoronados nas posições de origem e completando a estrutura com paredes de linhas simples. O seu aspeto final, contudo, gerou contestação. Uma das vozes mais críticas proveio da associação Hispania Nostra cujo vice-presidente questionou ao “El País” se não estariam a esbater-se ali as fronteiras do novo e do original, descrevendo o restauro como “uma vergonha para Espanha” e um “desprestígio”.

Contudo, em declarações ao ABC, o arquiteto responsável pelo projeto admitiu que, em vez de afetar o perfil internacional do restauro do castelo, a polémica acabou por lhe dar visibilidade. Carlos Quevedo acrescentou inclusivamente que todo este caso os “favoreceu” e que nestes últimos tempos estabeleceu muitos contactos com outros escritórios e ateliers internacionais.