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Possível Caravaggio achado num sótão em França

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Quando o dono de uma casa, na região de Toulouse (França), subiu ao sótão para fazer a reparação de uma rutura no telhado descobriu o que não imaginara nunca que ali estivesse: uma pintura que, entretanto estudada e avaliada, foi atribuída por alguns especialistas a Caravaggio. Apresentada esta semana em Paris, a obra foi dada, por Eric Turquin, conhecedor da obra do mestre pintor, como podendo valer 120 milhões de euros

Pintado entre 1600 e 1610 e com as medidas de 144 cm por 175 cm, o quadro apresenta uma representação da cena bíblica da decapitação do general Holofernes por Judite. Uma outra versão do mesmo tema, pintada por Caravaggio, está exposta na Galleria Nazionale d’Arte Antica, em Roma. O quadro, que fora danificado por uma rutura anterior no sótão onde estava há cerca de 150 anos, foi originalmente adquirido em Espanha por familiares do atual proprietário, que ali cumpriram serviço durante os tempos de Napoleão, levando-o para França quando regressaram a Toulouse.

Achado há cerca de dois anos pelo seu atual proprietário, foi entretanto submetido a vários estudos, tendo a apresentação em Paris mostrado dados colhidos na sua análise por raios X pelo francês Stephane Pinta. Turquin explicou, na ocasião, que esta obra apresenta a luz e a energia características da pintura Caravaggio, observando que terá sido executada com uma mão firme, sem cometer erros, o que a seu ver indica que será não apenas autêntica como da autoria do grande mestre cuja obra marcou a reta final do renascimento italiano e exerceu logo depois importante influência na pintura barroca. Subscrevendo a tese de Turquin, há uma opinião igualmente favorável por Nicola Spinoza, antigo diretor de um museu de Nápoles e especialista em Caravaggio, que, em declarações à AFP, não só deu o quadro como sendo um “verdadeiro original” do pintor nascido em Milão em 1571, reconhecendo nele detalhes que o permitem ser “quase certamente identificável”, apesar de rematar, com cautela, que não há contudo ali provas “tangíveis ou irrefutáveis”.

A atribuição deste quadro a Caravaggio não está a ser contudo unânime. O próprio Turquin admitiu que alguns especialistas apontaram-no como sendo de Louis Finson, pintor e negociante flamengo que tinha obras de Caravaggio e fez cópias de algumas. O governo francês, depois de um estudo do quadro por técnicos do Louvre, impediu já, contudo, a sua exportação.