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José Eduardo Agualusa passa à fase seguinte do Man Booker International Prize

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Tiago Miranda

Lista de 13 finalistas anunciada pela Fundação Booker Prize em março foi reduzida para apenas seis autores e respetivos tradutores, que disputam prémio de 50 mil libras pelo melhor livro estrangeiro traduzido para o inglês. O outro único escritor lusófono da primeira lista, o brasileiro Raduan Nassar, ficou pelo caminho

O escritor angolano José Eduardo Agualusa é um dos seis finalistas do Man Booker International Prize deste ano, anunciou esta quinta-feira a organização, a par de Elena Ferrante (Itália), Han Kang (Coreia do Sul), do dissidente Yan Lianke (China), Orhan Pamuk (Turquia) e Robert Seethaler (Áustria)

Agualusa foi selecionado pelo livro “General Theory of Oblivion” (“Teoria Geral do Esquecimento”), traduzido para o inglês por Daniel Hahn, que conta a história de uma mulher que se fecha em casa na véspera da independência de Angola e que passa os 28 dias seguintes a viver de vegetais e pombos até uma criança lá fora começar a interagir com ela. Para os jurados do prémio, a obra do autor angolano é "um retrato único de uma sociedade em fluxo".

Os seis autores foram escolhidos a partir da lista de 13 finalistas anunciada a 10 de março, na qual se integrava outro autor de língua portuguesa, o brasileiro Raduan Nassar, e que foi compilada a partir das 155 candidaturas recebidas para a edição deste ano. O prémio de 50 mil libras (quase 63 mil euros) será dividido entre o escritor galardoado e o seu respetivo tradutor.

Com seis línguas representadas no Man Booker International Prize 2016 e quatro países a surgir pela primeira vez — Angola, Áustria, Coreia do Sul e Turquia — o júri destaca a diversidade "emocionante" da shortlist deste ano.

Tanto Agualusa como Pamuk já tinham vencido anteriormente o prémio de ficção estrangeira independente, que era entregue anualmente até ao ano passado, altura em que foi unido ao Man Booker International Prize. A fusão trouxe algumas novidades: o prémio que até 2015 era entregue a cada dois anos para destacar a obra completa de determinado autor, passou a ser anual e a relevar um só livro. Jonathan Taylor, presidente da Fundação Man Booker, defendeu as alterações pelo facto de a anterior tradição estar a levar o prémio internacional a perder momentum.