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Revolução criativa em Guimarães com PAUS, punk e Filho da Mãe

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D.R.

A 3ª edição do festival “Westway LAB” apresenta, entre quinta-feira e sábado, um cartaz dedicado à produção musical que leva PAUS, Filho da Mãe, “The Membranes” e os holandeses “MY BABY” até Guimarães

André Correia

Não existe produção artística sem experimentação e sem transgressão. Antes de qualquer obra adqurir forma, primeiro vem sempre o verbo e entre quinta-feira e sábado, em Guimarães, o verbo é criar. Isto é o mesmo que dizer que o festival “Westway LAB” está de volta, na sua terceira edição, e tem por objetivo fomentar a criação artística e apresentá-la ao público. Além de bandas e artistas emergentes, nomes consolidados da música independente, como PAUS, Filho da Mãe ou os holandeses “MY BABY”, sobem ao palco do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) no último dia do cartaz.

Ao contrário de outros festivais, nos quais os artistas se limitam a apresentar o produto ao público, o “Westway LAB” assenta fundamentalmente no estímulo à exploração, em busca de novos horizontes estéticos, e proporciona a troca de experiências entre os vários artistas. Ao Expresso, o diretor artístico Rui Torrinha explicou que o conceito surgiu como um “desafio” a si próprio: criar um festival no qual “os artistas se envolvam e colocá-los num ponto de liberdade total”. O “Westway LAB” é, assim, um “festival de processo”, onde se pretende “gerar mais-valias para quem nele se envolve” e “ajudar à exportação de alguns artistas portugueses”, realçou o diretor artístico.

Após a realização de residências artísticas no Centro de Criação de Candoso, com início a 6 de abril e que juntaram artistas de vários estilos e países, os produtos finais alcançados ao longo do processo exploratório serão apresentados ao público em “showcases” realizadas no Café Concerto do CCVF. As apresentações decorrem esta quinta e sexta-feira, pelas 22h.

Punk também pode ser para meninos de coro

Também na sexta-feira, pelas 21h, o Grande Auditório do CCVF acolhe o concerto da banda punk britânica “The Membranes”, que conta nesta atuação com a participação do Coro de Jazz do Convívio. Um encontro improvável e único entre dois estilos musicais muito distintos.

No sábado à tarde, último dia do festival, realiza-se a iniciativa “GigMit Stage”, com três bandas selecionadas através de um “open call” ao qual responderam mais de 200 formações musicais de todo o mundo. “Suzie Stapleton”, “Sleepwalker’s Station” e “Fortnight in Florida” são as bandas escolhidas que subirão ao palco do Café Concerto do CCVF, a partir das 17h.

À noite, o “Westway Lab” termina com o concerto de Filho da Mãe, às 21h30, no Pequeno Auditório, e a partir das 22h30, no Grande Auditório, sobem ao palco os holandeses “MY BABY”, seguidos pelos portugueses PAUS, para um espetáculo de “pura força rítmica de um quarteto português apostado em fazer suar quem assiste na plateia”, anuncia a organização do festival.

Quebrar padrões de trabalho

As sessões de “showcases” e o “GigMit Stage” são de entrada livre e um passe para os três dias, no valor de 15 euros, dá acesso a todos os restantes concertos. As “Talks” estão também de regresso e representam uma das atividades mais acarinhadas por serem um momento para conhecimento mútuo entre os artistas e o público da cidade num ambiente informal e descontraído. Estas iniciativas decorrem nos dias 14 e 15 de abril, às 18h00, no restaurante Cor de Tangerina (dia 14) e no Tio Júlio (dia 15).

Ao longo dos três dias do programa, artistas e entusiastas musicais poderão também encontrar-se, no Palácio Vila Flor, nas “Conferências PRO”. O destaque vai para duas palestras com duas figuras de relevo na indústria da música independente internacional: Charles Caldas, da editora discográfica “Merlin”, e Helen Smith, da “Impala”. Nas várias sessões o enfoque recairá sobre novos festivais de música europeus, direitos musicais, edição de música e o trabalho de supervisão musical em trabalhos audiovisuais, informa a organização.

Ao Expresso, Rui Torrinha disse ainda que a adesão do público ao festival tem sido crescente. “Há uma reação de estranheza, mas também de envolvimento”, garantiu o responsável, que pressente uma “revolução criativa” na cidade com uma nova vaga de bandas. “É preciso quebrar padrões de trabalho que promovam a força da criação”, conclui.