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Gisela João e B Fachada na terceira edição do “Cultura em Expansão”

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A cultura volta a invadir vários bairros sociais do Porto, que servem de palco, entre abril e dezembro, a artistas de renome e a moradores locais

André Correia

A música, o cinema, o teatro e a dança, assim com vários laboratórios de criação artística que envolvem a comunidade, voltam a alastrar-se por toda a cidade do Porto. A fadista Gisela João, o cantautor B Fachada e o pianista Pedro Burmester são três dos nomes que constam no programa da terceira edição do projeto “Cultura em Expansão”, que tem início a 25 de abril e se prolonga até dezembro.

O evento artístico, promovido pela Câmara do Porto, foi apresentado esta segunda-feira em conferência de imprensa pelo presidente da autarquia, Rui Moreira, que considerou este um “projeto central” na promoção da arte e um sinal do “espírito de resistência da cultura na cidade”.

Na apresentação esteve também o adjunto de Rui Moreira no pelouro da Cultura, Guilherme Blanc, para quem esta iniciativa é uma forma de “construir um conjunto de oportunidades culturais” para os residentes de bairros sociais. O responsável acrescentou ainda que a edição de 2016 apresenta “novas fórmulas programáticas” e tem como objetivo “robustecer um conjunto de veículos de exploração do território”.

Reforço da oferta musical

Desde logo, a aposta na música torna-se mais forte nesta terceira edição. O projeto “A cada um a sua música” apresenta à comunidade portuense cinco concertos de músicos reconhecidos do panorama musical português. Os espetáculos possuem a particularidade de serem cenografados por artistas das mais diversas disciplinas, desde a arquitetura às artes visuais.

O programa musical arranca, simbolicamente, a 25 de abril, pelas 17h, com um concerto da fadista Gisela João, no bairro da Bouça, com uma cenografia que resulta do trabalho desenvolvido pelo arquiteto José Capela em conjunto com moradores locais.

A 18 de junho, o bairro da Pasteleira acolhe o concerto de Pedro Burmester, “um dos mais conceituados pianistas no panorama nacional”, destaca a organização. O pianista, natural do Porto, iniciou a sua atividade concertística aos 10 anos e realizou até hoje mais de mil espetáculos em Portugal e no estrangeiro. Para esta atuação, Pedro Burmester conta com a participação de Luís Duarte e Pedro Borges e a cenografia fica a cargo da Mónica Baptista.

O autor e intérprete B Fachada é outra das figuras cimeiras no cartaz do “Cultura em Expansão”. O concerto realiza-se a 9 de julho, na Associação Recreativa de Malmequeres de Noêda, em Campanhã, onde decorreu a conferência de imprensa de apresentação do programa. O espetáculo contará com uma cenografia inédita criada por Catarina Barros, do Teatro Experimental do Porto.

A Banda Marcial da Foz do Douro, o Quarteto de Cordas de Matosinhos, a Banda Marcial da Foz e uma parceria entre os Glockenwise e a Orquestra Juvenil da Bonjóia são outras das ofertas musicais.

Também o cinema marca uma presença forte neste festival de cariz social, com a organização a oferecer mais de 45 sessões de cinema ao longo de oito meses. A sétima arte vai andar em circulação, de forma quinzenal, pelas associações de moradores da Pasteleira, Mouteira, Lomba e Falcão. No Auditório do Centro Paroquial de Aldoar realizam-se quatro cineconcertos, com obras “fundamentais” do cinema musicadas ao vivo, enaltece a organização.

Nas artes performativas, destaque para a peça de teatro “Rifar meu coração”, dirigida por Mónica Calle e na qual o trabalho dramatúrgico parte da ligação com o território, Bairro da Sé, e da descoberta das suas particularidades. O espetáculo, em cena entre 11 e 17 de julho, inclui atores e não-atores.

Em “Arquipélago – O Mundo é Redondo”, com encenação de Nuno Cardoso e música original do guitarrista Peixe, encontramos uma obra que “versa os mistérios do mundo globalizado e o jogo de distâncias e aproximações inesperadas através do qual o bairro o intui e representa”. Esta produção da companhia Ao Cabo Teatro vai passar por seis bairros da cidade (ainda por anunciar) e procura “rever musicalmente a distância e a posição de cada um num mundo povoado de pessoas singulares e livres”, pode ler-se no programa.

OUPA! É para continuar

Por fim, destaque para o projeto de intervenção social e artística “OUPA!”, liderado pelos músicos André Tentugal e Capicua, em colaboração com o videasta Vasco Mendes. Na edição de 2015, este projeto foi desenvolvido no Cerco e este ano viaja até Ramalde. O “OUPA!” tem como finalidade fomentar a capacitação e o empoderamento de jovens de bairros sociais, através de uma residência artística com a duração de seis meses. São promovidas oficinas de escrita, produção musical, vídeo e performance que culminarão com a apresentação de um espetáculo final no Teatro Rivoli, a 18 de dezembro.

Durante a conferência de imprensa, Rui Moreira revelou que o “Cultura em Expansão” teve um custo de 150 mil euros para a autarquia. Este projeto agrega várias associações culturais da cidade e conta com o apoio da empresa MotaEngil e da Fundação Manuel António da Mota.