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Os “Universalistas” tomam conta de Paris

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António Pedro Ferreira

Arquitetura portuguesa contemporânea estará em debate e em exposição na capital francesa a partir da próxima segunda-feira, numa iniciativa insierida nas comemorações dos 50 anos da presença da Fundação Gulbenkian naquela cidade

“Os Universalistas – 50 anos de arquitetura portuguesa” é o título escolhido para a grande iniciativa promovida pela Gulbenkian em Paris a partir da próxima semana, com inauguração de uma exposição e a realização de um conjunto de debates com a participação de grandes nomes da arquitetura portuguesa e francesa de várias gerações.

Comissariada por Nuno Grande, a exposição vai proporcionar uma espécie de viagem por meio século de pensamento e produção arquitetónica em Portugal, no contexto das comemorações dos 50 anos da presença da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris.

Na próxima segunda-feira, 11 de abril, véspera da inauguração da mostra, estarão na Cité de L'architecture et du Patrimoine Guy Amsellem, presidente daquela estrutura, Artur Santos Silva, presidente da Gulbenkian e o comissário Nuno Grande, para a abertura do ciclo de conferências. A primeira abordará o que possam ter sido as conquistas da Revolução de 1974 e conta com a participação dos arquitetos Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa, Laurent Beaudouin e o crítico José António Bandeirinha.

Câmara Municipal de Matosinhos

Câmara Municipal de Matosinhos

DR

Ao início da tarde vai falar-se do que possa estar para lá do debate sobre o moderno e o pós-moderno. Estão convidados Gonçalo Byrne, Eduardo Souto de Moura, o escritor Dominique Machabert e o crítico Jorge Figueira. Por fim, será discutido o vasto tema do internacionalismo, universalismo e globalização. A moderação é de Francis Rambert, diretor do Institut Français d'Architeture e participam João Luís Carrilho da Graça, Manuel Mateus, Vincent Parreira e a crítica Ana Tostões.

A exposição, explica Nuno Gerande, mostra como a arquitetura portuguesa “foi marcada ou marca ela mesma o contexto cultural e social” português. Trata-se de uma mostra com um ponto de vista: existe um “universalismo” particular e latente no modo como “os melhores arquitetos portugueses criaram, de geração em geração, aliando equilíbrio entre herança universal da história da arquitetura e constrangimentos geográficos e culturais dos lugares onde se erguem as suas obras”. Dito de outro modo, trata-se de apresentar “uma fusão coerente e crítica entre o 'global' e o 'local'”.

Casa dos Bicos, em Lisboa

Casa dos Bicos, em Lisboa

Nuno Fox

A partir de um conjunto vasto de reflexões há a tentativa de colocar ali a arquitetura portuguesa em diálogo com, diz Nuno Grande, “a influência do internacionalismo moderno, mas também do nacionalismo, na última fase da ditadura portuguesa“, no período entre 1960 e 1974. Num outro momento da exposição abordam-se as últimas décadas do colonialismo português, de 1961 a 1975. Vem depois a Revolução do 25 de abril de 1974, a que se segue o processo de integração na Comunidade Europeia, de 1980 a 2000. Por fim, o impacto da globalização, de 2001 a 2016.

A lista dos projetos é longa e inclui obras como a sede e museu da Fundação Calouste Gulbenkian (1959-1969), de Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa; piscina das Marés, em Leça da Palmeira, Matosinhos (1961-1966), de Àlvaro Siza; igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa (1962-1973), de Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira; Edifício Franjinhas, em Lisboa, (1965-1973), de Nuno Teotónio Pereira; Bairro de S. Vítor, SAAL- Norte (1974-1976), de Àlvaro Siza; Pousada de Santa Marinha da Costa, Guimarães (1972-1985), de Fernando Távora; Câmara Municipal de Matosinhos, (1980-1987), de Alcino Soutinho; Casa das Artes, Porto (1981-1991), de Eduardo Souto Moura; Escola Superior de Comunicação, Lisboa (1988-1993), de Carrilho da Graça; Casa das Mudas, Madeira (2001-2004), de Paulo David; Museu Marítimo de Ílhavo (1999-2012), de ARX; Casa em Ovar (2011-2013), de Paula Santos; ou o Centro de arte contemporânea Arquipélago, S. Miguel, Açores (2010-2015), de Menos é Mais.

Casa das Artes, no Porto

Casa das Artes, no Porto

DR