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Hong Kong premeia filme que expõe os piores receios em relação à China

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Crianças fardadas patrulham as ruas e atacam uma livraria acusada de vender livros proíbidos por Pequim. O regime chinês manda assassinar um ativista para provocar a revolta que lhe permita apertar ainda mais a repressão sobre Hong Kong. “Dez Anos” apresenta uma série de perturbantes histórias sobre como poderá ser o território em 2025

A atribuição do principal prémio da Sociedade dos Críticos de Cinema Hong Kong a “Dez Anos”, o filme que expõe os piores receios do futuro sob o regime chinês, surge como uma tomada de posição em relação a Pequim.

“Totalmente absurdo” e “vírus para a mente” foi o modo como o jornal estatal chinês “Global Times” qualificou a obra, lançada em dezembro em apenas alguns cinemas. O filme permaneceu em exibição apenas durante um curto período, apesar das salas terem estado sempre cheias.

Milhares de pessoas apinharam-se junto aos locais onde o filme foi exibido na passada sexta-feira, no âmbito da competição cinéfila. Os canais de televisão chineses não fizeram qualquer referência à atribuição dos reputados prémios.

Na cerimónia, o diretor do evento Derek Yee reconheceu a controvérsia que a nomeação gerara. “O Presidente Roosevelt disse uma coisa: ‘a única coisa sobre a qual nós temos de temer é o próprio medo’”, afirmou, antes de anunciar a atribuição do principal prémio à obra em questão.

Efetuado com um orçamento reduzido (cerca de 56 mil euros), “Dez Anos” é composto por cinco histórias que imaginam o ponto a que terá chegado a perda de autonomia de Hong Kong dentro de cerca de uma década. Numa delas, assassinos a mando do regime de Pequim executam um ativista, a fim de incitar a revolta popular que permita apertar ainda mais o controlo de Hong Kong. Tal como aconteceu em Tiananmen, o exército irá intervir para reprimir os manifestantes.

Noutra cena, crianças fardadas patrulham as ruas e atacam uma livraria acusada de vender livros proibídos. O filme termina com um independentista a imolar-se pelo fogo em frente à embaixada britânica.

Ng Ka-leung, um dos realizadores, procurou relativizar os receios do impacto do filme perante o regime chinês, afirmando que apenas se preocupava com a opinião dos seus conterrâneos de Hong Kong.