Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Shakespeare e Molière entre as nove estreias no TNSJ até julho

  • 333

"O Misantropo", de Moliére, com adaptação de Nuno Cardoso

D.R.

Programa inclui "O Misantropo", de Molière, numa adaptação de Nuno Cardoso, e " Rei Lear" de William Shakespeare, com encenação de Rogério de Carvalho

André Correia

A programação, apresentada hoje, arranca no dia 7 de abril, no TNSJ, com a estreia de "O Misantropo", uma encenação “alternativa” de Nuno Cardoso tendo por base a obra-prima criada por Molière há 350 anos. Agora, com nova roupagem, a peça apresenta o teatro enquanto “máquina das preocupações contemporâneas”.

No centro da trama, encontramos Alceste, herói monomaníaco que odeia todos os homens, censura-lhes os vícios e as inquietudes. Nas palavras de Nuno Cardoso, a peça procede a uma “análise frívola da sociedade daquela época”. O nepotismo e os jogos de influências faziam parte do quotidiano, o que, na opinião do encenador, permite estabelecer um paralelismo com o tempo em que vivemos. A peça estará em palco entre 7 e 24 de abril.

Outra das estreias é "Rei Lear", o clássico de Shakespeare que a partir de 30 de junho estará em cena no TNSJ. Esta será a primeira incursão de Rogério de Carvalho na obra do dramaturgo inglês. Nas palavras do encenador, “o espaço vazio é posto a nu” nesta peça e a exploração da linguagem assume um papel preponderante. “No teatro tudo é uma questão de vocabulário”, considera.

O enredo desenrola-se num ambiente “pleno de ambições, cegueira, hipocrisia e traições, em confronto com uma forte presença de ações ligadas à verdade, à honra e á fidelidade”, lê-se na sinopse do espetáculo, onde se assiste ao percurso de um rei que aprende a ser homem.

Destaque também para a estreia absoluta de "A Despedida", com texto e encenação de Marta Freitas. A obra trata o luto e a melancolia, num “jogo perverso de desvios e aproximações, suores frios e humores negros” e que tem início com o episódio de dois irmãos, vestidos de branco, a jogar voleibol no cemitério sobre o túmulo dos pais. Para a criadora, apesar da temática obscura, esta obra conduz a um “regresso à infância e às memórias”. A peça estará em exibição no Teatro Carlos Alberto entre 8 e 17 de abril.

A partir de dia 12 e até dia 22, também no Teatro Carlos Alberto, o encenador Simão do Vale apresenta a peça "As Criadas", de Jean Genet. Logo depois, dia 26, na mesma sala de espetáculos, estreia a adaptação de João Samões à obra de Albert Cossery, "Hotel Lousiana Quarto 58". Uma das curiosidades relativamente ao título desta obra é que ele faz referência ao número do quarto de hotel onde Cossery viveu durante 50 anos.

Para além do teatro, a programação inclui também a exposição "Noites Brancas", no Mosteiro São Bento da Vitória a partir de hoje. A mostra revela vários elementos cenográficos de algumas peças de maior sucesso que passaram pela icónica sala portuense.

A partir desta sexta-feira, 1 de abril, estão abertas as candidaturas para envio das propostas para uma intervenção artística que o TNSJ pretende efetuar na fachada do Teatro Carlos Alberto. Os projetos apresentados a concurso devem ter em consideração o estilo arquitetónico do edifício, bem como o fim a que se destina. O autor do trabalho selecionado – anunciado a 31 de maio – terá direito a um prémio de 3 mil euros e mais 700 para ajudas de custo à produção.

Durante a apresentação da programação, a presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Francisca Carneiro Fernandes, revelou alguns números relativos ao ano de 2015. Durante o ano passado, passaram pelo Teatro Nacional São João mais de 104 mil pessoas e as salas alcançaram uma taxa de ocupação de 77%.