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Cultura

Será Utopia levar 50 autores até Óbidos? Sim e não: é o FOLIO

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Festival Literário Internacional de Óbidos regressa para mais uma edição e já tem alguns nomes confirmados. Acontece entre 22 de setembro e 2 de outubro

Havia uma vila medieval à espera de novos encantos e à procura de novas formas de atrair visitantes através da cultura. Havia vontade. Havia um lugar. Só era preciso encontrar uma fórmula mágica daquelas que só existem na ficção. Nasceu o FOLIO, Festival Literário Internacional de Óbidos, que chega agora à segunda edição, marcada para setembro e com a Utopia como tema principal.

V.S. Naipaul é um dos nomes já confirmados para a segunda edição do Festival Literário

V.S. Naipaul é um dos nomes já confirmados para a segunda edição do Festival Literário

As novidades são muitas e o escritor Vidiadhar Surajprasad Naipaul, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2001, é um dos nomes confirmados para a segunda edição do Festival Literário Internacional de Óbidos (FOLIO). Há outros, sempre com a ideia da fuga à repetição em cima da mesa e deixando de parte a abordagem mais lusófona que marcou a edição passada. O FOLIO vira-se este ano para novas paragens, apresentando nomes como o do islandês Jón Kalman Stefánson ou do mexicano Juan Pablo Villalobos, numa lista que contará com cerca de 50 escritores. Quem também não vai faltar à chamada são os portugueses Miguel Sousa Tavares, Rui Cardoso Martins e Afonso Cruz, aos quais se junta ainda Djaimilia Pereira de Almeida, autora nascida em Luanda mas que chegou a Portugal com apenas três anos.

Os curadores Maria José Vitorino, José Eduardo Agualusa e José Pinho na apresentação do FOLIO à imprensa

Os curadores Maria José Vitorino, José Eduardo Agualusa e José Pinho na apresentação do FOLIO à imprensa

Quanto às condições e pormenores programáticos, Agualusa avança desde já que “a tenda dos autores será mais acolhedora e que este ano todas as mesas serão à tarde e à noite”. Haverá espaço e público para todos, pois às mesas com autores mais conhecidos, "e que chamam mais visitantes", juntam-se outros "não tão conhecidos mas que merecem ter esse público". Fica a vontade expressa pelo também escritor de que também este ano “as pessoas saiam destas mesas surpreendidas e inquietas e com vontade de discutir”.

Além do Folio Autores, há também espaço para outras vertentes como a Folia — da responsabilidade de Anabela Mota Ribeiro —, o Folio Educa (pensado por Maria José Vitorino), o Folio Ilustra (trabalhado pela curadora Mafalda Milhões) e o Folio Mais, que substitui o Folio Paralelo da primeira edição e que conta com a coordenação de José Pinho.

Os Quixotes de Júlio Pomar são um dos destaques da FOLIA

Os Quixotes de Júlio Pomar são um dos destaques da FOLIA

JOSE COELHO

A vida não se faz apenas de livros e a Folia, secção do FOLIO dedicada à música, teatro, cinema, exposições e outras expressões, oferece uma programação extensa (sempre com um fator surpresa à mistura). Nos 500 anos da morte de Bosch, “As Tentações de Santo Antão” transitam do MNAA numa reprodução em tamanho real, mas as viagens não se ficam por aqui. Camané vai cantar Tom Jobim, Júlio Pomar vai expor a sua “Mostra de Quixotes” — desenhos, gravuras e serigrafias —, pintados ao longo de 50 anos. Há ainda aulas inéditas, interpretação de poemas ingleses de Fernando Pessoa (por Júlio Resente e Salvador Sobral), uma instalação de Rui Horta e leituras encenadas dos Solilóquios de Shakespeare.

UMA NOVA VILA MEDIEVAL

A velha vila medieval, triste como em tempos menos áureos, não existe há muito, mas havia ainda espaço de sobra para volumes e volumes de histórias. Hoje Óbidos já conta com 11 livrarias, tendo programada a abertura de outras duas nos próximos tempos — e esta outra utopia tornou-se realidade.

Não se faça confusão, que “Óbidos Vila Literária não é apenas o FOLIO”, como explica o Humberto Marques, Presidente da Câmara Municipal, mas "esse é o ponto alto" de uma programação mais extensa e de uma ideia a que nem a UNESCO foi indiferente. Desde 11 de dezembro do último ano que Óbidos passou a fazer parte da rede de cidades criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. É uma Vila Literária da UNESCO, não só de 22 de setembro a 2 de outubro (quando o FOLIO se realiza), mas todo o ano.