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Siza e José Pedro Croft representam Portugal nas próximas bienais de Veneza

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Rui Duarte Silva

Escultor integrará obra a apresentar em 2017 no bairro social construído por Álvaro Siza na Giudecca definido como Pavilhão português em 2016

É uma opção invulgar, mas passível de proporcionar um interessante encontro artístico. O arquiteto Álvaro Siza e o escultor José Pedro Croft serão os próximos representantes de Portugal nas bienais de Veneza de arquitetura, este ano, e de arte, no próximo ano. O anúncio de uma opção que levará inclusive o escultor a trabalhar no espaço do arquiteto, foi feito esta tarde no Porto numa sessão com a presença dos artistas e do ministro da cultura, João Soares.

No âmbito de um projeto que tem vindo a ser desenvolvido há meses, e em que a SIC e o Expresso são “media partners”, o arquiteto participou num regresso a quatro bairros sociais construídos na Europa com a sua assinatura – Bouça (Porto), Giudecca (Veneza), Haia e Berlim. Todo o material recolhido no curso desta espécie de viagem ao passado sempre marcado pelas vivências do presente será apresentado no contexto da Bienal de Veneza.

A ideia dos curadores Roberto Cremascoli e Nuno Grande assenta no aproveitamento de um edifício de Siza cuja conclusão ficou suspensa devido a falência do empreiteiro. Aquela espécie de estaleiro de obra será o local onde serão apresentados quatro documentários, um por bairro, e uma exposição de fotografia.

Rui Duarte Silva

“Neihbourhood – Where Alvaro meets Aldo” é a designação escolhida pela representação portuguesa num processo que começa, inclusive, a ter resultados palpáveis com a decisão das autoridades italianas de proceder de imediato à conclusão da obra, no Campo di Marte, na Giudecca.

Ao comentar esta opção portuguesa em relação ao pavilhão da Bienal, Siza realçou alguns dos aspetos que mais o marcaram no regresso aos bairros. Por um lado, a satisfação geral por constatar o excelente estado de conservação da generalidade dos edifícios. Por outro lado, “a mudança da população em cursos, com aspetos desagradáveis”, como acontece em Berlim no “Bonjour Tristesse”. Construído nas imediações do muro e pouco antes da sua queda, o prédio estava numa zona menos nobre e menos apetecível da cidade. Tudo mudou e, agora, aquele é um dos centros de Berlim. Os habitantes originais, em grande parte turcos, estão a ser afastados devido ao constante aumento das rendas.

Em Haia verifica-se uma situação diferente. De início os blocos eram ocupados por emigrantes numa percentagem não superior a 50%. Agora há uma grande variedade de população, muitas nacionalidades, mas quase todos emigrantes. Já quase não há holandeses a viver no bairro, sobre o qual, de resto, tem sido lançado um forte estigma de perigosidade. “Não confirmada”, como acentuou Siza.

José Pedro Croft congratulou-se com o facto de poder trabalhar a um ano de distância e anunciou que Álvaro Siza lhe pediu para conceber uma fonte para ser instalada em Campo di Marte. Depois haverá ainda uma estrutura precária cuja duração será correspondente aos seis meses de duração da Bienal.

João Soares, que destacou a importância e a originalidade da participação de Portugal em Veneza, assegurou que iria atrás de Álvaro Siza “até o fim do mundo”. O ministro revelou ainda que um dos seus primeiros atos enquanto ministro da cultura foi dirigir-se ao escritório do arquiteto e “pedir-lhe uma bênção laica” para as funções que iria exercer.