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Dias da Música em Belém: uma “volta ao mundo em 80 concertos”

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Rita Carmo

De 22 a 24 de abril, cerca de 1700 músicos vão marcar presença no Centro Cultural de Belém, que será invadido por 80 concertos a realizar em sete salas distintas

Mariana Amaro Rodrigues

"A Viagem ao Mundo em 80 dias", obra de Júlio Verne, é o mote da edição deste ano dos Dias da Música, que tem como eixo a música clássica ocidental, mas que acolhe também agrupamentos de jazz, blues, tango e fado. Uma multifusão musical, que"proporciona uma viagem a determinados espaços geográficos", diz André Cunha Leal, o programador.

De 22 a 24 de abril, cerca de 1700 músicos vão marcar presença no Centro Cultural de Belém, que será invadido por 80 concertos realizados em sete salas distintas.

A edição deste ano conta com um espetáculo pré-inaugural no dia 21 de abril, no cinema São Jorge, intitulado "Rondó da Carpideira", uma homenagem ao trabalho de Michel Giacometti criado pelos músicos Mário Marques (saxofonista), Daniel Bernardes (pianista) e com edição de imagem e conceção visual de Gonçalo Tarquínio.

A grande inovação da 10ª edição dos Dias da Música em Belém é a dança, a ter lugar na Sala Júlio Verne no final de cada tarde: "Não vamos ter cadeiras. O convite é para ouvir e dançar. Quando falamos do mundo, uma das coisas que mais marca a identidade dos povos, além das próprias melodias, é o ritmo. E não podíamos ter o ritmo sem convidarmos as pessoas a dançar. Vamos ter música da América Latina, cha-cha-cha, mambos, salsas, tangos... e tudo isto é para dançar", afirma André Cunha Leal.

Na sexta-feira de manhã, realizam-se os "Mini-Dias da Música", com concertos de escolas para escolas, que contará com a participação de 600 crianças. Ainda nesse dia 22, o concerto de abertura é realizado pela Orquestra Sinfónica Metropolitana, que interpretará peças de Claude Debussy, Manuel de Falla e Nikolai Rimsky-Korsakov, sob direção musical de Pedro Amaral e com o pianista Josef Colom.

Uma das estreias nos Dias da Música é a Orquestra XXI, composta por músicos portugueses que tocam em orquestras estrangeiras e que, dirigida pelo maestro Dinis Sousa, irá interpretar o concerto "Por terras da Escócia", constituído por obras de Felix Mendelssohn. Também estreia a Jovem Orquestra Portuguesa, sob a batuta de Pedro Carneiro, com a interpretação da "Sinfonia n.º 9" de Antonín Dvorák e peças de Jon Leifs e Edward Elgar.

E os compositores nacionais? "Quando vamos fazer uma viagem, é muito importante começarmos no nosso país". Deste modo, nomes como António Victorino d'Almeida, Sérgio Azevedo, Miguel Azguime, Carlos Paredes ou Nuno Côrte Real não podiam estar ausentes.

No dia 24, cabe à pianista Luísa Tender protagonizar um dos concertos mais promissores desta edição: "À Volta do mundo com Phileas Fogg", em que interpretará Beethoven, Verdi/Liszt, Leybach, Debussy e MacDowell.

Também o concerto da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, sob a direção musical de Domenico Longo, é um dos destaques do festival, com a soprano Cristiana Oliveira e a meio-soprano Cátia Moreira como solistas. O concerto começa e acaba com Elgar, passando por Puccini, Delibes, Copland, Verdi e Bernstein.

Durante os três dias, além dos concertos, a programação inclui oficinas, exposições, conferências e a exibição de filmes. O mercado do CCB também estará aberto.

Os bilhetes já se encontram à venda nos lugares habituais.