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Aplaudida depois de gozada nos óscares: a estilista que encheu as feministas de orgulho

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Jenny Beavan recebeu o óscar pelo melhor figurino, mas a roupa que vestiu para ir à cerimónia foi criticada

MIKE BLAKE

Quando subiu ao palco para receber o óscar de melhor figurino por “Mad Max”, Jenny Beavan marcou pela diferença: ao lado da elegante Cate Blanchett, recebeu o prémio vestida com um par de jeans e um casaco de motoqueira. A internet ficou indecisa: primeiro fez pouco dela, depois aplaudiu-a

Todos os anos, ligamos a televisão para assistir à cerimónia dos óscares e somos brindados com a mesma imagem: dezenas de atrizes exibem vestidos longos e respondem às perguntas dos jornalistas sobre que estilistas as vestiram e calçaram para a passadeira vermelha. Mas este ano, Hollywood ficou de boca aberta (e braços cruzados) quando viu uma mulher de calças de ganga e casaco de cabedal não só a passar pelo famoso tapete, mas a subir ao palco para receber um óscar... pelo melhor figurino.

Essa mulher é Jenny Beavan, estilista responsável pelo guarda-roupa de "Mad Max – Estrada da Fúria", e o seu objetivo não era fazer uma afirmação política ou feminista perante toda a Academia. Em entrevista ao "Guardian" - a primeira que concede após a polémica que envolveu a sua ida ao palco -, Beavan revela que só queria homenagear o filme que lhe deu o óscar: "Eu estava a usar um disfarce. Era uma homenagem a Mad Max. (…) Não tenho qualquer interesse em roupas, fora o que me dizem sobre uma pessoa. Sou uma contadora de histórias - não estou interessada em moda".

"A moda é contar uma história. As modelos de passerelle andam da mesma maneira e parecem idênticas, só as roupas é que mudam. Quando estou a fazer pesquisa, sento-me num café e observo outras pessoas, o que é completamente fascinante. Quanto a mim, só visto branco e preto. Quero estar nos bastidores", explica nesta entrevista.

A verdade é que se a intenção de Beavan não era chocar ninguém, a internet não estava na mesma sintonia. Assim que a estilista subiu ao palco para receber o prémio das mãos de Cate Blanchett - "Ela parecia um anjo e eu parecia uma motoqueira" -, os internautas apressaram-se a captar o momento em que Beavan passou por uma fila de estrelas de Hollywood, sem que quase ninguém a aplaudisse (o realizador que foi considerado o melhor do ano, Alejandro González Iñárritu, incluído, apesar de ele já ter negado a polémica e pedido desculpa à estilista, reconhecendo o seu mérito pelo trabalho em "Mad Max").

Apesar de já ter estado presente noutras cerimónias dos óscares - Beavan já trabalhou em filmes tão conhecidos como "Sensibilidade e bom senso" ou "O discurso do rei", já foi nomeada para nove óscares e este é o segundo que vem para casa com ela – admite que estava nervosa quando teve de subir ao palco. "Estava incrivelmente nervosa. Foi um choque. Andei bastante devagar até lá. Não queria cair - há muitos cabos e escadas brilhantes, e eu estava a assegurar-me de que não acontecia nada."

A polémica só lhe chegou aos ouvidos depois, já o vídeo que mostrava vários convidados de braços cruzados quando caminhava até ao palco era viral e já várias feministas a defendiam na internet. Para Beavan, esta é uma polémica "disparatada"… mas há males que vêm por bem: "Esta é provavelmente a primeira vez que o 'género' me colocou algum tipo de desafio. Mas se tudo isto é importante, quero usar isto para um fim positivo".

  • Começámos com espanto, acabámos surpreendidos

    “Mad Max” entrou na noite dos óscares como irrompe na tela: pleno de fúria e a esmagar tudo em torno - limpou seis óscares de repente e ninguém fez melhor em quantidade. Mas “O Caso Spotlight”, esse objeto cinematográfico que recupera a fé no jornalismo, fez melhor em qualidade: levou o óscar mais importante (melhor filme) - foi a surpresa depois do espanto com “Mad Max”. “O Renascido”, hiperfavorito (12 nomeações), foi assim-assim: melhor ator (finalmente DiCaprio), melhor realizador (Iñárritu faz o bi, depois de “Birdman”) e melhor fotografia. Lamentos: “Star Wars” tinha cinco nomeações, levou zero (foi batido por “Ex Machina” em casa, nos efeitos visuais); “Carol” tinha seis nomeações, também saiu sem nada (uma pena, é daqueles filmes que nos fazem bem); “Perdido em Marte” fez jus ao verbo - perdeu tudo e era muito (sete nomeações). E sim, Chris Rock foi direto ao assunto - #OscarSoWhite (como o casaco do smoking dele)