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Morreu Nicolau Breyner. “Não tenho medo da morte, tenho pena de não viver”

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Nicolau Breyner (à direita), durante uma pausa nas gravações da telenovela "Fúria de Viver", nos estúdios Contracampo, em Frielas, em 2002

António Pedro Ferreira

Entrou-nos pela televisão adentro, levou-nos ao cinema, convidou-nos ao teatro, fez-nos rir, provocou-nos com humor, era parte da família portuguesa. Ator, realizador e produtor, tinha 75 anos

Era um dos grandes nomes da ficção portuguesa, do entretenimento, da interpretação, do humor. Nicolau Breyner, 75 anos, morreu esta segunda-feira. A SIC Notícias, que avançou com a notícia (entretanto confirmada pelo Expresso), refere que faleceu vítima de ataque cardíaco.

Nascido a 30 de julho de 1940 em Serpa, João Nicolau de Melo Breyner Moreira Lopes fez teatro e cinema, mas foi provavelmente pela televisão que mais portugueses o conheceram. Protagonizou “Nico d'Obra”, “Sr. Feliz e Sr. Contente”, “Nicolau no País das Maravilhas”, “Vila Faia”. Nos últimos anos, entrou nas novelas como “Flor do Mar”, “O Beijo do Escorpião” e “Jardins Proibidos”. Neste momento, integrava o elenco da próxima ficção da TVI, “A Impostora”.

“Foi uma aventura lindíssima [sobre a a novela “Vila Faia“]. Penso que, até agora, foi mesmo a maior aventura profissional da minha vida”, confessou ao Expresso em 2008.

Além das artes, Nicolau Breyner ainda deu uns passos na política. Em 1995, foi o candidato do CDS à Câmara de Serpa e em 2014 apresentou-se como candidato às eleições europeias pela Nova Democracia (PND). Recebeu de Jorge Sampaio, em 2005, o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

Dizia-se “imaturo” e sempre disposto “a embarcar em aventuras”. “Odeio rotina, por isso, passado algum tempo de estar a fazer uma coisa, começo a pensar no que vou fazer a seguir, e tem de ser qualquer coisa diferente”, explicou numa entrevista ao Expresso em 2008.

Apesar dos muitos anos de carreira, o reconhecimento como um grande ator só chega no início do século. Andou entre a comédia e o drama, num percurso que em 2014, em entrevista à “Notícias Magazine”, considerou como “estranho”. “Os professores do Conservatório rotularam-­me de ator dramático. Decidi fazer o exame final com uma comédia e, dois dias depois, o Vasco Morgado quis falar comigo, convidou­-me para uma peça. Fiquei então 20 anos a fazer comédia. Nos anos 1980, surgem as telenovelas portuguesas e faço um papel dramático. Resultado: fiquei 20 anos a fazer drama. A partir daí, começou então a dizer-­se que sou um grande ator”, disse.

“Não tenho medo da morte, tenho pena de não viver”, comentou em 2014, depois de ter vencido o cancro na próstata.