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Entre fantasmas e extraterrestres

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Um belo leque de filmes fantásticos a marcar as derradeiras sessões da 36ª edição do Fantasporto

Para sexta-feira ficou guardada a projecção de um dos melhores filmes que passaram por esta 36ª edição do Fantasporto: “El Infierno de Gaspar Mendoza” do venezuelano Julián Balan. Uma história que podia ter sido contada por Garcia Marquez: um cabo de guerra que, no quadro de uma terrível guerra civil, mata o seu inimigo e toda a família, poupando uma recém-nascida que criará como sua filha.

Escusado será dizer que os mortos, por muito fundo que tenham sido enterrados, podem sempre querer voltar, sobretudo se estiver em causa a vingança. Realização magnífica, exploração hábil das paisagens da selva e bons actores: se tivesse sido produzido em Holywood tinha tudo para ser um êxito mundial.

Só para ver esta fita teria valido a pena vir ao Fantasporto. Mas o penúltimo dia teve mais coisas interessantes. Depois dos fantasmas, o tema dos raptos por extra-terrestres, focado em “Abduct” do britânico Illias Kaduji. Já agora um parêntesis: quando é que se acaba com a imbecilidade de, nas legendas de filmes e séries, se traduzir “abduction” pelo inenarrável anglicismo “abdução” quando os substantivos rapto ou sequestro dariam perfeitamente conta do recado?

Um filme interessante, tão na linha da série “Ficheiros Secretos”, que até foi buscar William B. Davis, o “Cancer Man” dos X-Files para o elenco. E aqui faça-se novo parêntesis para saudar Davis, um dos últimos expoentes da geração de grandes actores secundários que estão para o cinema americano, como o coro para a Ópera clássica: sem eles não há espectáculo. Uma longa lista da qual fazem também parte entre muitos outros, Martin Landau, o comandante Koenig de “Espaço 1999” ou Barbara Bain (da mesma série e dos episódios iniciais de “Missão Impossível).

Uma referência, ainda para uma produção libanesa, “Maskoum”, de Shariff Abdonour e Krystle Houiess em que, pela primeira vez, o cinema de expressão árabe aborda os cainhos do paranormal, num registo entre o documentário, o “reality show” e o “Projecto Blair Witch”. E ainda tivemos, a abrir a noite, a evocação do apagão de 2003 em Nova Iorque “Dark” de Nick Basile, uma espécie de “remake” de “Repulsa” de Polanski com um toque de Joe Dante.