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Refugiados, preconceito e fim da Europa

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A discriminação de estrangeiros e o tráfico de pessoas marcam os nossos tempos. Conseguirá a velha Europa resistir aos seus demónios? O Fantasporto responde

A Europa está a braços com a maior vaga de refugiados desde a II Guerra Mundial e raro é o país onde o racismo e a xenofobia não dão que falar. Se é assim na realidade, porque haveria de ser diferente no ecrã?

Tudo isto esteve em foco no Fantasporto através de “Zenaida” (Alexis Tsafas/Yannis Fotou), produção greco-cabo-verdiana que aborda o tema da escravatura sexual na Europa e de “Blind Sun” (Joyce Nashawati), filme franco-grego que conta o pesadelo de um migrante árabe numa ilha grega onde o cerco se vai apertando de forma tão insidiosa como cruel.

Até que ponto o sistema criado no pós-guerra e que permitiu o mais longo período de prosperidade alguma vez vivido na Europa está preso por arames? Bastará um acontecimento fortuito para o derrubar? É o tema explorado pela curta-metragem espanhola “The Great Invention” (Fernando Trias de Bes).

Foto D.R.

Num futuro distópico uma emissão televisiva mostra como a União Europeia acabou em 2017. Como? Porque um documentário revelara que as regras sobre o défice dos Estados, o euro e o Banco Central Europeu eram fruto de uma maquinação deixada por Hitler, caso a Alemanha perdesse a guerra. Como? Acorrentando os países do Sul a regras impossíveis de cumprir e transferindo, através das medidas de austeridade, toda a riqueza criada para Berlim. Não soa a familiar? Quando se descobre que o documentário era uma fraude, era tarde demais: primeiro os países do Sul e depois a França tinham abandonado a UE, esta desmorona-se e quem sai a ganhar é … a China. Onde será que já vimos isto?

Quais vampiros, lobisomens e fantasmas! Este é que é o verdadeiro terror: uma Europa incapaz de lidar com os seus velhos e novos demónios. Haverá algures sinais de mudança e de esperança? Para já o cinema confronta-nos com aquilo que às vezes parecemos não querer ver.