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“Pensava ser uma burla online”. Afinal, ganhou mesmo um prémio literário de 150 mil dólares

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A escritora australiana Helen Garner decidiu, por mero acaso, verificar o spam na sua caixa de correio eletrónico. Descobriu um email que a informava de que tinha ganho um galardão literário da universidade de Yale. O prémio de 150 mil dólares era mesmo verdadeiro

Da próxima vez que visitar o seu correio eletrónico, pense duas vezes. Antes de descartar quaisquer típicas mensagens de burla e contos do vigário – da clássica tática da “herança do príncipe da Nigéria” às inesperadas heranças de familiares nunca conhecidos –, talvez seja melhor fazer como Helen Garner, escritora australiana, e verificar se há alguma verdade escondida no meio da mentira.

A escritora descobriu que havia sido a vencedora de um importante prémio literário internacional depois de ler um dos (muitos) emails acumulados na sua pasta de lixo eletrónico (vulgo spam). O prémio, atribuído pelo livro “This house of grief”, tinha o valor de 150 mil dólares (138 mil euros).

Tudo começou com uma mensagem vinda da universidade de Yale. O assunto: “Boas notícias”. A princípio, a escritora pensou tratar-se de um esquema, já que a mensagem a informava de que teria de enviar o seu número de telefone para receber o prémio. Apenas depois de confirmar com a sua editora e contactar a própria universidade Garner sentiu alívio. O prémio Windham-Campbell, destinado a escritores que produzam obra em língua inglesa, era mesmo nseu.

"Quase caí para o lado", confessa Helen Garner ao britânico "The Guardian". "Ainda estou atordoada. Mas sinto-me entusiasmada com a confirmação da qualidade da minha obra."

O prémio em causa – ao contrário de quase todos os outros galardões literários – é decidido de forma anónima, sem que os escritores tenham de submeter as suas obras a avaliação. Logo, sem uma lista prévia de nomeados não existe qualquer forma de saber se são considerados ou não antes do anúncio dos vencedores.

O livro “This house of grief”, escrito em 2014 e ainda não editado em Portugal, é uma obra de não-ficção sobre a condenação de um homem acusado de conduzir um carro contra uma barragem e provocar a morte dos seus três filhos, que seguiam na viatura. O júri descreve a obra como “inteligente, lúcida e muitas vezes perturbadora”.