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É para isto que vimos ao Fantas!

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“Hellions”

Terror em vários registos marcou o fim de semana de abertura do Fantasporto

Crianças que andam de porta em porta no Haloween a infernizar a vida das pessoas e acabam por se transformam em criaturas dos infernos. Brincadeiras de adolescentes com espíritos que têm tudo para acabar mal e acabam mesmo, E cientistas que não se saem melhor do que os miúdos quando se trata de estudar uma casa assombrada na Escócia. Eis três dos filmes que marcaram oeste domingo no Fantasporto e que estão na linha do fantástico/terror que é a marca deste festival.

Trata-se, pela ordem que foram referidos de “Hellions” (Bruce MacDonald, Canadá), de “Quenn of Spades” (Svyatoslav Pogadeyevsky, Rússia) e de “The Unfolding” (Eugene McGing, Reino Unido).

“Queen of Spads”

“Queen of Spads”

No primeiro, que vai na linha dos filmes de terror com adolescentes, alguns gags saborosos como quando a protagonista, nem de propósito fantasiada de anjo para o Haloween, destrói os diabretes atirando-lhes pacotes de sal de cozinha, coisa da qual os espíritos maus não gostam.

No segundo, de resto muito bem filmado, a velha ideia de que quando adolescentes tolos se põem a invocar espíritos à frente de um espelho, ainda por cima partido, as coisas podem correr mal. Ideia esta que acaba por ser retomada no filme britânico quando um dos cientistas sugere usar um tabuleiro Ouidja para comunicar com as entidades que assombram a casa e o outro, mais velho, lhe explica que fazer isso é como pendurar um letreiro à porta a dizer “façam favor de entrar”, o que nestas coisas de almas do outro mundo é complicado porque, como explicava a seguir, “costuma ser bastante mais fácil chamá-los que mandá-los embora…”

Nesta bem realizada fita, uma nota para o paralelismo entre a iminência de uma guerra nuclear e o crescendo de aparições na casa. Qual será a pior ameaça?

Finalmente, espaço para uma constatação: não há escola de atores como a das telenovelas da Globo. Pega-se numa adaptação de “Macbeth” de Shakespeare aos tempos atuais, troca-se a Escócia moderna pelo mundo da alta finança e os atores fazem como John Wayne nos filmes do seu amigo John Ford: “Anda John, faz o costume…” O filme do brasileiro Vinicius Coimbra “A Floresta que se Move” (uma das profecias da bruxa sobra o fim de Lord Macbeth) é de uma aparente simplicidade e de uma eficácia que só se conseguem quando há uma grande escola de atores por trás.

E nem vos falei das muitas custas-metragens que por aqui têm passado, algumas muito interessantes, mas isso fica para uma próxima crónica.