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Começámos com espanto, acabámos surpreendidos

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Leonardo DiCaprio recebe o óscar de melhor ator pelo seu papel em “The Revenant: O Renascido”

Christopher Polk / GETTY IMAGES

“Mad Max” entrou na noite dos óscares como irrompe na tela: pleno de fúria e a esmagar tudo em torno - limpou seis óscares de repente e ninguém fez melhor em quantidade. Mas “O Caso Spotlight”, esse objeto cinematográfico que recupera a fé no jornalismo, fez melhor em qualidade: levou o óscar mais importante (melhor filme) - foi a surpresa depois do espanto com “Mad Max”. “O Renascido”, hiperfavorito (12 nomeações), foi assim-assim: melhor ator (finalmente DiCaprio), melhor realizador (Iñárritu faz o bi, depois de “Birdman”) e melhor fotografia. Lamentos: “Star Wars” tinha cinco nomeações, levou zero (foi batido por “Ex Machina” em casa, nos efeitos visuais); “Carol” tinha seis nomeações, também saiu sem nada (uma pena, é daqueles filmes que nos fazem bem); “Perdido em Marte” fez jus ao verbo - perdeu tudo e era muito (sete nomeações). E sim, Chris Rock foi direto ao assunto - #OscarSoWhite (como o casaco do smoking dele)

Chris Rock tomava o palco com um sorriso que já deixava antever o que aí vinha: se o monólogo inicial tivesse um título, só poderia chamar-se #OscarSoWhite. Os nomeados eram os mais brancos dos últimos anos — já se sabe — e não havia como fugir ao tema. Era preciso abordá-lo de forma séria, sem que o discurso se tornasse chato. Era necessário chegar ao coração de todos sem que ninguém se sentisse ofendido. O comediante soube pôr os pesos certos nos dois lados da balança e o discurso equilibrou-se. Nada como alguém que sabe jogar com as palavras para não deixar nada por dizer.

O tom estava escolhido e o ritmo também. Era preciso animar os convivas (tanto os do Dolby Theatre como os milhões que seguiram a gala em casa) e a 88ª noite dos óscares foi mais mexida que a do último ano. Se os movimentos de Neil Patrick Harris não convenceram, o gingar de Chris Rock poderá mesmo ter sido a melhor das escolhas. Pautada por momentos musicais assinaláveis — destaque pela positiva para a atuação de Lady GaGa em 'Til It Happens to You' e pela negativa para o vencedor da melhor canção original, Sam Smith com 'Writings on The Wall' —, a noite foi passando enquanto os nervos iam crescendo.

Chris Rock foi o cicerone dos Óscares deste ano

Chris Rock foi o cicerone dos Óscares deste ano

MARIO ANZUONI/REUTERS

Todo o mundo queria saber quem se sagraria vencedor e quem acabaria apenas com o prémio de consolação. Era tempo de olhar para os dedos e perceber quais as lãs com que se cosia a última das noites de prémios da temporada.

A contagem seria fácil se tudo se decidisse em números. “Mad Max: Estrada da Fúria“ ganhou seis óscares em 10 possíveis, “The Revenant: O Renascido” conseguiu arrecadar três em 12, “O Caso Spotlight“ ficou-se pelos dois em seis e “Quarto” por um tímido mas ótimo prémio (melhor atriz para Brie Larson) em quatro hipóteses. Estaria encontrado o vencedor, assim como os vencidos: “Perdido em Marte” prometia muito (com sete nomeações) e não levou nenhuma, assim como “Carol” — que podia ter levado seis e ficou de mãos a abanar — ou o tão falado "Star Wars: O Despertar da Força", que das cinco possibilidades acabou por ficar a zeros.

Alejandro González Iñárritu venceu o óscar de melhor realizador

Alejandro González Iñárritu venceu o óscar de melhor realizador

MARIO ANZUONI/REUTERS

A verdade é que a estatística não se aplica aos óscares e nada como as categorias principais para tirar as teimas. Para quem adormeceu antes do final, “The Revenant: O Renascido” seria a grande deceção, mas o filme acabou a noite em beleza, ou quase. Alejandro González Iñárritu foi considerado o melhor realizador (pelo segundo ano consecutivo, depois de “Birdman” em 2015), Leonardo DiCaprio conseguiu o óscar de melhor ator à quinta nomeação e o filme recebeu o prémio de melhor fotografia, mas já lá vamos. Faltou-lhes o mais esperado, o prémio de melhor filme, atribuído a “O Caso Spotlight”.

 Alicia Vikander, também fantástica em “Ex Machina”, ganhou o galardão de melhor atriz secundária pelo seu papel em “A Rapariga Dinamarquesa”

Alicia Vikander, também fantástica em “Ex Machina”, ganhou o galardão de melhor atriz secundária pelo seu papel em “A Rapariga Dinamarquesa”

MARIO ANZUONI/REUTERS

A falta de diversidade nos nomeados talvez tenha sido (parcialmente) colmatada com a atribuição de prémios a quem fez parte de projetos que mexeram — e mexem — com uma sociedade ainda muito heteronormativa e que fecha os olhos aos grandes problemas que a afetam: Alicia Vikander, também fantástica em “Ex Machina”, ganhou o galardão de melhor atriz secundária pelo seu papel em “A Rapariga Dinamarquesa”. Ficaram para trás Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”), Kate Winslet (“Steve Jobs”), Rachel McAdams (“O Caso Spotlight”) e Rooney Mara (“Carol”).

Já na categoria de melhor ator secundário foi um homem do teatro a levar a melhor. Mark Rylance sagrou-se vencedor pela sua participação em “Ponte de Espiões”, batendo Christian Bale (“A Queda de Wall Street”), Mark Rufallo (“O Caso Spotlight”), Sylvester Stallone (“Creed”) e Tom Hardy (“The Revenant: O Renascido”).

PRIMAZIA DAS HISTÓRIAS

Aqui estava outra das novidades, numa secção que por vezes até fica para segundo plano e que este ano tomou a dianteira. No campo dos contadores de histórias, que este ano tiveram honras de abrir a gala, “O Caso Spotlight” — sobre a investigação jornalística que levou à descoberta de escândalos de pedofilia na Igreja Católica — recebeu a estatueta dourada de melhor argumento original, à qual depois conseguiu somar a de melhor fIlme. Uma distinção que pertence também ao jornalismo. Já o melhor argumento adaptado acabou por ser de “A Queda de Wall Street”, que deixou “Brooklyn”, “Carol”, “Room” e “Perdido em Marte” pelo caminho.

Margaret Sixel recebeu o óscar de melhor edição de som de “Mad Max: Estrada da Fúria”

Margaret Sixel recebeu o óscar de melhor edição de som de “Mad Max: Estrada da Fúria”

MIKE BLAKE/REUTERS

Surpresa, ou talvez nem tanto, são os prémios de “Mad Max: Estrada da Fúria”. As categorias técnicas assentavam-lhe que nem uma luva e este era um dos filmes que mais possibilidades tinha de se sagrar vencedor. “The Revenant: O Renascido” também seria uma possibilidade, mas a longa metragem de George Miller foi a escolhida e fez uma limpeza quase geral. “Mad Max: Estrada da Fúria” tem a melhor edição, melhor edição de som, melhor mistura de som, melhor caracterização, melhor guarda-roupa e melhor cenografia. Exceção para melhores efeitos especiais, atribuído a “Ex Machina” - bateu inclusivamente “Star Wars”.

A categoria de melhor fotografia também podia ter ido para “Mad Max”, mas nem era noite de óscares se não tivéssemos uma quebra. Aqui não havia vencedores à partida e não terá sido fácil deslindar qual o melhor de todos. Muitas terão sido as voltas da Academia até escolher “The Revenant: O Renascido”. Valeu a insistência de Iñárritu em filmar tudo com luz natural. O dia e a noite deram à megaprodução — que liderava com 12 nomeações — o galardão, mas se o prémio calhasse em sorte a “Carol”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Sicario” ou “Os Oitos Odiados” também seria justo.

O produtor Jonas Rivera e o realizador Peter Docter, vencedores do óscar de melhor filme de animação por “Divertida-Mente”

O produtor Jonas Rivera e o realizador Peter Docter, vencedores do óscar de melhor filme de animação por “Divertida-Mente”

MIKE BLAKE/REUTERS

AS MENTES MAIS DIVERTIDAS (MAS COM SENTIMENTOS FORTES)

A animação continua a conquistar o seu espaço na ficção — e nos óscares deste ano, com as categorias a serem apresentadas também por desenhos animados — e “Divertida-Mente” (que estava também nomeado para melhor argumento original) venceu na categoria principal desta área. Aqui, onde se elegeu o melhor filme de animação, contavam-se títulos como “Anomalisa”, “Divertida-mente”, “A Ovelha Choné – O Filme”, “Memórias de Marnie” ou “O Menino e o Mundo”. Nos mais pequenos, como melhor curta-metragem de Animação, temos “Bear Story” como vencedor.

O trabalho documental também não foi esquecido e “Amy”, sobre Amy Winehouse, chegou, foi visto e venceu. A impressionante história da diva da pop conseguiu bater “Cartel Land”, “What Happened, Miss, Miss Simone?”, “Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom¨ (todos já disponíveis no Netflix). Como o tamanho nem sempre é o mais importante, vale ainda a pena destacar “A Girl in the River: The Price of Forgiveness” como melhor curta-metragem documental e “Stutterer” como melhor curta-metragem.

Os óscares estão entregues, com mais surpresas do que nos últimos anos e com a nuvem de um boicote a passar ligeiramente ao lado. Cheryl Boone Isaacs (presidente da Academia) não se esqueceu dos avisos e repetiu que a situação tem de mudar - Hollywood não pode perder o brilho nem deixar que o preconceito tome conta da realidade ficcionada. Não foi a única. Também Joe Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, deixou recados fortes. É preciso “mudar a cultura” e fazer frente aos abusos. Conselhos, objetivos e ordens de quem manda. As estrelas estão no céu, mas há sempre algumas que caem pelo passeio da fama. A grande noite da Fábrica de Sonhos chegou ao fim.

Melhor filme

O Caso Spotlight
outros nomeados: O Renascido, Ponte de Espiões, Brooklyn, Mad Max: Estrada da Fúria, Room, A Queda de Wall Street, Perdido em Marte

Melhor realizador

Alejandro González Iñárritu, O Renascido
outros nomeados: George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria), Lenny Abrahamson (Room), Tom McCarthy (O Caso Spotlight), Adam McKay (A Queda de Wall Street)

Melhor ator

Leonardo DiCaprio, O Renascido
outros nomeados: Bryan Cranston (Trumbo), Eddie Redmayne (A Rapariga Dinamarquesa),
Matt Damon (Perdido em Marte), Michael Fassbender (Steve Jobs)

Melhor atriz

Brie Larson, Room
outras nomeadas: Cate Blanchett (Carol), Charlotte Rampling (45 anos), Jennifer Lawrence (Joy), Saoirse (Brooklyn)

Melhor ator secundário

Mark Rylance, Ponte de Espiões
outros nomeados: Christian Bale (A Queda de Wall Street), Mark Rufallo (O Caso Spotlight), Sylvester Stallone (Creed), Tom Hardy (O Renascido)

Melhor atriz secundária

Alicia Vikander, A Rapariga Dinamarquesa
outras nomeadas: Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados), Kate Winslet (Steve Jobs), Rachel McAdams (O Caso Spotlight), Rooney Mara (Carol)

Melhor argumento original

O Caso Spotlight
outros nomeados: Ex Machina, Inside Out, Ponte de Espiões, Straight Outta Compton

Melhor argumento adaptado

A Queda de Wall Street
outros nomeados: Brooklyn, Carol, Room, Perdido em Marte

Melhor edição

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: O Caso Spotlight, Star Wars: O Despertar da Força, A Queda de Wall Street, O Renascido

Melhor fotografia

O Renascido
outros nomeados: Carol, Mad Max: Estrada da Fúria, Sicario, Os Oitos Odiados

Melhores efeitos especiais

Ex Machina
outros nomeados: Mad Max: Estrada da Fúria, Star Wars: O Despertar da Força, Perdido em Marte, O Renascido

Melhor edição de som

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: Sicario, Star Wars: O Despertar da Fúria, Perdido em Marte, O Renascido

Melhor mistura de som

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: Ponte de Espiões, Star Wars: O Despertar da Força, Perdido em Marte, O Renascido

Melhor caracterização

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window, O Renascido

Melhor guarda-roupa

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: Carol, Cinderella, A Rapariga Dinamarquesa, O Renascido

Melhor cenografia

Mad Max: Estrada da Fúria
outros nomeados: Ponte de Espiões, A Rapariga Dinamarquesa, Perdido em Marte, O Renascido

Melhor banda sonora

Os Oito Odiados
outros nomeados: Ponte de Espiões, Carol, Sicario, Star Wars: O despertar da Força

Melhor canção original

Writing's On The Wall (007 Spectre)
outros nomeados: Earned It (50 Sombras de Grey), Manta Ray (Racing Extinction), Simple Song #3 (Youth), Til It Happens To You (The Hunting Ground),

Melhor filme de animação

Divertida-Mente
outros nomeados: A Ovelha Choné, Anomalisa, Memórias de Marnie, O Menino e o Mundo

Melhor curta-metragem de animação

Bear Story
outros nomeados: Prologue, Sanjay's Super Team, We Can't Live Without Cosmos, World of Tomorrow

Melhor filme estrangeiro

Filho de Saul
outros nomeados: A War, Embrace of the Serpent, Mustang, Theeb

Melhor documentário

Amy
outros nomeados: Cartel Land, The Look of Silence, What Happened, Miss Simone?, Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom

Melhor documentário de curta-metragem

A Girl in the River: The Price of Forgiveness
outros nomeados: Body Team 12, Chau, Beyond the Lines, Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah, Last Day of Freedom

Melhor curta-metragem

Stutterer
outros nomeados: Ave Maria, Day One, Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut), Shok

  • O segundo “mais estridente espetáculo americano” vivido ao minuto

    O “mais estridente espetáculo americano a seguir às primárias republicanas” (palavras de Pedro Mexia, que esteve no live blog do Expresso que acompanhou os óscares ao minuto) está concluído: o óscar principal, de melhor filme, foi para “O Caso Spotlight”, que venceu ainda o de melhor argumento original. “O Renascido”, o grande favorito (12 nomeações), ficou com três estatuetas: melhor realizador (Alejandro Iñárritu), melhor ator (DiCaprio), melhor fotografia. “Mad Max” esmaga nas categorias técnicas e é o filme com mais óscares (seis no total): melhor edição, melhor edição de som, melhor mistura de som, melhor cenografia, melhor guarda-roupa e melhor caracterização. O Expresso acompanhoi tudo em direto: Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Miguel Cadete, Katya Delimbeuf e João Miguel Salvador descreveram, criticaram, elogiaram, observaram. Foi assim o minuto a minuto

  • Um a um, os vencedores dos óscares

    Balanço rápido: “Mad Max” tem seis, “O Renascido” três, “O Caso Spotlight” fica com dois dos bons (incluindo o óscar mais ambicionado) e depois há muita distribuição. Notas: “Star Wars” tinha cinco nomeações e falhou todas; “Carol” (ide ver, ide ver) tinha seis e também perdeu tudo; “Perdido em Marte” falhou as sete nomeações que lhe deram

  • “O Caso Spotlight” contado por dois jornalistas que estiveram lá (incluindo “o melhor diretor da América”)

    Poucas semanas antes do 11 de setembro, o novo diretor do jornal “Boston Globe” encarregou a equipa Spotlight de investigar um caso que tomou proporções dramáticas e que mexeu objetivamente com o mundo inteiro. O Expresso falou com alguns dos protagonistas desses acontecimentos jornalísticos, incluindo aquele que muitos consideram o melhor diretor de jornais dos Estados Unidos. “O Caso Spotlight” venceu dois óscares: melhor argumento original e melhor filme

  • O lusodescendente que escreveu a história que embaraçou o Vaticano e triunfou nos óscares

    O lusodescendente Michael Rezendes foi o repórter da equipa de investigação do “Boston Globe” que, em 2002, escreveu o primeiro de uma série de artigos sobre um escândalo de abusos sexuais de menores encobertos pela Igreja Católica. Numa entrevista que o Expresso agora republica, fala sobre “O Caso Spotlight” (vencedor do óscar de melhor filme), sobre o futuro do jornalismo de investigação e sobre a sua relação com Portugal

  • Dez histórias reais mais ou menos conhecidas que chegaram aos óscares

    “Baseado em factos verídicos”: esta é a referência que ilumina qualquer sequência de créditos de um filme, ou pelo menos é nisso que Hollywood acredita (e depois de vermos os nomeados para os óscares deste ano, nós também). São várias as histórias reais que davam um filme que Hollywood agarrou e a Academia nomeou, mostrando mais uma vez que a arte tem razões para continuar a imitar-reinventar-interpretar a vida. Fomos ver dez histórias reais que chegaram aos óscares deste ano (algumas delas levaram mesmo a estatueta) – e falámos mesmo com alguns dos intervenientes. Há lições de vida, relatos de coragem e inteligências visionárias (e lucrativas)

  • As categorias invisíveis dos óscares que andamos a menosprezar (mas não devíamos)

    Há um certo desapreço por algumas categorias dos óscares – a começar pela própria Academia, que as anuncia aceleradamente e sem afeto durante a cerimónia. Sabe a diferença entre mistura e edição de som? Compreende a relevância da cenografia? Já ponderou nos mistérios da caracterização? Entende a sensibilidade da fotografia de um filme? É aí e em categorias identicamente desconsideradas dos óscares que habitam tantos dos mistérios do ofício de construir um filme. Foi o que aprendemos a elaborar este trabalho que agora partilhamos consigo: fomos ter com profissionais destas áreas do cinema em Portugal e descobrimos os segredos e as astúcias da gente invisível em que raramente pensamos quando contemplamos um filme. Venha daí: é provável que fique a estimar ainda mais o cinema