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Os originais

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PARCEIROS Dr. Dre e Jimmy Iovine, executivos da Apple e fundadores da Beats

d.r.

Os originais é que estão a dar. Senão veja-se os movimentos a vante das companhias donas e senhoras de bastos quinhões do negócio digital. O rumor que corria de que a Apple viria a dar o salto na produção de conteúdos originais para distribuição em “streaming” veio a confirmar-se por estes dias. Têm um conceito fechado para um público-alvo escolhido, um formato definido, um nome clarinho e, claro, a plataforma de distribuição – o “core business” da companhia. Neste caso, o serviço de subscrição Apple Music deverá vir a ser a opção para disponibilizar a série

Luís Proença

A Apple dá este salto em frente com recurso à prata da casa: “Vital Signs”, a série de seis episódios, conta com um dos seus executivos, Dr. Dre, co-fundador da Beats Electronics, no papel principal. A série, em jeito semiautobiográfico, faz a exploração narrativa de distintas experiências emocionais vividas pela personagem, conforme antecipa a publicação The Hollywood Reporter (THR).

“Vital Signs” é tida por alguns analistas como a primeira ignição da Apple para criar uma oferta alargada e diversificada de conteúdos vídeo através das suas plataformas e por outros observadores, no lado oposto do espetro, como apenas uma iniciativa tímida decorrente das negociações sem sucesso tidas nos últimos meses com produtores e distribuidores televisivos para vir a desenvolver um catálogo de oferta audiovisual rico e competitivo.

A confirmar-se a informação de que “Vital Signs” vai ser lançado através da Apple Music (e não em exclusivo a partir da Apple TV), leva também ao entendimento de que na origem da decisão estará a necessidade de fazer voltar a fazer “buzz” e reforçar a atenção dos subscritores sobre o serviço de “streaming” musical lançado há cerca de meio ano num contexto de acesa concorrência, onde emergem nomeadamente o Spotify, que ainda no mês passado lançou um canal de vídeo com conteúdos da MTV, da ESPN e da Vice News.

Os defensores desta interpretação acenam com o facto de a série vir a ter o histórico DJ e credenciado produtor de rap “Dr. Dre” (Andre Romelle Young), igualmente executivo do grupo Apple, como cabeça de cartaz. Independentemente das projeções acerca do real desígnio de “Vital Signs”, fonte da Apple indica a THR que o executivo Jimmy Iovine – que em conjunto com Dr. Dre venderam a balada Beats à Apple há dois anos por três mil milhões de dólares -, tem mantido contactos com vista à produção de mais e novos originais.

Este mês, também o YouTube deu o tiro de partida na exibição de originais, através do serviço de streaming por subscrição YouTube Red (não disponível em Portugal). Os focos mais luminosos da campanha recaem sobre a estrela maior da companhia, que se apresenta em “Scare PewDieDie”, uma série cozinhada a partir de uma miscelânea de géneros – em que se evidenciam os desafios e o humor -, numa linguagem visual ambientada à dos videojogos de ação e terror. Do pipeline do YouTube Red Originals surgem ainda, para princípio de conversa, uma longa-metragem protagonizada pela youtuber Lilly Singh numa volta ao mundo, uma comédia de ação na linha ‘bora salvar o mundo de um perigoso inimigo, em registo ficção cientifica, e “Camp Dance” (cujo trailer pode ver AQUI), um filme de encontros e desencontros, descoberta de sentimentos e amor pela dança, também dirigido aos públicos jovens.