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Presidente do CCB responde ao Governo: “Não me demito”

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José Carlos Carvalho / Visão

O Governo extinguiu o projeto que mantinha António Lamas no cargo e o ministro da Cultura, João Soares, disse ao Expresso já ter um substituto. Mas o presidente do CCB garante que a demissão “não está na sua natureza”

Mesmo com todas as pressões de João Soares e do Ministério da Cultura para que isso aconteça, António Lamas, o atual presidente do Centro Cultural de Belém, não se demite. “Não me demito quando acredito em alguma coisa. Não está na minha natureza”, afirmou Lamas ao jornal “Público”.

Presidente do CCB desde 2014 – e envolvido no projeto desde o seu início em 1993 – António Lamas é peremptório em afirmar que a demissão não chegará por ainda ter ideias concretas para a gestão da entidade pública. “Acredito que o CCB tem capacidade para gerar mais receita e depender menos do Fundo de Fomento Cultural, acredito que pode ganhar públicos e ser mais importante do que é hoje para a cidade e para o país”, defende.

Ainda assim, o também professor catedrático do Instituto Superior Técnico reconhece que, no final de contas, a permanência no cargo ultrapassa o seu controlo. “Sei que os lugares que exerço não me pertencem. São públicos. E cabe a quem de direito decidir quem os ocupa”, reitera.

As declarações de Lamas surgem na sequência da decisão dos socialistas, tomada em Conselho de Ministros, de extinguir a estrutura de missão responsável pelo Plano Estratégico Cultural para o chamado eixo Belém-Ajuda, um plano de articulação entre jardins, monumentos e museus desta zona lisboeta. O projeto vinha do executivo de Passos e não tem existência jurídica nesta legislatura.

Sobre a anulação deste eixo, um apartidário Lamas rejeita a justificação dada pelo atual Governo em “Diário da República”, alegações de que nunca existiu uma real coordenação entre o CCB e a Câmara Municipal de Lisboa. “Alguém imagina que se pudesse pensar num plano destes sem falar com a autarquia e com a administração do Porto de Lisboa?”, questiona.

O presidente do CCB admite ainda que, no decorrer de todo este processo de mais-que-certa transição (de estratégias e de detentores de cargos), não quer prejudicar a instituição. “Seria a última pessoa a fazer uma coisa dessas”, defende. “Eu estava lá antes dele [o CCB] nascer. Sei bem quais são as suas prioridades, que papel se espera que cumpra, porque fui eu que escrevi o seu programa.”

O atual ministro da Cultura, João Soares, sempre considerou o eixo Belém-Ajuda “um disparate total”, bem como a única razão que mantinha Lamas à frente do CCB. “Acho que o próprio devia tirar as devidas consequências”, diz Soares, dando a entender que espera um pedido de demissão da parte de Lamas. “Se me perguntar se tenho pessoas capazes para substituir o presidente do CCB, tenho”, acrescentou Soares, ontem mesmo ao Expresso, num artigo que pode ler no Expresso Diário de 25 de fevereiro.

  • Ministro da Cultura quer afastar presidente do CCB

    “Se me perguntar se tenho pessoas capazes para substituir o presidente do CCB, tenho”. A declaração é de João Soares ao Expresso, numa altura em que o projeto do Eixo Belém/Ajuda já não existe juridicamente